08 de julho de 2026
Geral

Famesp faz estudo da Maternidade

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 5 min

Os casos "Maternidade Santa Isabel" e "Associação Hospitalar de Bauru" podem estar com os dias quase contados. Na tarde de ontem, Pasqual Barreti, presidente da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), organização social ligada diretamente à Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp), anunciou que somente após um estudo, realizado em 60 dias por uma comissão especial, a fundação poderá "bater o martelo": Famesp assume ou não a maternidade.

Atualmente, a entidade atende pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e é administrada pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB), a mesma que administra o Hospital de Base (HB). A instituição possui uma dívida que ultrapassa R$ 150 milhões, o que implica na necessidade de receber verba adicional vinda, constantemente, da Secretaria Estadual de Saúde.

Recentemente, o deputado estadual Pedro Tobias anunciou, além da chegada da verba adicional destinada para a AHB continuar mantendo o Hospital de Base, a possibilidade da Famesp assumir em breve a Maternidade Santa Isabel e também o Hospital de Base. "O Estado quer que a fundação assuma e a fundação também quer. Mas para isso nós precisamos que esse estudo, feito em 60 dias, seja bem feito", destacou Barreti.

Na tarde de anteontem, o presidente da Famesp esteve reunido com o secretário estadual de Saúde, Giovanni Guido Cerri, o deputado Pedro Tobias e Rubens Cury, que é secretário adjunto da Casa Civil, para traçar as estratégias do projeto, tanto dentro da Maternidade Santa Isabel quanto no interior do Hospital de Base.

Barreti afirmou que o Estado garantiu que a instituição que assumir a maternidade e o hospital não serão responsáveis pela dívida, irão "começar do zero". Este é um primeiro passo que alivia a Famesp, mas que ainda intriga médicos da maternidade. Ultimamente, a equipe estava defasada. Os médicos estão trabalhando na incerteza de como e quando será essa troca de administração.

Respaldo


Para tranquilizar os médicos e já começar a entender como anda o trabalho da maternidade, na tarde de hoje, representantes da Famesp se reunirão com os médicos que ali trabalham. Essa decisão de ouvir os médicos também faz parte do raio X da instituição de saúde que subsidiará a continuidade do estudo.

"A gente não pode assumir uma coisa que a gente não sabe nem o tamanho. Nós precisamos desenhar um projeto no prazo de 60 dias dos dois hospitais. Temos que saber tudo. Quanto custa, como estão trabalhando os médicos e os funcionários. Por enquanto nada vai mudar. Nada vai mudar até que a fundação assuma", esclarece o presidente da Famesp.

A instituição está se preocupando com a atitude dos atuantes da maternidade. Por isso Barreti garante: "Nós não faremos mudança nenhuma sem comunicar os funcionários. Amanhã (hoje), eu e outros representantes estaremos na regional da saúde (DRS-6) para conversar com esses médicos em uma reunião", afirmou.

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Santa Isabel e HB não correm risco de ficar sem verba como o Hospital Manoel de Abreu


A Famesp atualmente administra os hospitais Estadual (HE) e Manoel de Abreu em Bauru. As administrações recebem um "pacotão" da Secretaria Estadual da Saúde para gerir as instituições durante um período, geralmente anual, de maneira individual. No entanto, o Jornal da Cidade apurou que o Hospital Manoel de Abreu não estava conseguindo manter-se com a verba destinada pelo Estado e por isso estaria recebendo parte do montante do Hospital Estadual.

A situação preocupou ainda mais os profissionais da Maternidade Santa Isabel. No entanto, Pasqual Barreti, presidente da Famesp, tranquilizou: "Isso não acontecerá com a maternidade e com o hospital se tivermos feito um estudo a fundo e bem planejado".

Barreti afirma que o que aconteceu na mudança de governo e que geralmente quando isso acontece, algumas questões orçamentárias ainda ficam pendentes. O perfil do hospital também mudou e atualmente ele trabalha com mais abrangência, o que demanda ainda mais dinheiro por conta dos tratamentos.

"O tratamento ficou um pouco mais caro. O Estadual (HE) também superou metas e atualmente faz quimioterapia, diálise, tem a unidade de queimados. Há um descompasso, mas o perfil do hospital mudou de acordo com a necessidade da cidade. Mas isso já está conversado. Isso não vai acontecer porque queremos fazer um trabalho certo e sério para não termos surpresas. A finalidade e o perfil do hospital têm que ser definidos", finalizou.

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Grupo administrativo


O estudo da Famesp sobre a Maternidade Santa Isabel será regido por um grupo administrativo. este grupo deverá conter um representante da Fundação e outros da Saúde. Os nomeados terão a função de esmiuçar o trabalho da maternidade e do Hospital de Base para conseguir concretizar toda a análise no período de 60 dias. "Eles terão que fazer um esforço máximo para que a gente chegue a uma conclusão: vamos ou não ter recursos suficientes para o projeto", explicou o presidente da Famesp, Pasqual Barreti.

A partir da conclusão desse projeto, a próxima etapa fica para a Secretaria Estadual da Saúde. A situação, já prevista neste, analisará o estudo e a verba necessária definida para a entidade assumir as duas instituições.

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Portas abertas


A Famesp atualmente está passando por algumas modificações a fim de qualificar-se como organização social e não precisar mais estar ligada à Unesp, o que implica em inúmeras burocracias de contratos com instituições de saúde. Tornar-se uma organização social ?independente? é como se a entidade encontrasse sempre as ?portas abertas? com o Estado, o que facilitaria muito no momento de assumir a Maternidade Santa Isabel e o Hospital de Base.

"Se nós conseguirmos essa qualificação estaremos autorizados a firmar contratos diretamente com a Saúde, sem precisar passar por diversos representantes da Unesp, o que torna o processo mais demorado. Isso ajudaria muito nesses casos e, se de fato nós assumirmos as instituições, já que estamos trabalhando muito para isso, ficará mais fácil e rápido", frisou Pasqual Barreti.

Atualmente, a Unesp assume a instituição e a fundação administra, como acontece nos hospitais Estadual e Manoel de Abreu. Com a aprovação da qualificação, que deve sair até o fim deste mês, segundo o presidente da fundação, apenas a Famesp administrará e assumirá.