10 de julho de 2026
Geral

Na lição do brincar, a presença dos pais garante aprendizado

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 4 min

Para um adulto, uma árvore em um parque pode significar apenas uma bela paisagem, mas para as crianças, uma árvore pode ser o refúgio de um guerreiro, a toca de um lobo mau, a casa de uma princesa encantada ou o que mandar a criatividade infantil na hora da brincadeira, momento em que a realidade se funde com a imaginação e os pequenos desenvolvem habilidades que vão desde a motora e mental, até a sua socialização. E quando esse cenário lúdico ganha a presença de personagens fundamentais no cotidiano infantil - os pais -, as brincadeiras se tornam ainda mais prazerosas e produtivas.

Hoje é o Dia Internacional do Brincar. Ao mesmo passo, o mês de maio é consagrado à comemoração da brincadeira e da sua valorização em muitos países. A Pastoral da Criança, por exemplo, através da ação "Brinquedos e Brincadeiras", exalta a importância da interação da família no brincar.

Entre um pique-esconde ou um pega-pega aqui, um balanço, uma gangorra ou um escorregador ali, os irmãos Nicole e Flávio Moreno Müller, de 5 e 4 anos, respectivamente, divertem-se com a mãe, Taís Moreno. Seja em parques ou em casa, mãe e filhos "pintam o sete". "Sempre que posso eu brinco com as crianças porque acredito que os pais devem acompanhar os filhos em tudo o que fazem, principalmente nas brincadeiras, momentos em que eles se sentem livres", acredita Taís. Mesmo ainda pequena, Nicole sabe que o brincar, além de ser a coisa mais divertida da infância, ainda ensina. "Brincando com outras crianças, eu aprendo a competir".

Quem também sabe a importância de brincar ao lado do filho é o auxiliar de produção Daniel Franco de Jesus. Ele acredita que o contato dos pais com os filhos na hora do lazer ajuda no aprendizado e no desenvolvimento infantil. "Meu filho, Kairyk Franco Lima, de 4 anos, era muito tímido, por isso passei a brincar com ele em parques onde o movimento de crianças é grande. E ele melhorou muito. Já Kairyk, durante a reportagem, queria mesmo era aproveitar os momentos com o pai para correr e se esbaldar na areia.

E não é de hoje que adultos brincam com crianças. Embora o tempo esteja cada vez mais destinado ao trabalho, o ato de brincar com os filhos ainda é passado de geração a geração. "Brinquei muito com meus filhos e meus pais também brincaram comigo, do modo deles. Naquela época, nossos brinquedos eram construídos por nossos pais", conta Antônio Cicero de Oliveira, 56 anos, voluntário da Pastoral da Criança da Diocese de Bauru.

Pai dos pais


E se vale o ditado popular que diz que os avós são pais duas vezes, então a diversão com eles é em dobro. Ao menos é o que garante o casal Clélia Regina da Silva e Lauro Campachi.

Como acontece com boa parte das famílias, os filhos de Clélia e "seo" Lauro trabalham fora e eles ficam encarregados de cuidar das crianças depois da aula. Trabalho em dobro? Não para o casal.

"Adoramos a energia das crianças e brincamos todos os dias com eles. Em casa, fazemos colagens, desenhamos, contamos histórias... Com isso eles aprendem regras e ficam mais calmos", afirma dona Clélia, avó dos primos Júlia Campachi, 9 anos, Matheus Campachi, 5 anos, e Pietro Grillo, 2 anos.

Enquanto Júlia explica que brincar é muito bom para a saúde e para o primo Pietro desenvolver a sua coordenação motora, os meninos, ainda pequenos, sabem mesmo que brincar é o maior barato. Afinal, esse é o maior dever infantil.

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?A brincadeira aproxima pais e filhos?


Esconde-esconde, jogos de mesa, varetas, pintura, massinha, quebra-cabeça, teatro e brincar de acampar são apenas alguns dos exemplos de brincadeiras que podem ser feitas entre pais e filhos. De acordo com a psicopedagoga Gisele Aparecida Freitas de Oliveira Pereira, tais atividades são fundamentais para desenvolver o raciocínio lógico, matemático, a coordenação motora e a socialização infantil. Quando os pais estão presentes, as brincadeiras se tornam ainda mais especiais porque os aproximam de seus herdeiros.

"Trabalhei com uma criança que passou três anos brincando sozinha dentro de um ?chiqueirinho?. Quando ele foi para a escola, sentiu grande dificuldade de socialização e até de equilíbrio. O brincar é tão importante que até é usado pela psicologia para analisar o comportamento da criança e desvendar onde estão seus conflitos", explica a psicopedagoga.

Em outro caso trabalhado pela profissional, uma criança apresentou dificuldades de comunicação porque seus pais não brincavam e nem conversavam direito com ela. "Por isso, brincadeiras feitas com os pais e que envolvem música, contação de histórias e dramatizações são importantes".

Outro fator relevante que merece destaque é a união e a proximidade que o brincar propicia entre pais e filhos. Conhecendo melhor os filhos, os pais conseguem resolver possíveis problemas com mais facilidade.