09 de julho de 2026
Nacional

Acusado de obrigar jovens a pularem de trem nega crime

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - O promotor Marcelo Alexandre de Oliveira pediu a pena máxima ao homem acusado de obrigar dois jovens a pular de um trem em Mogi das Cruzes (Grande São Paulo), em 2003. Juliano Aparecido de Freitas estava em julgamento ontem por homicídio e tentativa de homicídio triplamente qualificados (motivo torpe, meio cruel e sem possibilidade de defesa da vítima).

Na fala do promotor, o fato dele ter ameaçado as vítimas com armas e gritos obrigou os jovens a pularem do trem em movimento. "Se as vítimas não tivesse pulado, eles (acusados) teriam os matado dentro do vagão", disse.

Os outros dois homens que estavam com Juliano também são acusados pelo crime. Os julgamentos de Vinícius Parizatto e Danilo Gimenez Ramos ainda não têm data para acontecer.

Mais cedo, uma testemunha que estava dentro do trem disse que ouviu o trio dizer que mataria os jovens caso eles não pulassem. "Ou pula, ou morre". Após saltarem, Cleiton da Silva Leite morreu e Flávio Cordeiro perdeu um braço.

Também ouvido pelo juiz, Juliano negou as acusações e disse apenas ter olhado para as vítimas e comentado sobre o estilo dos cabelos. Na fala do promotor, a versão do acusado é "infantil".

Durante o depoimento do réu, o promotor Oliveira questionou ainda se ele possuía armas como punhal, soco inglês e maça (objeto de madeira com uma corrente e uma bola de metal).

O rapaz confirmou que colecionava armas medievais, mas disse que não portava nenhuma delas no dia em que os jovens pularam do trem.

A afirmação contrariou o depoimento de uma testemunha que disse ter visto a maça na mão de um dos acusados quando eles seguiam as vítimas no trem.

Ao todo, estavam programados para depor ontem dez testemunhas. Duas delas, entretanto, foram dispensadas pela defesa. O juiz Alberto Alonso Muñoz afirmou que o julgamento poderia se estender até a madrugada.

Martírio


"Hoje é um primeiro passo. Minha vida virou um martírio após a morte do meu filho. Estou vivendo a base de remédios desde então. Agora espero que os outros dois acusados sejam julgados em breve", afirmou a mãe de Cleiton, Olivina Rosa da Silva Leite, 66 anos, antes do julgamento.

Também antes do julgamento, Flávio afirmou que sua vida mudou bastante após o crime. "Foi muito difícil. Minha vida mudou muito, mas graças a Deus consegui arrumar um emprego", disse o rapaz, que hoje trabalha em uma indústria química. Ele tinha 16 anos na época do crime.