08 de julho de 2026
Pesca & Lazer

Mais peixes nas lagoas, rios e mar


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Universidades públicas e privadas do Rio de Janeiro vão participar de trabalho conjunto de pesquisa para promover o incremento da produção no ambiente aquático brasileiro, que inclui as lagoas, os rios e o mar. O trabalho será coordenado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), primeiramente no estado do Rio e, posteriormente, em todo o País. As informações são da Agência Brasil.

"A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro Rural vai coordenar as ações para estimular o incremento do setor da pesca e aquicultura, do ponto de vista de trabalhos científicos e do desenvolvimento de projetos de produção", informou à Agência Brasil o reitor da UFRRJ, Ricardo Motta Miranda.

A expectativa é, a partir dos estudos, aumentar a produção atual em dez vezes. Miranda destacou que a pesquisa levará em conta os princípios de sustentabilidade social e ambiental, mas vendo o pescado "como um grande negócio que tem ainda muito a crescer no Brasil".

As metas para atingir esse objetivo serão definidas no Fórum Revolução Azul, que a UFRRJ promove amanhã (25), em parceria com o Ministério da Pesca e Aquicultura e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Segundo o reitor da UFRRJ, o fórum servirá para a "formalização do reconhecimento da atividade de produção de pescado e demais produtos que usam a água como substrato dentro do mundo rural". As conclusões em direção ao desenvolvimento sustentável do uso das águas brasileiras farão parte da Carta da Revolução Azul, que será lançada durante o evento.

"É um documento que coloca o direcionamento do setor rural para a Rio+20 (Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, em 2012) no que diz respeito à conscientização socioambiental, relacionada à parte das águas". A intenção, de acordo com Miranda, é que a Carta da Revolução Azul funcione como ponto de partida para a organização de todas as entidades e pessoas que atuam na área do planejamento e desenvolvimento sustentável.

Miranda ressaltou que essa é a primeira vez que ocorre no país uma tentativa de planejamento semelhante, unindo o meio acadêmico, o empresariado, um banco de desenvolvimento e entidades representativas de trabalhadores rurais que atuam ligados à produção nas águas continentais e marinhas. "Está faltando a identificação de todos os elos da cadeia produtiva e dos gargalos para definir até que ponto pode ir o planejamento de expansão".

A conferência das Nações Unidas ocorrerá no Rio de Janeiro, exatamente 20 anos depois da conferência que ficou conhecida como Rio 92. O objetivo é fazer um balanço das ações empreendidas no mundo desde então. A Rio 92 é considerada um marco na história do desenvolvimento socioambiental.


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Produção de alimentos


A ministra da Pesca e Aquicultura, Ideli Salvatti, já assinou o protocolo de intenções com a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). De acordo com a ministra, o desenvolvimento do setor é fundamental para ampliar a capacidade do Brasil na produção de alimentos para os mercados interno e externo. Ela lembrou que o país conta com 8,5 mil quilômetros de costa, além de 4 milhões de quilômetros quadrados de zona econômica exclusiva em mar territorial e 13% da água doce do Planeta.

"A demanda por alimentos está crescendo em todo o mundo e a agricultura tem potencial limitado para expandir a produção de alimentos. Então, a água pode passar a ser uma grande fornecedora de alimentos, principalmente se a gente trabalhar a sustentabilidade com a piscicultura. O potencial que o Brasil tem é estratégico", afirmou Ideli.

De acordo com a ministra, a produção de pescado no Brasil ainda é baixa, cerca de 1,5 milhão de toneladas por ano, considerando a pesca e o cultivo. Segundo ela, esse volume faz com que o país ocupe a 21ª posição entre os produtores, conforme ranking da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

Ela ressaltou ainda que, com a promoção da sustentabilidade e incentivos ao setor, é possível que o Brasil alcance nos próximos anos o patamar de produção de 20 milhões de toneladas por ano, apontado como necessário pela FAO. Isso permitiria exportar o produto para atender à demanda mundial por alimentos, além de aumentar o consumo médio do brasileiro, que hoje é cerca de 3 quilos de pescado por pessoa ao ano, abaixo dos 14 quilos por ano por habitante, como recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS).