Haia - O ex-general sérvio-bósnio Ratko Mladic compareceu ontem pela primeira vez diante do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia, em Haia (Holanda), e negou acusações de genocídio que pesam contra ele. Preso na semana passada pela polícia sérvia depois de passar quase 16 anos foragido, o ex-general responde pelo massacre de 8 mil muçulmanos na cidade de Srebrenica e pelo cerco de 43 meses a Sarajevo, na Guerra da Bósnia (1992-1995).
Conhecido como "carniceiro dos Bálcãs", Mladic apresentou-se diante do juiz usando uniforme de general e, em tom desafiador, afirmou: "O mundo todo sabe quem eu sou. Eu sou o general Ratko Mladic".
O ex-general disse que as acusações de genocídio são "alegações monstruosas" e recusou-se a declarar-se culpado ou inocente, atendendo a uma aparente estratégia de defesa que consiste em ganhar tempo. "Eu defendo meu povo e agora estou defendendo a mim mesmo. Quero viver e ser um homem livre."
Em outra aparente estratégia de defesa, Mladic alegou estar com a saúde debilitada e afirmou ser incapaz de comparecer à próxima audiência, marcada para o dia 4 de julho.
O julgamento pode levar meses. Se condenado no tribunal da ONU, Mladic, 69 anos, pode pegar prisão perpétua - não há pena de morte.