São Paulo - Ao menos 12 PMs estavam na Cidade Universitária quando o estudante do 5.º ano de Ciências Atuariais Felipe Ramos de Paiva, 24 anos, foi morto com um tiro na cabeça durante uma tentativa de roubo, às 21h40 de anteontem.
Minutos antes, os dois homens suspeitos do crime, segundo a polícia, foram flagrados por uma câmera de segurança no saguão da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP), onde Paiva estudava.
A polícia suspeita dos dois porque não foram reconhecidos como alunos da FEA e, instantes antes do crime, tentaram abordar uma pessoa em um ponto de ônibus. Essa mesma testemunha agora ajuda a polícia a tentar identificar os suspeitos por retratos falados.
Paiva foi morto no estacionamento da FEA, onde a iluminação é fraca. Ele havia sacado dinheiro em um caixa eletrônico e, para a polícia, foi seguido por dois ladrões, reagiu ao assalto e foi baleado na cabeça. Ele tinha um Passat blindado, onde tentou se esconder depois de lutar com quem o atacou.
Dez dos 12 PMs que estavam na USP anteontem faziam numa blitz nas proximidades da portaria 3, a cerca de 4 quilômetros do local do crime. Os outros dois faziam rondas pelo campus.
Desde outubro de 2010, PMs fazem duas blitze diárias na USP, à tarde e à noite. Os bloqueios têm o objetivo de encontrar suspeitos e apreender drogas ou armas. Segundo a PM, as blitze tinham sido suspensas no fim do ano letivo, mas foram retomadas no dia 25 a pedido da reitoria da universidade.
"Não é porque tínhamos policial no campus que conseguiríamos evitar o crime. A Cidade Universitária é muito grande e, assim que recebemos a informação, tentamos localizar suspeitos, mas não tínhamos nenhuma característica deles", disse a capitã Raquel Cândido.
O capitão Mauro Maia, que trabalhou no caso, diz que a Guarda Universitária da USP falhou ao não informar a polícia com rapidez e ao não fechar os portões do campus assim que soube do crime. A PM afirma que foi avisada do crime às 22h, cerca de 20 minutos depois.
Para Jorge Carlos Carrasco, diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), "não há dúvidas" de que Paiva foi morto por ladrões, ou seja, num latrocínio (roubo seguido de morte). O crime, no entanto, foi registrado como homicídio simples.
Foi a primeira vez que um latrocínio ocorreu na USP. O cientista político Guaracy Mingardi diz não estar surpreso. "A USP não está isolada da cidade. O latrocínio aumentou neste ano em toda a cidade. Por que na USP seria diferente?"
De janeiro a abril, a USP teve 18 roubos, 79 furtos e 71 furtos de veículos. Desde 2007, esse foi o primeiro assassinato. Duas pessoas se mataram no campus.
Mãe
As suspeitas da polícia de que o estudante foi vítima de um roubo são corroboradas pelas informações recebidas pela família. A mãe, a dona de casa Zélia Ramos Macedo de Paiva, foi informada na madrugada de ontem que um colega de seu filho o havia visto antes do assassinato.
Zélia soube que o filho saiu da sala de aula e foi sacar o dinheiro. Ao deixar o caixa, teria se dado conta de que o seguiam. Apressou então o passo na direção de seu Passat blindado - Felipe já havia sido vítima de dois assaltos em ônibus, aos quais reagiu.
A mãe ouviu o relato sentada na sarjeta do estacionamento da FEA, a dez metros do corpo do filho. Ela se balançava para frente e para trás apoiada nas pernas. Soube que a maçaneta quebrada, do lado do motorista, mostrava que ele tentou a todo custo buscar refúgio no automóvel. Um tiro na nuca o impediu, deixando seu corpo caído, só um dos pés no veículo.