Mais de um ano após terem se comprometido a compor o grupo de combate às queimadas urbanas, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros de Bauru se comprometeram novamente a colaborar com a formação de um cadastro dos autores desses danos ambientais, mas apontam dificuldades.
O tenente-coronel Nelson Garcia Filho, comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPMI) confirmou a disponibilidade dos policiais militares das bases operacionais em se dirigirem aos focos de queimada quando solicitados pelos cidadãos via Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), por meio do 190.
Quanto ao repasse dos nomes e outros dados dos autores para a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Garcia afirma que todos os boletins de ocorrência registrados por policiais militares ficam armazenados e é possível a disponibilização dessas informações mensalmente à administração municipal.
O problema é que, para tanto, as bases operacionais da PM têm de atender aos pedidos de cidadãos e se deslocar, com rapidez, aos locais para tentar identificar os criminosos ambientais no momento das ocorrências. A questão é que falta contingente para esta e outras tarefas nos plantões. Sem os dados, o poder público não consegue reunir dados para autuar os responsáveis pelas queimadas, já que ainda não dispõe de fiscais para isso junto à Secretaria do Meio Ambiente (Semma).
Apesar de argumentar que a incidência de queimadas em áreas urbanas é esporádica em Bauru, o comandante da PM voltou a ressaltar seu desejo em que a prefeitura contrate policiais militares para trabalharem pelo município durante seus horários de folga na corporação. "É claro que nós podemos colaborar, mas fica muito difícil que o número atual de policiais acumule mais essa atividade, pois temos dado atenção no combate aos crimes de furto e roubo na cidade", apontou Garcia.
O comandante do 12.º Agrupamento de Bombeiros de Bauru, tenente-coronel José Guerxis de Aguiar, destaca a gravidade do problema do problema ambiental, que afeta diretamente a saúde e a qualidade de vida da comunidade, mas aponta que a identificação dos autores de queimadas urbanas é muito difícil. "As pessoas chamam os bombeiros por causa do fogo, mas quando chegamos lá, a maioria diz que não sabe quem ateou ou prefere não falar para não se comprometer", afirmou.
Guerxis explica que, em grande parte dos casos, os bombeiros também não podem responsabilizar os proprietários dos terrenos onde a queimada é praticada. "Muitas vezes o dono manda capinar, mas não limpa o terreno. A gente precisa conscientizar a população acerca disso, pois a presença de entulho nessas áreas atrai que terceiros as utilizem para colocar fogo", pontuou.
A demanda
Segundo o comandante dos bombeiros, é muito difícil flagrar os autores de queimadas e devido ao grande número de queimadas que precisam ser controladas pelos bombeiros, o trabalho de investigação no local para apuração dos responsáveis fica inviabilizado.
Guerxis afirma que, quando a identificação é possível, os bombeiros tomam as providências necessárias. "A parceria com a Semma é fundamental. Nesse ano, o problema deve ser ainda mais grave porque o período de estiagem começou mais cedo e deve terminar mais tarde por conta do grande volume de chuvas registrado no início do ano", alertou.
O comandante dos bombeiros disse ainda que está em fase de licitação a compra de uma viatura aérea para o combate de incêndios em áreas de mata fechada em Bauru. O tenente-coronel lembra que, mesmo em áreas urbanas, esse tipo de vegetação é encontrada, como na região próxima ao Hospital Estadual e ao campus da Universidade Estadual Paulista (Unesp).