São Paulo - A polícia afirmou ontem que um policial militar coordenava uma quadrilha suspeita de envolvimento com os recentes ataques a caixas eletrônicos na Grande São Paulo.
Neste mês ocorreram mais de 20 roubos e furtos. A onda de arrombamentos, que são feitos com o uso de maçaricos ou explosivos, tem levado comerciantes a desativar os terminais.
De acordo com o diretor do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic), Nelson Guimarães, mais de 100 pessoas são suspeitas de integrar quatro grupos organizados que executaram os ataques e também outros tipos de assaltos.
Entre os investigados estão policiais militares, que atuam no esquema acobertando a ação dos criminosos. Ontem foram presos quatro PMs, um ex-PM e outros dois homens suspeitos de integrar uma das quadrilhas.
"É uma imensa rede. As quadrilhas não são isoladas, elas interagem. Há muita gente a ser investigada e presa ainda. Hoje (ontem) foi só a ponta do iceberg", disse o delegado. Ele afirma que desde o início das investigações, há dois meses, 26 pessoas já foram presas - sete delas policiais.
Entre os presos de ontem, segundo Guimarães, estão dois chefes do grupo: o soldado João Paulo Vitorino de Oliveira e André Luiz Gejuiba Leite, o Andrezinho. O soldado foi descrito como uma espécie de coordenador das ações da quadrilha.
Ele estaria envolvido, além dos ataques a caixas eletrônicos, em diversos outros casos recentes. Entre eles estão a morte de um PM na avenida do Cursino (zona sul); o assalto ao apartamento de uma aposentada no Bom Retiro (centro); e o tiroteio na região do parque Ibirapuera (zona sul) que resultou na morte de três pessoas - entre elas um vendedor de milho.
Já Andrezinho é apontado como o homem que planejava os crimes e "contratava" os outros suspeitos para a ação. Ele foi preso em um prédio de luxo próximo da rodovia Raposo Tavares.
Burocracia
Segundo Guimarães, a investigação da polícia havia colhido material suficiente para que fossem concedidos ao menos 70 mandados de prisão e 70 de busca e apreensão, mas culpou "a burocracia" por ter conseguido apenas seis de prisão e 12 de busca.
Ele evitou criticar a Justiça pela dificuldade na obtenção dos mandados, mas afirmou que foi preciso a intervenção do secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, para que os ordens judiciais fossem expedidas.
Durante as investigações, ainda segundo o delegado, foram gravadas conversas entre os criminosos com autorização da Justiça. Há relatos da detonação de explosivos, indicações de que guarnições da PM haviam liberado áreas para assaltos e até brigas entre os próprios criminosos, segundo o diretor.
O subcorregedor da Polícia Militar, coronel Edson Silvestre, afirmou que os policiais presos têm entre 9 e 24 anos de serviços à corporação. Eles estão sendo ouvidos no Deic e serão encaminhados ao presídio Romão Gomes.
Eles responderão a processo que pode levar à expulsão da corporação. "É inconcebível a presença de PMs na prática de qualquer delito. Não pode um PM praticar os atos que justamente deveriam coibir", disse Guimarães.
A reportagem não teve acesso à defesa dos presos.
Crime também avança no Interior do Estado
Patrocínio Paulista - Duas agências bancárias foram explodidas por ladrões na madrugada de ontem em Patrocínio Paulista (309 km de Bauru). Houve confronto com a polícia e ao menos três suspeitos foram mortos. O Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) foi chamado à cidade para desarmar explosivos não detonados que ficaram nos bancos.
De acordo com a Polícia Militar de Patrocínio, as explosões de caixas eletrônicos foram registradas por volta das 2h em agências do Banco do Brasil e do Bradesco. As agências ficaram parcialmente destruídas, mas não há a confirmação se os ladrões conseguiram levar o dinheiro.
Segundo a PM, antes de atacar os bancos, os suspeitos ligaram para a polícia e informaram que havia ocorrido um acidente em uma estrada próxima à cidade. O "trote" foi uma tentativa de despistar os policiais.
Após as explosões nos bancos, os alarmes das agências dispararam e os suspeitos fugiram em direção a Franca (a 309 km de Bauru). Houve confronto com a polícia e três deles foram mortos - os nomes não foram informados. Outro suspeito foi ferido e mais dois foram presos. A polícia estima que ao menos seis conseguiram fugir.
Parte dos explosivos usados nas duas agências bancárias não detonou.