09 de julho de 2026
Cultura

O som que faltava

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 4 min

Recém-formada, banda acaba de gravar seu CD de estreia e sobe ao palco para fazer o primeiro de uma série de shows de divulgação do novo disco. Não, para, tem alguma coisa errada. Faz um bom tempo sim que Francisco, Fernando e Renato não unem seus instrumentos, mas de recém a banda desses músicos não tem nada. Foi em 1987, quando os hoje "quarentões" curtiam seus vinte e poucos anos que a batizada 48 Horas nasceu.

O trio acaba de gravar sim, um disco, o primeiro. Mas não para correr a estrada. "Cidades" significa a concretização de um desejo insistente, a realização de uma meta, o vencimento de uma frustração, sabe? Passados 25 anos, os músicos retornam ao palco onde tudo começou - o Armazén Bar - para dividir com os antigos fãs essa conquista e colocar um ponto final no sonho de juventude de se tornarem "astros do rock".

O show de lançamento de "Cidades" e encerramento da 48 Horas, com conhecidas e inéditas canções da banda, será na próxima sexta-feira, a partir das 23h. "No ano passado, decidimos que precisávamos imortalizar aquele tempo, a história daqueles jovens que partiram com alma e coração para o que lhes dava algum sentido: a música", comenta o empresário Francisco Molina, o Chico Molina, e que, na 48 Horas, assume a guitarra.

O disco é, para os músicos, a cereja do bolo que faltou por 25 anos, mas que, mesmo passado tanto tempo, eles fazem questão de comer. "Chegamos a ter um certo destaque com a banda em Bauru e em São Paulo. Dividimos palcos com Secos e Molhados, Barão Vermelho, Ultraje a Rigor e chegamos a gravar uma fita cassete no estúdio do Sá e Guarabyra, no mesmo momento em que Raul Seixas e Marcelo Nova gravavam seu último trabalho", enumera o eterno baterista Fernando sobre a trajetória e lembranças da banda

"Éramos um bom grupo; na época, em Bauru, não tinha um banda que subia no palco e tinha todo o repertório autoral. Estávamos no caminho certo, mas faltou um pouco de cabeça, orientação de um produtor", comenta Renato sobre a razão da carreira como músico não ter vingado.

Segundo a banda, o momento decisivo para o destino da 48 Horas foi a saída do baixista Marcos Pilla, em 1991. O grupo chegou a rodar os palcos com outra formação, mas, no ano seguinte, fez sua última apresentação no Armazén Bar, claro. Dez anos depois, a 48 Horas chegou a retomar os ensaios e realizar alguns shows, mas se dissolveu, novamente, em 2004.

"Consideramos que, após a saída do baixista, entramos no freezer, mas não acabamos, apenas demos um tempo", explica Chico Molina, já justificando a necessidade do grupo em colocar um ponto final oficialmente. O empresário compara o sentimento que os músicos têm pela 48 Horas ao que todos guardam pelo primeiro amor. "A nossa entrega e envolvimento foram intensos, difícil de esquecer. Nossas esposas são fruto dos tempos de banda, nossos filhos existem por isso. Então, de certa forma, precisávamos gravar esse CD para não restar nenhuma mágoa daquele tempo e poder seguir em frente", finaliza.

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Antigas e inéditas foram reunidas em ?Cidades?


Apesar de toda nostalgia que envolve o lançamento de "Cidades", os músicos da 48 Horas não quiseram viver apenas de passado. Além de canções como "Inocência" - mais antiga composição do grupo e principal carro-chefe das apresentações nos anos 80 e 90 -, o disco traz quatro inéditas.

Das 11 faixas que compõem "Cidades", "Areias e Cristais", "Quero Te Ver Passar", "Espelhos" e a música-título são as novidades. A número três, "Quero Te Ver Passar", está na programação da 96 FM. Completam o disco "Faixa de Pedestre", "Flores e Fantasmas", "Até Quando Revolução", "Gotas", "Volga" e "Tempo Vazio".

A gravação contou com as participações especiais de Fábio Golfetti e Amauri Muniz, além de "pitacos" de Kiko Zambianchi. "Ele foi uma espécie de consultor na fase de pré-produção do CD", comentam os músicos.

No palco, além de Chico Molina, Fernando e Renato, a banda conta com Sandro Torres. Somadas às músicas de "Cidades", o show de encerramento da 48 Horas trará muitos sucessos do rock, que marcaram as apresentações do grupo, influenciado, principalmente, pelo som inglês do início dos anos 80.

"Queremos convocar os antigos fãs, o pessoal mais novo que esteja disposto a conhecer nossa história para imortalizar esse momento tão importante para nós. Afinal de contas, a música não foi tão malvada com a gente, tivemos muitos presentes e esse CD é um deles", convida Chico Molina.

Para quem quiser conferir o som da banda, o clipe da música "Cidades" está disponível no YouTube e o CD também pode ser encontrado à venda na Internet.


Serviço

48 Horas lança CD e encerra banda na próxima sexta, dia 3, a partir das 23h, no Armazén Bar (rua Quintino Bocaiúva, 2-20. Informações pelo telefone (14) 3226-2016.