Macatuba ? O Ministério Público apura se tem procedência a denúncia de que a eleição de renovação da mesa diretora da Câmara de Macatuba (46 quilômetros de Bauru), realizada no ano passado, teve troca de voto por emprego a duas filhas de vereadores para garantir os votos necessários para eleger o vereador Elídio de Jesus Scameloto (PSDB) à presidência da Casa com apoio do prefeito Colidge Hercos (PMDB).
O chefe de gabinete da prefeitura de Macatuba, José Aurélio, nega que tenha havido a suposta "negociata". "Já estamos preparando toda a documentação para esclarecer o MP", declara.
A Associação de Cidadania e Ética de Macatuba (Acemac) pediu à Promotoria para apurar o caso com base na declaração feita por escrito pelo vereador Moacir Silvestrini (PV) registrada no 1º Tabelião de Notas de Lençóis Paulista em 13 de dezembro do ano passado, do qual relata a suposta negociata e ainda tem gravações de conversas com vereadores envolvidos.
Silvestrini afirma no documento que, no dia 29 de novembro, depois da sessão ordinária, na sala de reuniões na presença dos vereadores Odair Funes (PT), Jorgivaldo Teles de Santana (PMDB) e José Gino Pereira Neto (PSC) o parlamentar José Antonio Tavano (PMDB) teria dito que não votaria em Silvestrini para presidir o Legislativo no biênio 2011/2012, porque o prefeito Coolidge Hercos Junior teria lhe oferecido um emprego para sua filha no Hospital Irmandade Santa Casa de Macatuba para apoiar o vereador Elídio de Jesus Scarmeloto, que se elegeu para o atual biênio.
Na representação da Acemac foi encaminhada a gravação feita por telefone celular de parte da conversa registrada na ocasião pelo vereador Silvestrini como suposta prova dos indícios de que haveria troca de voto pelo emprego.
Tavano, segundo documento registrado em cartório, afirma que o vereador Benedito Jordão, o "Ciquera" (PSC), também seria beneficiado com o cargo para a filha se votasse em Elídio Scameloto para presidente. Jordão não foi encontrado pela reportagem.
Silvestrini relatou no documento que a filha de Tavano, fisioterapeuta formada, foi empregada na área de saúde da municipalidade e seria efetivada como funcionária do hospital ou em alguma ONG.
Tavano declarou ao JC por telefone que a filha é fisioterapeuta formada e trabalha na Santa Casa, que não tem ligação com a prefeitura. "Isso não tem procedência, é (denúncia) da oposição por eu ser vereador ligado à prefeitura. Minha filha não trabalha na prefeitura. Ela é funcionária do hospital que não tem ligação nenhuma com a administração. (Essa denúncia) é porque temos pretensão de ser candidato a prefeito", declara Tavano. Segundo ele, a gravação não tem nitidez e nem o interlocutor tinha autorização para fazê-la. A outra contratação seria de funcionária no prédio do CEMP/Senai, também filha de vereador.
O presidente da Acemac, Edilio Guiotti, afirma que tanto o Hospital como o Senai têm convênios com a administração municipal. "Tivemos conhecimento da suposta compra de voto pelo vereador Moacir Silvestrrini, diante disso pedimos para a Promotoria apurar", declara,
O chefe de gabinete da prefeitura, José Aurélio, afirma que as funcionárias citadas na representação não trabalham mais na prefeitura. Uma presta serviço no hospital e a outra no Senai. "Estamos tranquilos não tem procedência (essa denúncia)", contesta o chefe de gabinete.