São 31 álbuns lançados, 400 músicas gravadas, seis mil shows e 35 milhões de discos vendidos. Diante de uma carreira contada por esses números, muitos artistas poderiam dar sua missão por concluída ou, ao menos, colocar o "pé no freio". Eles não. Na estrada com três diferentes shows, Chitãozinho & Xororó retornam a Bauru para apresentar aquele em que celebram 40 anos de carreira.
A turnê trazida à cidade (o show será hoje, a partir das 23h, no Espaço Bauru) dá continuidade às comemorações iniciadas pela dupla em julho do ano passado e que já renderam dois DVDs ( "Chitãozinho & Xororó 40 Anos Nova Geração" e "Chitãozinho & Xororó 40 Anos Entre Amigos") e um documentário sobre a história dos irmãos. Até o final deste ano, devem completar a lista mais um álbum comemorativo, além de um livro.
"Hoje, temos uma vida mais controlada, viajamos mais de final de semana, a correria é um pouco menor. Mas esse é um momento especial. Felizmente, estamos conseguindo colocar em prática tudo que sonhamos para nossa carreira nesses anos todos. O público está adorando e nós estamos muito felizes", comenta Chitãozinho, em entrevista ao JC Cultura por telefone, de sua casa em Campinas.
Estar no palco diante de uma plateia formada por diferentes gerações é, para ele, a melhor forma de comemorar os tantos anos dedicados à música sertaneja. "Essa é a razão de gostarmos do que fazemos. Cada show é uma energia diferente e é isso que faz a gente cantar há tanto tempo. Nem todo mundo consegue manter e receber um carinho assim por tantos anos", comenta. gênero é um dos principais orgulhos da dupla. "Nos sentimos privilegiados porque sempre gostamos muito da música sertaneja, nunca quisemos que as pessoas entendessem que estávamos cantando outra coisa; tentamos sim modernizar, fazer a música evoluir, mas dentro do mesmo segmento e conseguimos. Essa é a nossa origem, é o que gostamos de cantar e o nosso jeito nunca mudou", afirma Chitãozinho.
Os irmãos orgulham-se ainda de ter vivido e contribuído com a popularização do segmento. "Essa é a nossa grande vitória. Me lembro muito bem de quando era adolescente, já morando em São Paulo, ao falar em música caipira todo mundo dava risada, era sinônimo de gozação. Hoje, ela é respeitada, cantada, consumida. Tem-se uma infinidade de artistas fazendo música sertaneja. Saber que quando começamos não era assim, não há dinheiro que pague o prazer que temos em ter construído isso", finaliza.
? Serviço
Chitãozinho & Xororó - Turnê 40 Anos, no Espaço Bauru, hoje. Abertura dos portões: 22h. Show: 24h. Ingressos (14) 3879-1494 e 3879-1492
Viagem cronológica
No repertório do show desta noite estão garantidos os grandes sucessos que marcaram a trajetória da dupla ano a ano, criando uma viagem cronológica ao longo das quatro décadas. A apresentação tem início com "Galopeira", passando por "No Rancho Fundo", "Evidências" e muitas outras, até chegar à versão atual de "Planeta Azul", lançada no final do ano passado no CD "Se For Pra Ser Feliz". O cenário repleto de fotos antigas também ajuda a retratar cada momento da história de Chitãozinho & Xororó na música sertaneja.
"Os arranjos são exatamente os gravados na época, muito fiel mesmo. E para quem nos assistiu em Bauru no final de 2010 terá um show completamente diferente. Não apenas no repertório, mas a banda é bem maior, com cordas e metais", convida Chitãozinho.
No palco, a dupla deve contar com os músicos Claudio Paladini (teclados e vocal), Adilson Pascoalini (guitarra, violões, viola e dobro), Daniel Quirino (vocal, violão e percussão), Antonio Vendramini (sax, flauta e rabeca), Marcelo Modesto (guitarra, banjo, cello, mandolin e violão), Fábio Almeida (baixo), Renato Britto (bateria) e Franki Joni (acordeon e teclado).