A instalação de presídios estaduais em cidades de pequeno porte da região de Bauru mudou a rotina das pessoas simples que tinham a tranquilidade como bandeira. Ter como vizinhos homens condenados pelos mais diversos crimes preocupa a população, que vive um estresse semelhante aos dos moradores de metrópoles.
Em Reginópolis (70 quilômetros de Bauru), Balbinos (73 quilômetros de Bauru) e Pirajuí (58 quilômetros de Bauru), moradores das imediações das penitenciárias, consideradas área de segurança, se sentem inseguros. Temem se tornar reféns de presos que fogem dos presídios.
"Vizinhos de assassinos, ladrões, estelionatários e autores de outros crimes é sempre motivo de preocupação, mas não é privilégio apenas dessa população ao redor dos presídios", diz a professora doutora e socióloga Marilene Cabello Di Flora.
Segundo ela, vivemos numa sociedade de risco. Ela frisa que esses moradores vivem o estresse das grandes cidades. "O que difere é que nas metrópoles ainda tem trânsito, ruídos e corre e corre. Estamos envolvidos no novo mundo, de grande risco. Esses moradores viviam tranquilos e, de repente, a penitenciária ao lado demonstra que a violência, vista anteriormente somente pela televisão, é real."
O fato da prisão estar lá, no ponto de vista dela, é apenas de localização de uma instituição. "Onde estão as pessoas que são os algozes, autores desse processo todo? Eu penso que esses moradores não estão correndo mais risco do que nós. A sociedade é assim hoje."
No mundo contemporâneo, opina a professora, não há divisão entre zona rural e urbana. "A divisão de áreas é uma teoria sociológica muito antiga. Estamos no mesmo barco. Quem mora na área rural não está blindado da violência. Vivemos num mundo globalizado, os meios de comunicação são os mesmos e levam a informação para o mesmo território. Onde quer que a gente viva, a violência está presente e entra em nossas casas pela televisão e pelas novas tecnologias da informação."
Di Flora explica que a violência está aí e cada vez mais perto de nós. "Esse momento que vivemos vai persistir até que a sociedade busque alternativas para diminuir essa situação. As mais viáveis para que a gente possa conviver com isso, porém, encontrando caminhos para diminuir os riscos, que sempre vão existir." A sociedade precisa entender que não vai encontrar um oásis onde só tenha tranquilidade, explica a professora. "No mundo contemporâneo não existe. É preciso refletir. Acho positivo procurar caminhos. A mídia cria um impacto maior da violência através de notícias, causa pânico e remete à ideia da ameaça. O espetáculo produzido pela mídia em busca de audiência faz com que o telespectador viva uma situação, embora ela esteja longe. É desgastante."