09 de julho de 2026
Internacional

Surto de bactéria mortal faz 1ª vítima fora da Alemanha

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Berlim - Um surto infeccioso de uma variedade da bactéria Escherichia coli (E.coli) que já matou 15 pessoas na Alemanha começou a se espalhar pelo resto da Europa, detonando uma briga entre os países do bloco sobre de quem é a culpa e que produto é a fonte do problema.

Ontem, foi registrada a primeira morte fora da Alemanha, levando o total a 16. A vítima é uma mulher de 50 anos que havia estado no país e morreu dois dias após ser internada na Suécia.

Na Alemanha, são 1.400 casos de contaminação pela Eceh (Escherichia coli entero-hemorrágica), 570 dos quais em Hamburgo.

Pessoas infectadas foram identificadas também no Reino Unido, na França, na Dinamarca, na Suécia, na Áustria, na Espanha, na Suíça e na Holanda. Todas haviam estado em território alemão. A fonte da contaminação, primeiro detectada em Hamburgo, norte da Alemanha, não foi ainda determinada.

O problema é que a Alemanha levantou desde o princípio suspeitas sobre pepinos exportados da Espanha. Sem perder o humor (negro), os alemães apelidaram logo o surto de "o ataque dos pepinos assassinos".

Porém, das quatro amostras coletadas, duas já foram descartadas como fonte do surto após análises de laboratório, informou Cornelia Prüfer-Storks, da secretaria de Saúde de Hamburgo.

Nessas duas amostras, as cepas encontradas são distintas da que causou o surto.

Várias doentes relataram ainda não ter ingerido pepino antes da manifestação dos sintomas, o que levou os pesquisadores a expandir o campo de investigação para outros produtos, como o tomate e a alface.

Um caso foi o da espanhola Elena Espeso, que foi correr uma maratona em Hamburgo e acabou no hospital. "Já correndo comecei a passar mal. E aos 32 km, começou a diarreia. Nunca tinha me acontecido nada assim", contou ao jornal "El Pais". E assegurou: "Eu aqui não comi pepino".

Indenização


A Espanha quer, agora, que a Alemanha seja responsabilizada e lhe pague indenizações por ter "espalhado" que a fonte eram os pepinos espanhóis sem ter provas para tal, provocando danos "irreversíveis" ao país.

Em reunião especial anteontem com colegas europeus, a ministra do Ambiente da Espanha, Rosa Aguilar, qualificou as acusações alemãs de "precipitadas".

Segundo a Federação Espanhola de Produtores-Exportadores de Verduras e Frutas (Fepex), praticamente toda a Europa deixou de comprar produtos espanhóis de horticultura desde que a suspeita foi levantada. "Há um efeito dominó em todas as verduras e frutas", disse o presidente da Fepex, Jorge Brotons, que calcula as perdas em 200 milhões semanais.

A Áustria retirou das lojas os pepinos espanhóis, e a Bélgica proibiu importação. A Rússia penalizou também a Alemanha, deixando de comprar tomates, pepinos e alfaces alemães.

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Brasil descarta medidas contra importação da Espanha


Brasília - O governo brasileiro informou que, por enquanto, não tomará nenhuma medida para controlar a importação de pepino vindo da Espanha.

A Europa investiga a suspeita de que pepinos espanhóis sejam responsáveis pela disseminação do surto infeccioso de uma variedade da bactéria Escherichia coli (E.coli), que já deixou pelo menos 15 mortos na Alemanha e um na Suécia.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o problema está sendo acompanhando por meio da rede Infosan da Organização Mundial da Saúde (OMS) e, até o momento, o órgão não indica a necessidade de adoção de medidas especiais contra o produto.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o Brasil só compra da Espanha pepinos em conserva -não crus, como os suspeitos de provocar as mortes.

Entre janeiro e abril deste ano, foram comprados mais de 8 mil quilos do produto (a Espanha respondeu por metade das vendas de pepino da União Europeia ao Brasil). No ano passado, foram comprados mais de 12 mil quilos.

Para Pedro Germano, sanitarista da Universidade de São Paulo (USP), o Brasil não deve se preocupar com um possível surto da doença. Segundo ele, o pepino na modalidade que chega ao País passa por um rigoroso processo tecnológico para baixar sua acidez e evitar problemas como o botulismo.

O procedimento de conservação industrial também envolve o tratamento dos alimentos a uma temperatura elevada. O objetivo, diz Germano, é eliminar micro-organismos ou desnaturar as enzimas contidas no produto.

O sanitarista da USP também descartou a possibilidade de que alguém que tenha sido infectado pela bactéria na Europa possa trazer a doença para o Brasil. "Transmissão de pessoa para pessoa é praticamente impossível. É muito difícil que ela possa acontecer no Brasil, pois o período de incubação dura entre um e dois dias", explicou Germano.