09 de julho de 2026
Articulistas

Maus costumes

Renato Godoy
| Tempo de leitura: 4 min

O "kit gay", que não vingou graças à nossa presidenta e não à "bancada religiosa", é um bom exemplo de que a sociedade brasileira é vítima de maus costumes. Realmente somos maus e temos maus costumes, mas foram os nossos pais que nos ensinaram que devemos dar lugar para o mais velho sentar, que na hora do Jornal Nacional devemos deixar o nosso pai assisti-lo não importando o que estávamos assistindo antes, que devemos ir procurar emprego com a camisa sempre para dentro da calça, que devemos valorizar a nossa família e que a vida é dura, fria, feia, difícil e que ela te deixará de joelhos, se você deixar. Em tempo: lembremos que ajoelhar é um péssimo costume também.

O fato é que todos nós estamos errados. Toda essa submissão, toda essa passividade para com a vida, Deus, pastor, padre e qualquer outra liderança religiosa ou sacerdotal é feio, fere o ego, o orgulho e aquela nossa necessidade de provarmos para nós mesmos de que podemos fazer o que quisermos, na hora que quisermos, da forma que quisermos e que realmente não importa o preço a ser pago pela nossa incansável busca à felicidade do nosso "eu", acima de tudo e de todos. Não tem problema se isso vai custar a destruição da família, do casamento ou se teremos que pisar em muitas cabeças para alcançar nosso tão sonhado e digno de honras de glórias objetivo que é ser feliz a qualquer custo, haja o que houver, custe o que custar, morra quem morrer.

A presidente ouviu a maioria ? que por sinal a elegeu - e desistiu do kit. Kit gay, kit negro, kit idoso, kit gordo, kit mulher, kit chiclete, kit canivete, kit tudo. Ela sabe que governa o país e tem que ouvir antes de decidir. Meu Deus, que mau costume o dela! O Executivo antes de decidir ouvir o Legislativo... Deus, perdoe ela, ela não sabe o que faz. Ela tinha mesmo é que decidir sem ouvir ninguém mesmo, a não ser a atual modinha da onda do pseudobom samaritanismo ecologicamente sustentável cem por cento livre de preconceitos, emburrecedor de seres humanos, amordaçador e ditador de conduta, criminalizando qualquer tipo de opinião ou crença que não seja de bom costume. Graças a Deus, né? Digo, graças aos bons costumes.

Que mau costume tomar uma decisão desse calibre ouvindo a Câmara de Deputados - e não adianta falar em bancada religiosa, porque todos os deputados podem e devem lutar pelo que acreditam e em nome de quem os colocou lá, o povo, o seguimento, a bandeira - mas, no frigir dos ovos, ela deve saber que agora está em maus lençóis. Sim, está em maus lençóis, porque governar um país que a própria Constituição Federal define em seu primeiro artigo como um "Estado Democrático de Direito" quer dizer que ela tem que ouvir sempre a minoria, a enorme minoria, e que a maioria que se adeque e digira suas decisões. Portanto, uma decisão que vai a favor da maioria - indiscutível e inegável maioria - realmente é um bom exemplo de mau costume. Ela deveria ter ido a favor da minoria e que se dane a maioria.

Que a nossa sociedade e a nossa classe política principalmente possam nos respeitar um pouco mais, a maioria. Que Deus, na misericórdia da sua graça e do seu amor, pelo sangue derramado e nome do meu senhor e salvador, Jesus Cristo, nos perdoe. Calma! Essa pequena oração foi para nós, pessoas de maus costumes, fiquem tranqüilos. Afinal, precisamos de perdão, vocês não, pessoas de bons costumes. Perdão por sermos brancos, cristãos, heterossexuais e ovelhas. Somos ovelhas porque a Bíblia Sagrada fala de nós, pessoas de maus costumes, como ovelhas e fala também dos péssimos costumes que gostamos de seguir, como sermos submissos à vontade de Deus e obedientes ao nosso pastor, o líder espiritual das ovelhas. Que nos perdoem por temos princípios espirituais inegociáveis, irrevogáveis e imutáveis.

E não adianta falarmos em bons costumes, ética e honestidade na política, responsabilidade na família e bondade no coração. Afinal de contas isso é obrigação para os bons, não para nós, os maus.


O autor, Renato Godoy, é bacharel em direito, cristão e recém-desfiliado do PPS