08 de julho de 2026
Regional

Protesto paralisa a Bauru-Piratininga

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

Durante mais de quatro horas, moradores de assentamento próximo ao Horto Florestal de Brasília Paulista, distrito de Piratininga (13 quilômetros de Bauru), realizaram protesto no quilômetro 263 da rodovia Engenheiro João Baptista Cabral Rennó (SP-225) para cobrar do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a abertura de estradas, reforma de ponte e fornecimento de água e energia elétrica para o local.

A manifestação de aproximadamente 50 assentados foi acompanhada por policiais militares e rodoviários e funcionários da Concessionária Auto Raposo Tavares (Cart), responsável pela administração da via, para garantir segurança do grupo e dos motoristas que trafegavam pelo local.

Os manifestantes chegaram à rodovia por volta das 7 horas de ontem e, com cartazes nas mãos, interromperam o tráfego para chamar a atenção da população sobre as condições no assentamento. O grupo permaneceu no local até às 11h45 fazendo paralisações momentâneas.

O protesto só chegou ao fim quando o tenente Luiz Carlos Ferreira dos Santos, comandante interino da 1ª Companhia do 2º Batalhão de Polícia Militar Rodoviária, comprometeu-se a intermediar uma reunião, na segunda-feira, a partir das 10 horas, entre as lideranças dos assentados e o Ministério Público (MP) de Pederneiras.

Segundo uma das integrantes do grupo, Márcia Vieira, 25 anos, o assentamento de 5 alqueires, que fica entre Piratininga e Cabrália Paulista, existe há dois anos. Desde que a entrega da área foi oficializada, cerca de 112 famílias, numa média de 450 pessoas, têm que conviver com as terras improdutivas e com a falta de estradas, água e energia elétrica. "Eles simplesmente jogaram essas famílias ali para se virarem como podem", denuncia.

Para beber, tomar banho, cozinhar e lavar roupas, ela conta que os moradores têm que recorrer à uma mina de água de uma reserva que fica a 7 quilômetros das moradias. "Nós estamos pedindo o mínimo que a gente precisa para a nossa sobrevivência, que é a água", afirma. "A gente não tem palavras para descrever o quanto é sofrimento e o quanto é desprezível a situação que a gente vive".

Além disso, ela reclama da grande quantidade de cupins e formigas no local e alega que o grupo não vem recebendo a atenção que precisa. "Não conseguimos produzir nada. O mínimo que nós conseguimos produzir é mandioca", diz. "As prefeituras (de Piratininga e Cabrália) falaram para a gente que só vão dar manutenção quando o Incra abrir as estradas porque só tem carreadores".