Com o lema "O céu é o meu teto, a terra é minha pátria e a liberdade é minha religião", será realizada amanhã, na Aldeia Tupiniquim, a 3.ª Festa Cigana de Bauru. Liderado pelo babalorixá da Aldeia, Ricardo Barreira, umbandista desde os 17 anos, o evento tem como objetivo celebrar a vida e a liberdade através da cultura do povo cigano.
A Aldeia Tupiniquim, onde será o evento, está localizada no Vale dos Orixás desde setembro do ano passado, mas existe há dez anos. Este foi o local escolhido pois, além de ser liderada por Barreira, é um local aberto a todos os templos, conforme ele mesmo destaca.
A programação da festa contará com música, comidas e danças típicas que resgatam a cultura cigana. Além disso, haverá adivinhações e sortilégios, tão conhecidos pela maioria da população e que também fazem parte do conjunto das práticas ciganas.
Umas das atrações mais importantes do evento será a apresentação da dançarina e cantora Mariza Melo. Ela é deficiente visual e militante em prol da acessibilidade. Segundo Ricardo Barreira, sua participação será muito importante.
"Mariza é um exemplo vivo de superação e, através de sua tradicional dança cigana, poderá expressar também a própria alegria de viver", diz.
Além das práticas e celebrações folclóricas, o babalorixá ressalta que o objetivo do evento vai além do resgate cultural dos povos ciganos. Haverá também o louvor feito por eles, que se apresentam como trabalhadores na Umbanda, e contará com a participação das pessoas presentes, que poderão usar trajes ciganos.
História
De acordo com a lenda, a origem do povo cigano se deu em uma cidade chamada Sind, situada na Índia. Guiados por um rei, os ciganos podiam exercer, sem restrições, aquilo que norteava seus costumes tradicionais: a liberdade e a alegria de viver.
Entretanto, após um conflito com os muçulmanos, a cidade foi destruída, sendo obrigados a viver em diferentes países. Esta é a explicação para eles serem conhecidos como um povo nômade.
Segundo Ricardo Barreira, essa forma de vagar de uma nação a outra fez com que o povo cigano se espalhasse por todo o mundo, começando pelo Oriente. "Essa invasão foi uma das únicas da história que foi feita sem dor e derramamento de sangue", ressalta.
Acima da necessidade de explorar todo o território, os ciganos sempre foram pacíficos, tendo como objetivo apenas levar às pessoas os conceitos de amor ao próximo e preservação da natureza, segundo destaca Barreira.
"A mensagem prioritária deste povo, tão rico culturalmente, é a junção da alegria e do amor, tornando uma forma de celebração à vida", complementa o líder da Aldeia Tupiniquim.
Em se tratando de cultura, os ciganos, que têm a família como a base de sua organização social, têm contato desde crianças às danças e ritmos criados pelas seguidillas, pela rumba e pelo flamenco, além de ritmos tradicionais produzidos pela guitarra, violinos, castanholas, pandeiros, entre outros.
As palmas das mãos e as batidas dos pés são outras formas bastante conhecidas da dança cigana, que não é encarada como um ofício, mas sim como forma de divulgar o lado belo e mágico desta tradição.
Outra vertente seguida pelos ciganos é a crença na reencarnação e na força do destino, chamado também de baji. Porém, o mais importante a este povo é a interação com a natureza, respeitando seus ciclos e sua força geradora e provedora.
? Serviço
A 3.ª Festa Cigana será realizada amanhã, a partir das 20h, com entrada gratuita e aberta a toda população. A Aldeia Tupiniquim fica na estrada vicinal que liga Piratininga à Bauru-Marília, no Km 4,8. Mais informações pelo telefone (14) 3011-7027.