11 de julho de 2026
Nacional

Palocci se explica aos petistas e faz crítica à oposição, diz senador

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - O ministro Antônio Palocci (Casa Civil) se explicou ontem a senadores da bancada do PT sobre a sua evolução patrimonial nos últimos quatro anos. Ao final do almoço da presidente Dilma Rousseff com os senadores petistas, o ministro pediu a palavra para negar que sua empresa de consultoria, a Projeto, tenha cometido irregularidades que lhe permitiram aumentar em 20 o seu patrimônio. "Ele falou por mais de 15 minutos por iniciativa dele, explicou todas as coisas. Ele o fará por intermédio da resposta que está dando à Procuradoria Geral da República", disse o líder do PT, senador Humberto Costa (PE).

Sem revelar as explicações do ministro, Costa disse que todos os senadores presentes consideraram as explicações "bastante consistentes".

O senador Wellington Dias (PT-PI) afirmou que Palocci atribuiu à oposição o vazamento das denúncias - em especial "tucanos" que estão em São Paulo. "Estão buscando fazer um terceiro turno desse episódio. É o PSDB que está por trás disso, sem a preocupação dos anos que isso pode causar", afirmou Dias.

O petista disse ainda que Palocci explicou que cumpriu a "quarentena" ao deixar o governo, sem desrespeitar a legislação prestando consultoria a empresas privadas. "Ele não pode divulgar o nome das empresas porque tem cláusula de sigilo", afirmou.

Costa disse que, na opinião do senadores do PT, nenhuma das denúncias contra o ministro representam uma "acusação frontal" ou "algo consistente" que comprometa a sua credibilidade. "Como há um movimento feito pela oposição que é a representação à Procuradoria Geral da República, vamos esperar essa resposta para ver se é convincente ou não. Para o que foi dito a nós aqui hoje, é bastante convincente."

No almoço, os petistas reiteraram à presidente queixas em relação à falta de diálogo de Dilma com a base aliada. Costa afirmou que os senadores explicitaram que é necessário ter um diálogo mais "fácil" com os parlamentares aliados. "Fizemos ver à presidente que é necessário que tenhamos um acesso mais fácil, que possamos conversar mais com as pessoas do governo que estão à frente desse tema (Código Florestal) e de outros debates também. Em nenhum momento houve qualquer tipo de contraposição a esta ideia", afirmou.

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Assinaturas para CPI


A oposição conseguiu até agora o apoio de cerca de 100 deputados à CPI para investigar a evolução patrimonial do ministro Antonio Palocci (Casa Civil). Para que a investigação seja inaugurada, são necessárias as assinaturas de 171 parlamentares da Casa. No Senado, houve a adesão de 20 parlamentares à abertura da comissão - são necessárias as assinaturas de 27 senadores.

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Patrimônio


Brasília - Na última semana, a "Folha de S.Paulo" revelou que Palocci multiplicou por 20 seu patrimônio em quatro anos. Entre 2006 e 2010, passou de R$ 375 mil para cerca de R$ 7,5 milhões.

Anteontem, a liderança do PSDB na Câmara levantou suspeitas de que pagamentos feitos pela Receita Federal à incorporadora WTorre, no valor de R$ 9,2 milhões, durante as eleições do ano passado, estejam relacionados ao trabalho de Palocci, e a doações para a campanha presidencial de Dilma Rousseff.

O deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) apresentou à imprensa registros públicos do Siafi (o sistema de acompanhamento de gastos da União) e da Receita Federal que indicariam uma relação entre pagamentos feitos pela Receita à WTorre Properties, um braço do grupo WTorre, e o trabalho do ministro na incorporadora.

No dia 24 de agosto, a WTorre protocolou na Receita um pedido de restituição de Imposto de Renda de pessoa jurídica relativo ao ano de 2008. Na mesma data, a incorporadora fez uma doação de R$ 1 milhão para a campanha presidencial de Dilma - outra parcela de R$ 1 milhão foi depositada à campanha no mês de setembro.

A restituição da Receita ocorreu apenas 44 dias depois do protocolo, no valor de R$ 6,25 milhões. Segundo Francischini, o prazo da devolução é recorde. A WTorre foi uma das clientes da empresa do ministro, a Projeto Consultoria Financeira, que teve um faturamento de R$ 20 milhões somente no ano passado.