08 de julho de 2026
Polícia

Acusado de estupro e latrocínio é preso

Por Bruna Dias | Colaborou Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 7 min

Thiago Ramos Vilela, 23 anos, foi preso por policiais militares na tarde de ontem, reconhecido pelo familiar de uma das jovens estupradas na zona sul de Bauru em abril deste ano e, posteriormente, confessou aos PMs a participação no crime como autor do roubo aos quatro jovens. O acusado, conhecido como "Thiago Badu", ainda confessou friamente que assassinou o comerciante Gildásio da Cunha Silva, 42 anos, no início do mês passado. Este crime continua sendo investigado como provável latrocínio - roubo seguido de morte.

Quando esses dois crimes aconteceram, a Polícia Civil começou as investigações para chegar aos autores e interrogou as vítimas. Ontem, inclusive, já havia mandado de prisão expedido contra Vilela, segundo informa o delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) Carlos Alberto Gomes da Rocha Silva.

Mas a Polícia Militar, com as características do acusado fornecidas pelas vítimas para a elaboração do boletim de ocorrência (BO) na época do crime de estupro, também se mantinha atenta aos detalhes do caso.

A maneira com que os dois crimes foram praticados mostrava que os acusados eram de alta periculosidade, por isso a preocupação das autoridades. O assassinato do comerciante aconteceu exatamente um mês após o estupro das duas jovens. O estupro foi cometido no dia 9 de abril e o latrocínio, em 9 de maio.

Prisão ?ao acaso?


A abordagem que culminou com a prisão de Thiago Vilela ontem começou quando um policial militar, que não estava em horário de trabalho, passava com seu automóvel pelo Conjunto Habitacional Leão XIII por volta das 11h.

"Como nós já tínhamos as características do Thiago por conta dos depoimentos das vítimas, o policial o reconheceu conduzindo um Fiat Brava de cor cinza por uma das ruas do bairro. Imediatamente ele acionou o 190", relatou o capitão Jeferson Campos de Santana, atual comandante da 3ª Companhia da Polícia Militar.

Neste momento, o Comando de Operações da Polícia Militar (Copom), que recebeu o comunicado, posicionou as viaturas da Base Oeste para a busca a Thiago. Na rua Professora Lacy Jabur Damião, ainda no Conjunto Habitacional Leão XIII, os policiais militares o avistaram conduzindo o veículo e emitiram o sinal de parada. Ele tentou entrar em uma oficina, que alegou ser de um familiar, mas foi detido.

Como justificativa para a prisão do rapaz, os policiais explicaram as acusações. Friamente, sem exitar, ele confessou que ajudou a praticar o roubo a quatro jovens - dois garotos de 18 e 19 anos e duas garotas de 17 e 18 anos - que saíam de uma lanchonete localizada na avenida Getúlio Vargas no dia 9 de abril.

Confessou ainda, sem ser interpelado pelos policiais, que assassinou o comerciante Gildásio da Cunha Silva depois que ele havia lhe faltado com o respeito e o chamado de estuprador e assassino no bar que administrava na Vila Pacífico, em Bauru.

Na tarde de ontem, Thiago Ramos Vilela foi preso sob acusação de estupro e roubo, além de já ter cumprido pena também por roubo no Centro de Ressocialização (CR) de Jaú. Ontem, após prestar depoimento, ele foi encaminhado à cadeia pública de Duartina.


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Tempo de prisão


Ao final das investigações e do processo criminal instaurado pela Polícia Civil, se Thiago Ramos Vilela for julgado culpado por dois roubos e um estupro em penalidade máxima, poderá ficar preso por 30 anos. A pena para o crime de roubo é de quatro a dez anos de reclusão e para o crime de estupro é de seis a dez anos de reclusão.

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Vítimas passaram por momentos de terror


"Não tem como duvidar. É ele", disse o familiar de uma das vítimas do roubo seguido de estupro que aconteceu por volta da meia-noite do dia 9 de abril deste ano, após um grupo de jovens (dois meninos e duas meninas) sair de uma lanchonete na avenida Getúlio Vargas.

A afirmação do parente da vítima foi feita ao ver o acusado Thiago Ramos Vilela entrar no Plantão da Polícia Civil na tarde de ontem. Indignado, ele disse que os momentos que essas quatro vítimas viveram nas mãos dos três assaltantes - dois deles armados - nunca mais serão esquecidos.

"Eles estavam em três rapazes e abordaram os dois garotos e as duas garotas no momento em que saíam da lanchonete. Dois deles entraram no carro de uma das vítimas com todas elas e os levaram até um matagal. Ali, o segundo rapaz deixou Thiago sozinho com os meninos e as meninas e foi buscar o outro assaltante, que se desvencilhou do grupo, não se sabe porquê", relatou o familiar, muito nervoso ao se deparar com o acusado.

Segundo essa pessoa (cuja identidade está sendo preservado para evitar constrangimentos), Thiago teria colocado os quatro jovens deitados no chão e "brincado" de "roleta russa" com eles. Com poucas balas no revólver, ele jogava com a sorte e tentava atirar nas vítimas.

"Depois ele deixou os garotos deitados e pediu para que uma das meninas o acompanhasse até um matagal. Ali ele a estuprou e disse que se alguém se movesse ou saísse do local ele a mataria. Logo em seguida ele levou a outra garota ao matagal e também a estuprou", contou o familiar, inconformado com "tamanha brutalidade".

Em seguida os dois homens fugiram, abandonando as vítimas e o veículo no local, próximo a um posto de combustível. Os jovens foram até a casa de um deles, onde acionaram a polícia. Os assaltantes levaram todos os pertences das vítimas.

Ontem, Thiago negou o estupro e disse à Polícia Militar que somente praticou o roubo.

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Um mês depois do estupro,
acusado mata comerciante


Exatamente um mês após o estupro e roubo do grupo de jovens que viveu momentos de terror nas mãos de Thiago Ramos Vilela, o comerciante Gildásio da Cunha Silva também se tornou sua vítima. Ontem, o acusado confessou o assassinato de Gildásio, ocorrido no dia 9 de maio.

A esposa da vítima, Zilda Maria da Silva, 69 anos, também foi roubada na ocasião. "Eu fechei o bar por volta das 23h45 e o Gil resolveu dar uma caminhada. Ele sempre fazia isso. Então eu fui dormir e, à 1h da madrugada aproximadamente, acordei com dois homens dentro do meu quarto e um deles apontando uma arma para mim", relatou Zilda.

Os homens cobriram seu rosto com um cobertor e a amarraram. Levaram um bracelete, sua aliança, dois cordões de ouro, cerca de R$ 500,00 e mais todo o dinheiro do bar que ela administrava junto com o marido, na Vila Pacífico. Em seguida eles entregaram a chave de Gildásio à Zilda. Ela se desesperou e imediatamente acionou a Polícia Militar.

No outro dia pela manhã, policiais militares de Piratininga foram acionados por um pedestre que se deparou com o corpo de Gildásio. Nas proximidades, foi encontrado também um colchão com várias marcas de sangue. Ele estava enrolado em um cobertor e, provavelmente, foi morto por um golpe de faca que atingiu seu pescoço.

De acordo com o relato de policiais que capturaram Thiago ontem, ele confessou que acabou matando o comerciante porque ele havia lhe ofendido e o chamado de estuprador. O Jornal da Cidade apurou que ele era frequentador do bar de Zilda, mas ela não conseguiu confirmar a suposição.

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Mandado de prisão já havia sido expedido


Apesar de todo o desdobramento dos policiais militares para que as vítimas dos crimes atribuídos a Thiago Ramos Vilela fossem reconhecê-lo, o delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Carlos Alberto Gomes da Rocha Silva, explicou que as vítimas já tinham sido ouvidas, reconheceram o acusado e que o mandado de prisão por estupro e roubo já estava expedido.

"Foi pela nossa investigação que pedimos a prisão dele por roubo e estupro, só faltava finalizar. Os outros dois participantes do roubo e do estupro estão sendo investigados. Ele não confessou o estupro e fala que no momento em que abordou as vítimas, elas estavam mantendo ato sexual em uma ?quebrada?. Mas eu acredito na versão das vítimas, até que se prove o contrário", disse o delegado.

Thiago confessou, ainda, que roubou e matou o comerciante Gildásio, no entanto, o delegado titular da DIG preferiu não comentar sobre o caso, porque as investigações não se encerraram. Como ele confessou o crime, sua prisão por latrocínio já foi solicitada.

Thiago Vilela ainda é acusado de praticar roubos a residências na Vila Falcão. "Ele já me confessou um deles. Mas eu acho que tem mais. As pessoas que forem vítimas dele devem entrar em contato com a gente", pediu o delegado.