Pederneiras ? Uma idosa de 82 anos foi atacada a socos e mordidas, na madrugada de anteontem, após sair de um baile no bairro Cidade Nova, em Pederneiras (26 quilômetros de Bauru). O acusado ? que já foi identificado pela polícia, mas está foragido ? ainda tentou estuprá-la e enforcá-la. Segundo a vítima, as agressões só pararam quando ela simulou estar morta. As motivações para o crime estão sendo investigadas. Este é o terceiro caso de agressão contra idosos em pouco mais de uma semana.
A princípio, o caso foi tratado como lesão corporal. Ontem de manhã, quando a idosa foi até a delegacia, a Polícia Civil constatou a gravidade do fato, que foi registrado como tentativa de homicídio e tentativa de estupro. Adalgiza Peixoto de Alencar saiu do baile a pé, sozinha, por volta das 3h. Quando abria o portão de casa, ela conta que foi rendida por um homem jovem, que ela alega conhecer "de vista". "Eu perguntei para ele o que ele queria", revela.
O acusado pediu a ela que o acompanhasse e ela, com medo, obedeceu. Ele passou a agredi-la com socos e mordidas, sobretudo no rosto. Em seguida, ele arrastou a mulher pelos cabelos até um pasto nas proximidades, onde as agressões continuaram. A todo momento, o homem dizia à idosa que iria matá-la e ela implorava para que ele a deixasse ir embora. "Ele não pediu nada. Ele só falou que ia me matar", declara.
Segundo ela, ele ainda tentou asfixiá-la por diversas vezes e teria abaixado sua calça na tentativa de estuprá-la. Adalgiza só conseguiu interromper a sessão de tortura quando fingiu estar morta. Pensando ter alcançado seu objetivo, o acusado foi embora e a mulher conseguiu chegar até a sua casa e pedir ajuda a uma neta, que acionou a Polícia Militar (PM). Bastante machucada, ela foi encaminhada ao Pronto-Socorro (PS) da Santa Casa da cidade, onde foi medicada.
O delegado de Pederneiras, Eduardo Herrera dos Santos, informa que as investigações já tiveram início. "Nós já temos um suspeito identificado, já qualificado, mas, até o momento, ele não foi localizado", diz. "Eu fiz a representação pela prisão temporária dele por trinta dias e estou só aguardando a manifestação do juiz". O suspeito, segundo ele, é um homem de 29 anos que frequenta o mesmo baile em que a vítima estava. No final da tarde, a Justiça emitiu o mandado de prisão.
Segundo o delegado, os motivos que levaram o jovem a praticar o crime também são desconhecidos até o momento. O que a polícia conseguiu apurar a princípio, com base no relato da vítima, é que ele estaria bastante alterado, supostamente sob o efeito de álcool ou drogas. A hipótese de roubo já foi descartada, já que o agressor não levou nenhum bem da idosa. Uma jaqueta que estava sendo usada por ele no momento do crime foi apreendida.
"Eu tinha certeza que ia morrer"
Durante todo o tempo em que permaneceu nas mãos do agressor, a idosa diz que foi ameaçada de morte. "Eu pedia a ele para me soltar para eu ir embora tomar um copo de leite ou um copo de água porque de tanto ele pegar no meu pescoço, eu já estava com a garganta seca", relata. Em determinado momento, já cansada das agressões, Adalgiza afirma que chegou a pedir para que ele a matasse logo e acabasse com seu sofrimento.
A vítima revela que conhece o acusado há alguns anos e que, por isso, ele dizia a todo tempo que não a deixaria viva para que ela o denunciasse à polícia. Segundo ela, uma viatura da PM chegou a passar próximo ao local onde eles estavam. "Ele falou que se eu gritasse chamando a polícia, o final de nós dois seria ali. Aí eu fiquei quieta", conta. "Eu tinha certeza que ia morrer".
Quando o agressor foi embora, após pensar que ela havia morrido, a mulher diz que sentiu-se aliviada. "Eu só consegui me salvar por isso (simular a morte). Senão, ele tinha me matado", acredita. "Eu achava que já tinha morrido porque eu não estava sentindo mais nada. O que eu espero agora é ver esse cara na cadeia. Eu quero olhar para ele e dizer que ele não vai mais fazer isso com ninguém".
Casos recentes
No dia 20 de maio, por volta das 21h, Daiane Carolina Euzébio Gomes, 22 anos, e uma adolescente de apenas 15 anos invadiram a residência de Angelina Soares Saleme, 89 anos, localizada na rua Francisco da Cruz Melão, no Centro de São Manuel (69 quilômetros de Bauru), em busca de dinheiro para comprar drogas.
Quando a idosa disse que não tinha nada, as duas passaram a agredi-la com socos, mordidas e chutes. Após desmaiarem a vítima, em uma sessão de tortura que durou várias horas, elas fugiram levando pratos, copos e detergentes da casa.
A idosa só foi socorrida na manhã de sábado, quando uma testemunha ouviu gemidos vindos da direção da residência da idosa. As agressoras foram detidas pela Polícia Civil na manhã do dia 23 e confessarem a autoria do crime. Elas deverão responder por roubo qualificado e tortura.
No final da tarde da última sexta-feira, dia 27, Paulo de Oliveira Junior, 48 anos, foi preso em flagrante no Jardim Irmãos Franceschi, em Itapuí (44 quilômetros de Bauru), acusado de manter a mãe T.R.O., 78 anos, presa dentro de sua própria casa durante dez dias.
A vítima contou à polícia que o filho não deixava ela se alimentar e tomar banho regularmente e que a obrigava a cozinhar para ele. Além de constantes ameaças de morte, ele também teria tentado estrangulá-la. Aproveitando um momento de distração do acusado, a idosa conseguiu sair e ir até a residência de uma vizinha, que acionou a Polícia Militar (PM).
O homem, que ofendeu e ameaçou os policiais com uma faca, foi autuado em flagrante por cárcere privado, resistência e desacato e levado à Cadeia Pública de Barra Bonita. De acordo com o delegado de Itapuí, Tiago José dos Santos Hungaro, Oliveira Junior ficou preso durante um ano e quatro meses pelo mesmo crime ? manter a mãe em cárcere privado.