08 de julho de 2026
Geral

Reitor da USP quer curso de medicina

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 7 min

O curso de medicina em Bauru ganhou o aval da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) nesta semana. O diretor do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (HRAC-USP/Centrinho), José Alberto de Souza Freitas, o Tio Gastão, revelou ontem que o reitor da USP, João Grandino Rodas, deu o aval para o desenvolvimento do projeto de implantação de curso de medicina na USP em Bauru. Tio Gastão esclarece que o novo Hospital do Centrinho pode ser ajustado para ser um hospital geral.

"O reitor deu a partida. Já tinha conversado com o secretário de Saúde, com o Pedro Tobias e com Geraldo Alckmin. Agora, a gente tem que caminhar juntos", define. A decisão do reitor João Grandino Rodas é um passo decisivo para a instalação da faculdade de medicina em Bauru.

Como o JC antecipou, com exclusividade, em 20 de março deste ano, a partir de conversações iniciadas pelo deputado Pedro Tobias com o governador Geraldo Alckmin e lideranças como Tio Gastão, entre outras, o sonho de Bauru pela faculdade começou a renascer fortemente, principalmente após o apoio de Alckmin, que confirmou ao JC seu empenho nesta luta. "Agora, com o aval do reitor da USP e o entusiasmo e empenho do Tio Gastão e diretoria da Faculdade de Odontologia, avançamos bastante. Vamos continuar nos mobilizando para viabilizar a faculdade para Bauru e toda região", disse Tobias ontem à noite.

Tio Gastão disse ontem que a proposta está na fase de elaboração do projeto com definição da estrutura curricular do curso, o projeto pedagógico, as parcerias e os investimentos necessários e o custeio. Além disso, ele lembra que será preciso o envolvimento da Prefeitura de Bauru e da Câmara Municipal de Bauru.

Um dos motivos da articulação com os poderes Executivo e Legislativo do município é a necessidade de expandir o campus local. "Nosso campus está inteirinho ocupado. A única área que pode ter de expansão é do Tiro de Guerra. Porque precisa ter a unidade de ensino", sugere Tio Gastão. A área do Tiro de Guerra pertence à Prefeitura de Bauru, que cedeu o imóvel ao Exército.

O diretor do Centrinho avalia que o novo hospital pode ser preparado para ser um hospital geral. Tio Gastão também sugere que o "novo Centrinho" abrigue as anomalias craniofaciais, saúde auditiva com acréscimo da pediatria e saúde do idoso. Nas especializações pediátricas, o Centrinho já faz cirurgias na especialização de otorrinolaringologia. "Minha visão é bem clara e hoje não tenho dúvidas. Tudo bem o Centrinho como hospital geral, mas um hospital geral pediátrico e que Bauru não tem. Temos que começar na prevenção com a criança", projeta.

Integração


Tio Gastão vislumbra uma integração de unidades hospitalares já existentes em Bauru em forma de parcerias na dermatologia com o Instituto Lauro de Souza Lima, no trauma e ortopedia com o Hospital de Base, na ginecologia e obstetrícia na Maternidade Santa Isabel e ainda com Manoel de Abreu, Beneficência Portuguesa e Hospital da Unimed.

A nova unidade hospitalar do Centrinho completaria a rede de especialidades médicas desenvolvendo ações pediátricas e para os idosos. "A coisa só funciona com integração. O ensino não tem limitação", define.

Tio Gastão frisa que todos os setores têm que estar juntos. O diretor do Centrinho está preparado para os embates. "As críticas têm que ser construtivas. Tem dúvidas, primeiro consulta".

Além de Tio Gastão, participou da reunião com o reitor, na última segunda-feira, o diretor da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB-USP), José Carlos Pereira.

Tio Gastão cita que não está entrando neste momento na luta para a implantação de um curso de medicina em Bauru. Ele relembra que, em meados dos anos 60 e 70, colaborou na elaboração do primeiro projeto.

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Novo prédio do Centrinho será
entregue no aniversário da cidade


O novo prédio do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC) da Universidade de São Paulo (USP) será entregue em agosto com a capacidade de dobrar o número de pacientes internados anualmente de 5 mil para 10 mil a 12 mil, duplicar o número de leitos dos atuais 91 para 200, ampliar a quantidade de salas cirúrgicas de cinco atualmente para oito, dobrar os atendimentos ambulatoriais diários de 250 para 500 e passar de 4.800 cirurgias para até 8mil anualmente. O atendimento do Centrinho é gratuito e 100% dos leitos do hospital são dedicados a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Para que o projeto do arquiteto Jurandyr Bueno Filho virasse um prédio de frente ao Parque Vitória Régia, o governo estadual investiu R$ 28,5 milhões. A construção foi iniciada em 1990, paralisada em 93, retomada três anos depois, paralisada em 2000, em 2007 o projeto foi reformulado e, em novembro de 2008, foi assinado o contrato com a Construtora CEC para sua finalização.

O hospital possui 21 mil m² de área construída, com 11 andares. A obra está em fase final com pintura em andamento e instalação de dois elevadores. Resta a construção do estacionamento externo, instalação de vidros da recepção e colocação de dispositivo nos vidros contra a incidência de raios solares. Na sequência, a unidade terá que ser equipada.


Automação


Apesar da construção ter começado há duas décadas, o hospital que será entregue é comparável ao que há de mais sofisticado no País, garante o engenheiro da CEC responsável pela obra Antonio Carlos Portela. Ele explica que a tecnologia do novo Centrinho informatiza diversos sistemas, como de climatização de ambientes e banco de dados de paciente acessível a qualquer momento. Para sustentar o sistema de automação, o prédio foi dotado com três geradores de energia.

O Centrinho completa 44 anos de fundação no dia 24 de junho. A unidade hospitalar atende 80 mil pacientes de todo o País em Bauru e mais cerca de 37 mil atendidos nas unidades ambulatoriais, mantidas com a Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Craniofaciais (Funcraf) e instaladas em Itapetininga, abrangendo as regiões de Sorocaba e Vale do Ribeira, São Bernardo do Campo atendendo a Grande São Paulo e Baixada Santista), e em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

A cada três minutos nasce uma criança com fissura labiopalatina no mundo, conforme dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). No Brasil há cerca de 250 mil fissurados, sendo 50 mil deles reabilitados pelo Centrinho. O que há de mais inovador no tratamento de malformações craniofaciais será discutido de 15 a 18 de junho em Bauru, no 44º Curso de Anomalias Congênitas Labiopalatinas.

O pesquisador escocês Peter Mossey, diretor do Centro Colaborativo da Organização Mundial da Saúde (OMS), é o destaque da palestra de abertura no dia 15, das 19h às 22h, falando de "Protocolos de melhoria de qualidade de pesquisas".

De acordo com a organização do evento, Mossey orientará os participantes sobre o desenvolvimento de pesquisas que façam diferença no tratamento dos pacientes com fissuras. Para ele, nos países em desenvolvimento, o maior problema das pessoas com fissura ainda é a falta de acesso ao tratamento por questões financeiras e também culturais.

Profissionais das unidades ambulatoriais do Centrinho mantidas em parceria com a Funcraf discutirão casos cirúrgicos realizados em Bauru e o acompanhamento nos ambulatórios instalados em Itapetininga, São Bernardo do Campo e em Campo Grande (no estado do Mato Grosso do Sul). "No formato de mesa redonda, as equipes vão discutir casos clínicos específicos e trocar experiências com o público participante. Sem dúvida, serão debates muito ricos", afirma a pesquisadora Gisele da Silva Dalben, uma das coordenadoras do evento.

A programação do evento médico se completa com cursos básicos, específicos, palestras e exposição de painéis das mais diversas áreas de atuação em saúde no tratamento das anomalias congênitas labiopalatinas. (RS)


? Serviço


O 44º Curso de Anomalias Congênitas Labiopalatinas será promovido de 15 a 18 de junho, em Bauru. As inscrições de trabalhos científicos serão recebidas até 23 deste mês. O evento será no Teatro Universitário da FOB-USP, no campus de Bauru. O tradicional evento integra o calendário comemorativo dos 44 anos de fundação do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (HRAC-USP/Centrinho). As inscrições e demais informações no SerCom/Eventos, pelo e-mail eventos@centrinho. usp.br ou pelos telefones (14) 3235-8437 e (14) 3223-2100.