09 de julho de 2026
Internacional

Viver sob condições extremas gera intolerância, aponta estudo


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Maryland - Você já imaginou como se portar em um funeral no Paquistão, em um restaurante na Malásia ou na Ucrânia?

Cerca de 50 cientistas publicaram um estudo na "Science" mostrando que variações culturais no comportamento estão relacionadas a fatores históricos, ambientais, sociais e psicológicos.

Disso já se sabia. A novidade do estudo é que esses fatores podem influenciar a rigidez de uma sociedade, ou seja, o quão permissiva ela é.

Por exemplo, países que têm maior densidade e crescimento populacional, escassez de recursos naturais e baixa qualidade do ar, como o Japão, tendem a ter condutas sociais mais repreensivas.

Isso acontece também em culturas com maior regulação midiática, menos direitos políticos e civis, e com medidas mais punitivas.

Os pesquisadores analisaram, por meio de um questionário e de levantamento de dados, 6.823 pessoas de 33 países da Europa, Ásia e América - incluindo o Brasil.

Os respondentes também indicaram o quão apropriado é ter atitudes como comer no elevador, flertar num funeral, beijar em público e chorar no consultório médico.

Verificou-se que nos países mais rígidos as pessoas têm mais autocontrole e noção de responsabilidade.

A relação encontrada entre os fatores analisados e a rigidez social não é, no entanto, determinante. Um país com menos recursos naturais não nece
ssariamente terá um padrão de conduta rigoroso.

É preciso evitar generalizações. "Nossa conclusão é geral, mas não pode ser aplicada para todos os países", explica a autora principal Michele Gelfand, da Universidade de Maryland, nos EUA.

Para Ara Norenzayan, da Universidade Colúmbia Britânica, no Canadá, o estudo é relevante, mas é preciso novos trabalhos para investigar as relações causais entre os fatores psicológicos, históricos e ambientais, assim como as origens da variação de conduta entre as populações.