10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Salário médio do bauruense é R$ 1.635

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 6 min

Alimentação, moradia, educação, vestuário, transporte, lazer. Segundo pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o bauruense que trabalha nas empresas da cidade precisa encaixar essas e outras despesas em um salário de R$ 1.635,00. Esse é o valor médio da remuneração de Bauru apontado pelo Cadastro Central de Empresas (Cempre), pesquisa que analisou e apontou a existência de cerca de 14 mil empresas tanto públicas e privadas na cidade, que empregam 95.383.

Os dados do Cempre são referentes ao ano de 2009 e indicam que o salário mensal médio dos bauruenses é de três salários mínimos. Na data em que a pesquisa foi realizada, o salário mínimo estava em R$ 465,00. Entretanto, trazendo essa média para o valor atual do salário ? R$ 545,00 -, o bauruense ganharia R$ 1.635,00.

O economista Reinaldo Cafeo explica que a realidade bauruense confirma esses números. "O setor que oferece salários mais robustos é a indústria. Bauru tem uma área industrial mais pulverizada. A média salarial da cidade poderia até ser maior se as indústrias oferecessem mais empregos". Bauru, todavia, tem um perfil mais focado nos setores de serviço e comércio, o que incide diretamente nesse nível salarial. "O comércio e a prestação de serviços são os dois pontos fortes de Bauru na geração de empregos. E os dois são setores que realmente remuneram com valores mais baixos", explica.

A última atualização do Cadastro de Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) confirma essa prevalência de serviços. Assim como em fevereiro, o setor de serviços foi o campeão no saldo de ocupações em março, com 540 contratações. Depois ficou o de agropecuária, com 138, seguido pela indústria, com 86.

O Cempre aponta ainda que Bauru possui média salarial compatível com a do Brasil, que é de 3,3 salários mínimos. Porém, as estatísticas demonstram que a cidade está abaixo do nível do Estado de São Paulo, que foi de 3,9 salários mínimos em 2009. "É um fato normal. A média do Estado cresce bastante puxada por cidades bastante industrializadas, como a área do ABC, Cubatão, Riberão Preto, São José dos Campos, entre outras. São essas metrópoles que elevam a média estadual mensal dos salários", informa Cafeo.


Mesmo porte


Segundo o economista, Bauru está dentro da média esperada para esses portes. Ele aponta que, para descobrir se o salário da cidade é esperado ao tamanho da localidade, é preciso analisar com municípios semelhantes, como Marília, Piracicaba e São José do Rio Preto. Dessas três cidades, a única que apresenta média de salários melhor que a de Bauru, segundo o Cempre, é Piracicaba, cuja remuneração mensal é de 3,6 salários mínimos. Marília apresenta a mesma média salarial de Bauru ? 3 salários ? e São José do Rio Preto está abaixo, com 2,9.

"Além das empresas privadas, essa pesquisa analisa as da administração pública. Isso também pode contribuir para a média apresentada em Bauru. Para se ter uma ideia, a prefeitura municipal, que emprega cerca de 6 mil pessoas, apresenta uma das menores remunerações do mercado. O piso é próximo do salário mínimo", explica Cafeo.

O economista ainda estima que, como os dados são de 2009, Bauru deve estar atualmente com uma média salarial mais alta. "Hoje, verificamos uma busca por mão-de-obra qualificada na cidade, o que aparece bastante na construção. Isso, com certeza, eleva a estatística do salário mensal". Leia na página 23 informações nacionais da pesquisa.

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Pesquisa: Bauru tem14 mil empresas


Os dados do Cadastro Central de Empresas (Cempre) do IBGE destacam que, em 2009, Bauru tinha 13.903 empresas atuantes na cidade. Entretanto, atualmente, o economista Reinaldo Cafeo informa que o número deve ser relativamente menor.

"Essa quantidade apresentada na pesquisa deve ter uma redução de cerca de 10%. Acontece que ele leva em conta as empresas cadastradas. Muitas podem ter deixado de atuar e não ter dado baixa. Segundo nossos levantamentos, Bauru tem atualmente entre 12 e 13 mil empresas".

Nelas, o Cempre informa que há 95.383 trabalhadores assalariados. "Esse número vai de acordo com a realidade nacional. A estimativa é de que a população economicamente ativa seja de um terço do total de habitantes. Então, Bauru está nessa estimativa".

Segundo a contagem do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população de Bauru é de 343.937 habitantes. Um terço desse total representaria 114 mil pessoas.

"Enxergamos não só em Bauru um retardamento na entrada do mercado de trabalho. Isso se deve ao fato do crescimento da classe média, cujos filhos começam a trabalhar mais tarde e também às leis que controlam o trabalho em determinadas idades", finaliza Reinaldo Cafeo.

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Em abril, região foi a segunda que mais gerou novos empregos em SP


De acordo com o mais recente boletim do Observatório Econômico do Emprego e do Trabalho da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (SERT), a região de Bauru foi a vice-campeã na criação de empregos no Estado em abril.

Segundo os dados, foram geradas 8.796 novas vagas e a região somente ficou atrás da área metropolitana de Campinas, na qual foram criadas 21.363.

Em todo o Estado, foram 119.133 novos empregos, ou seja, a região de Bauru corresponde a 7,3% do total.
Segundo os dados estaduais, a maioria das vagas foi preenchida por jovens de até 29 anos (65%) e por pessoas com escolaridade de nível médio (68%). O número de vagas criadas foi 95% superior ao registrado no mês de março.

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Para viver com o salário médio e
abaixo dele, cada um tem seu jeito


Apesar dos números demonstrarem uma realidade positiva em Bauru, será que é possível viver bem com um salário médio de R$ 1.635,00? O editor de vídeos Guilherme Bacciotti afirma que sim. Entretanto, ele joga com um fator positivo ao seu lado: a idade.

Com apenas 24 anos, Guilherme ganha cerca de R$ 1.600,00 e afirma que a quantia é suficiente para lhe proporcionar uma vida tranquila. "Sou novo e não tenho filhos. Vivo ainda no ritmo de universitário e por isso não tenho muitas despesas. Então, esse salário é o suficiente para me manter, ajudar a família e ainda investir um pouco", explica.

O jovem, que trabalha em uma empresa pública da cidade, entretanto, sabe que, caso tivesse uma família maior, o orçamento seria bem mais apertado. "Meu pai ganha mais ou menos isso como taxista e conseguiu sustentar nossa família, que é de quatro pessoas. Porém, apesar de nunca ter faltado nada, sempre foi apertado. Morávamos em um bairro afastado e não dava para ter luxo".

Porém, se Guilherme se encaixa na média de salário bauruense apontada pela pesquisa, há muitos que ainda vivem abaixo dela. É o caso do frentista Odair Gomes Dias, 50 anos, que recebe cerca de R$ 1.200,00 por mês.

Sem tirar o sorriso do rosto, o frentista diz "fazer algum malabarismo" para manter a esposa e os dois filhos, de 15 e 16 anos. "Eles (os filhos) estudam em escola pública e é difícil se manter, mas, com o tempo, vamos aprendendo a se virar. Hoje, temos plano de saúde, meu carrinho está quitado e moramos em casa própria. Com muito esforço conseguimos comprar nossas coisas", completa Odair, animado com a perspectiva de igualar seu salário à média mensal apontada pelo Cempre para Bauru.