08 de julho de 2026
Geral

Caminhoneiro morre em acidente

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Um homem morreu em um engavetamento entre dois caminhões registrado no início da noite de ontem na rodovia Marechal Rondon, entre Bauru e Agudos. O condutor do veículo que vinha atrás, Robson Aparecido da Silva, ficou preso nas ferragens e morreu ainda durante a tentativa de salvamento, que durou cerca de uma hora e envolveu profissionais do Corpo de Bombeiros, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e resgate da concessionária Rodovias do Tietê.

A vítima conduzia um caminhão da empresa Coopercel, fabricante de celofane sediada no município de Ribeirão Pires. Ele seguia no sentido Interior-Capital quando, por volta das 19h, colidiu contra a traseira de outro caminhão, um Fiat 140 que carregava aproximadamente 6 mil garrafas de cerveja. O acidente ocorreu em um aclive, no quilômetro 330 da rodovia, e ainda não tem causas esclarecidas.

Com o impacto, a cabine do caminhão em que Robson estava adentrou por completo a carroceria do Fiat 140 e ficou totalmente destruída. O motorista do caminhão que vinha à frente, Éverton Fabiano de Souza, 27, e seu pai, José Maria de Souza, 64 anos, que era passageiro, não sofreram ferimentos.

Já Robson ficou preso nas ferragens até a altura da cintura. Por cerca de uma hora, os bombeiros tentaram, sem sucesso, resgatá-lo com a ajuda de equipamentos hidráulicos que auxiliavam na remoção do ferro retorcido. Mas o peso da carga de cerveja que pendeu para trás com o choque pressionava toda a cabine e ainda ameaçava cair sobre os socorristas.

Mesmo assim, a vítima resistiu por cerca de uma hora e chegou a se comunicar com as equipes de resgate. No decorrer do salvamento, teve uma parada cardiorrespiratória e chegou a ser reanimado, mas acabou falecendo no local.

"Um impacto desta proporção geralmente provoca lesões enormes, ainda que apenas os membros inferiores estivessem retidos nas ferragens. Não sabemos, por exemplo, se ele sofreu uma hemorragia interna. Somente o Instituto Médico Legal (IML) poderá determinar a causa da morte", considera o médico Onassis Leme Silva, do Samu.

A carroceria do caminhão que Robson dirigia, própria para transportar produtos corrosivos, estava vazia e não foi danificada. A pista da rodovia, entretanto, foi tomada pelo óleo que escapou do motor do veículo, bastante danificado após o acidente. Também houve vazamento da carga de cerveja. Para evitar derrapagens, os bombeiros cobriram a área atingida com serragem.

Quando o óbito do caminhoneiro foi confirmado, os bombeiros ? ainda sem conseguir retirá-lo das ferragens ? decidiram esvaziar a carroceria do Fiat 140 que ameaçava cair sobre a pista e, depois, desengatar os dois veículos com o auxílio de dois guinchos. Até as 22h, o serviço ainda não havia sido concluído.

Por mais de três horas, o trânsito ficou interditado em meia pista, o que tornou o fluxo de veículos bastante lento. Poucos minutos após o acidente, uma colisão traseira entre outros dois veículos foi registrada próximo ao local, mas ninguém se feriu.

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?Ele dizia que não queria
morrer?, lamenta motorista


O caminhoneiro Éverton Fabiano de Souza, 27, que dirigia o Fiat 140, conta que não percebeu a aproximação do veículo da Coopercel e que apenas sentiu o forte impacto da colisão traseira. Éverton havia carregado seu caminhão em Marília e estava quase chegando em Agudos, onde deixaria cerca de 6 mil garrafas cheias de cerveja.

"Estávamos em uma subida, eu estava em terceira marcha e não andava a mais de 45 quilômetros por hora. Não vi nada pelo retrosivor. Quando me dei conta, tudo já tinha acontecido", relembra ele. O Fiat 140, que não possui seguro, teve até mesmo o eixo quebrado com o impacto da batida.

Foi Éverton quem acionou o resgate para socorrer a vítima. Ele e o pai, o também caminhoneiro José Maria de Souza, 64 anos, tentaram prestar ajuda a Robson Aparecido da Silva, mas nada conseguiram fazer. "Não tinha como tirá-lo de lá. Ele dizia que não queria morrer, pedia para que o socorro chegasse logo. Mas, infelizmente, não foi possível salvá-lo", lamenta José Maria.