09 de julho de 2026
Polícia

Polícia Civil prende 111 em 89 cidades

Por Mariana Cerigatto | Colaborou Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Durante a operação "Sem Limites", realizada pela Polícia Civil das 6h às 15h de ontem, 111 pessoas foram presas nas 89 cidades que fazem parte da área de abrangência do Departamento de Polícia Judiciária 4 (Deinter-4), divididas em sete delegacias seccionais - incluindo a de Bauru. Fez parte da força-tarefa, especificamente na cidade de Bauru, uma ação para inibir o uso e tráfico de entorpecentes nas área conhecida como a "cracolândia da favela São Manoel".

Segundo a delegada assistente do Deinter em Bauru, Cláudia Garmes Armani, do total de prisões, 12 foram em flagrante (sendo sete por tráfico de entorpecentes e cinco por porte ilegal de arma), 47 em cumprimento de mandado criminal e 43 por mandado administrativo. Além disso, nove menores de idade foram apreendidos, sendo dois em flagrante e sete por mandado.

A operação totalizou 224 ações de busca e apreensão e no recolhimento de 11.073 produtos de origem pirata, entre CDs, DVDs e outros.

Também foram apreendidos 292 gramas de entorpecentes (entre maconha, cocaína e crack), dois veículos, 13 armas de fogo e 16 máquinas caça-níqueis (todas pela Delegacia Seccional de Bauru, que abrange 19 municípios da área do Deinter).

Segundo a delegada Cláudia, 119 policiais e 41 viaturas participaram da operação Sem Limites, que foi mais uma das ações realizadas todos os meses pelo Deinter-4 com o objetivo de coibir tráfico de drogas e reduzir a criminalidade de maneira geral.

Cracolândia


Na ação realizada na "cracolândia" da favela São Manoel, em Bauru, a Polícia Civil deteve 23 usuários de drogas na manhã de ontem. Eles foram detidos e encaminhados ao 1º Distrito Policial (1º DP), onde foram identificados e liberados. Com eles, não foram localizadas substâncias entorpecentes.

A área em que foram localizados fica ao lado do 1º DP, na avenida Comendador Daniel Pacífico, e foi concedida pela prefeitura a uma escola de samba de Bauru, que garantiu que dará outro destino ao local (leia mais no texto ao lado).

"O papel da Polícia Civil é atuar na repressão e investigação contra o tráfico. Os 23 usuários já foram qualificados no 1º DP e agora a polícia irá procurar por órgãos municipais, como a Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes), para que estas pessoas possam ser conduzidas a algum tipo de tratamento ou projeto", ressaltou o delegado titular da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Bauru, Silberto Sevilha Martins.

O delegado contou que foi feita a apreensão de uma adolescente anteontem que levava droga para a cracolândia da favela São Manoel.

"Ela foi detida com certa quantia de entorpecente (crack e maconha), além de dinheiro. Agora estamos fazendo buscas para localizar o traficante que passou essas drogas para ela", comentou. Segundo o delegado, a garota de 16 anos foi conduzida à cadeia pública de Avaí.

"O problema é grave e observamos que cada vez mais o tráfico recruta menores. Estamos atacando este crime com a repressão, prendendo os traficantes. Mas, paralelo a isso, estamos dando um suporte para que usuários sejam conduzidos a algum órgão de assistência social ou tratamento", frisou.

"Também vamos exigir que o espaço em que estes usuários ficam seja utilizado para lazer e não para uso de drogas", acrescentou.

____________________

Mudança de rumo?


A "cracolândia da favela São Manoel" já é moradia de vários usuários de drogas, que têm o local como "refúgio" dos problemas. O delegado da Dise de Bauru Silberto Sevilha Martins aponta que a área deve ser urgentemente ocupada. "Poderiam ser oferecidas atividades de lazer", sugere.

Contudo, o terreno foi concedido pela prefeitura à escola de samba Mocidade Independente da Vila Falcão. O secretário da escola, André Luís Silva Sequeira, garantiu que o local não está abandonado e está sendo cuidado, porém, vem sendo constantemente depredado.

"Eu refiz o muro dali várias vezes, mas vivem destruindo. Agora eu vou colocar novamente, nos próximos dias, o portão que foi retirado, mas nada vai adiantar se a polícia, que tem poder de prisão, não ajudar", frisou.

André Luís ainda garantiu que tentará dar outro destino à área. "Vou fazer um documento e enviar à prefeitura para verificar o que pode ser feito no local. Só que, neste documento, vou pedir que o terreno não seja passado para uma entidade rival à Mocidade Independente da Vila Falcão. Não queremos isso", disse.

"Se o prefeito garantir que não há o que fazer, a escola vai dar um jeito de colocar algo lá, como um campo de bocha, por exemplo", concluiu André, que aproveitou para divulgar que a escola está aberta a novos sócios.