Brasília - A Controladoria-Geral da União (CGU) informou em nota ontem que não tem poderes legais para investigar a evolução patrimonial do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci.
Segundo a CGU, "não está entre as suas atribuições legais a instauração de investigação patrimonial por fatos envolvendo membros ou servidores de outros Poderes ou anteriores à nomeação no Poder Executivo Federal".
Palocci está prestando esclarecimentos formais à Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre seu aumento patrimonial e a atuação da consultoria Projeto, empresa que ele comanda desde quando se desligou do governo Lula em 2006.
Entre 2006 e 2010, segundo o jornal "Folha de S.Paulo", o ministro teria aumentado seu patrimônio em 20 vezes. Aos senadores petistas, Palocci disse que foi muito bem remunerado por palestras e consultorias e que não divulgaria a lista de clientes da empresa por força de uma cláusula de confidencialidade dos contratos.
A oposição exige que o ministro dê explicações públicas e tenta coletar assinaturas no Congresso para abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista para investigá-lo.
Palocci também é alvo de vários requerimentos de convocação no Congresso e a oposição tenta levá-lo a várias comissões nas duas Casas para que ele se explique. Até agora, a base aliada tem derrubado os pedidos dos oposicionistas.
Em visita de pouco mais de cinco horas a Montevidéu ontem, a presidente Dilma Rousseff evitou contato com a imprensa. Os ministros que integravam a comitiva presidencial se irritaram com perguntas sobre o ministro Antonio Palocci.
Após reunião bilateral com o colega José Pepe Mujica, Dilma se limitou a uma declaração formal sobre a visita ao Uruguai. Ela disse que não teria tempo para falar com jornalistas. A presidente embarcou para Brasília no final da tarde.
O ministro Paulo Bernardo (Comunicações) se irritou ao ser questionado sobre Palocci. "Já que a agenda de vocês é essa, eu não falo. Com licença que vou almoçar", disse, ríspido. O ministro, ao tentar sair dos jornalistas, tropeçou em um cabo e quase caiu. "Volto a repetir o que já disse. Para a Polícia Federal, não há crime, por isso ele não será investigado. Há muita fumaça para pouca fagulha", disse o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.
Segundo ele, Palocci não pode divulgar a origem do dinheiro que recebeu em 2010. "Ele pode ser processado pelas empresas se fizer isso. Os contratos de consultoria têm caráter confidencial", afirmou.
Dilma no Uruguai
A presidente Dilma Rousseff assinou ontem um acordo com o presidente do Uruguai, José Mujica, para a construção de uma linha de interconexão elétrica de 500 quilômetros, além de uma ponte, uma hidrovia e uma ferrovia.
Dilma e Mujica selaram uma "sólida aliança" que está criando uma convergência entre "duas democracias estáveis que respeitam acordos e os direitos humanos", disse a presidente em discurso. Brasil e Uruguai vão construir uma hidrovia de 1.200 quilômetros, principalmente para o transporte de mercadorias agrícolas no sul brasileiro e no norte uruguaio, segundo Dilma.