Devido a um pequeno acidente de percurso em uma trilha, precisei recorrer - contrariado - ao hospital da Unimed para verificação de alguma fratura em minha mão. Me vesti com toda a paciência que o Universo me permite e lá cheguei pouco antes das 9hs do dia 9/5/2011 quando fui prontamente chamado pela atendente - simpáticas como sempre - e rapidamente abriu o prontuário pedindo que aguardasse sentado. Havia levado um livro e aproveitaria bem meu tempo de espera, porém, passada uma hora e com o saguão repleto de gente, argui à atendente sobre a triagem que não havia me chamado ainda, no que me esclareceu ser outra triagem para o caso de ortopedia.
Às 10h30, incomodada que estava com meu já impaciente olhar, a atendente adentrou o hos-pital e, após alguns minutos, retornou com um simpático sorriso afirmando que seria chamado logo em seguida. Com efeito, fui chamado em poucos minutos por uma pessoa que eu já havia visto circulando por ali e me encaminhou a uma saleta que se encontrava em péssimo estado com restos de gesso, documentos e prontuários por todo lado. O indivíduo que me chamou perguntou: "O que está acontecendo?". Após relatar, ele me encaminhou ao Raio X...
Precisamos de quase duas horas para fazer isso! Já com a intenção de relatar isso, procurei identificar o "dr." em questão e não obtive sucesso, pois ninguém sabia o nome dele... Só ao abordar uma faxineira consegui saber que na verdade era o rapaz que fazia o gesso quem pediu as radiografias! Tudo bem, fomos ao Raio X e depois de mais algum tempo fui encaminhado à mesma sala de antes, agora já higienizada, e torcendo para que não fosse o mesmo "especialista" a me dar o diagnóstico e aguardei. Finalmente após me solicitarem que fosse a outra sala, um médico me atendeu e após um minucioso exame disse suspeitar sim de uma fratura, mas que as radiografias não eram adequadas para a posição das mesmas e expliquei a ele o porquê. Voltei novamente ao Raio X e depois de me fazerem percorrer de volta outros corredores devido ao trâmite do prontuário, após cerca de uma hora depois de consultas e esclarecimentos do porquê, novas radiografias, retornei ao último, quando então certificou-se que havia mesmo uma fratura.
Infelizmente, fatos como esse nos fazem constatar a penúria por que passa nosso sofrido povo, pois se por um lado eu havia procurado o atendimento do que é o melhor que podemos contar em Bauru, e só consegui sair de lá após quase quatro horas e sem ter sido atendido por um médico primeiramente. Imaginemos o que acontece no sistema público... Me recordei ali, enquanto esperava, de uma ocasião há mais de 40 anos, em São Paulo, quando num acidente na escola fui encaminhado a um hospital público e fui atendido em poucos minutos e em 2 horas estava em casa. Pagamos um valor de INSS alto, a empresa paga também, depois pagamos um plano de saúde caro, onde temos que pagar parte das consultas e exames também para ser atendidos por alguém não habilitado, além de perder uma boa parte do dia? Políticos desse Brasil sempre dizem que tudo está melhor; estamos menos pobres, vamos sediar uma copa do mundo de futebol, onde até Bauru está se candidatando; sediaremos uma Olimpíada; somos a 7ª economia do Mundo, etc..
Mas não conseguimos cuidar da saúde de nosso povo, nosso IDH é risível, temos um elevado percentual de analfabetos funcionais, não obstante pagarmos os maiores impostos do Mundo. Acredito que esses políticos que não saem da mídia devem olhar o Brasil com os óculos azuis a que se referiu dia desses um vereador de Bauru sobre a "visão" de outro que só via coisas boas...
Mais um exemplo da piada brasileira é que a pouco tempo adquiri umas peças no exterior com um grande desconto e solicitei que me enviassem com a nota fiscal no valor que paguei com os descontos para tentar escapar da voracidade tributária tupiniquim. O vendedor, do Reino Unido, se negou e justificou: "De forma alguma, o imposto que eu pago é que paga o estudo de meus filhos e o sistema de saúde que atende minha família". Que inveja...
Marco Labão