09 de julho de 2026
Geral

Clínica oferecerá vagas para usuários carentes

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

Com capacidade para atender até 30 pacientes, a clínica Razões para Viver inicia suas atividades amanhã. De acordo com seu diretor, o economista e empresário Beto Prado, a proposta da entidade é acolher dependentes químicos em um ambiente diferenciado, na propriedade de 13 mil metros quadrados às margens do Rio Tietê, em Arealva. De acordo com Prado, a intenção é atender sempre um número menor que o máximo permitido para uma melhor relação com o paciente, além de também oferecer vagas para dependentes químicos de baixa renda, que não possuem condições de arcar com os custos da internação.

Tendo como base de tratamento a terapia cognitiva e os princípios dos Narcóticos Anônimos e Alcoólatras Anônimos, a clínica conta com o psicoterapeuta Arnaldo Vicente, presidente da Associação Brasileira de Terapia Cognitiva, como coordenador clínico. De acordo com Prado, o programa de tratamento, que varia de 90 a 180 dias, contempla atendimento médico e psicológico, além de terapias em grupo e individuais, de trabalho e atividades esportivas.

Apesar de ser uma clínica particular, Prado ressalta que o estabelecimento não é um negócio que visa lucro. "Não preciso disso para sobreviver. Não quero clientes, mas sim pacientes. Não diremos não às pessoas por questões financeiras. Os casos serão analisados um a um", observa.

Ele revela que a ideia para a instalação de uma clínica para tratamento de dependentes químicos na região de Bauru partiu de seu próprio despertar. Sem constrangimentos, revela que é dependente químico em recuperação e, de 1978 a 2010, passou por três internações. Foram essas experiências que o motivaram a oferecer um modelo diferenciado de tratamento. "Na terceira vez, procurei a internação sozinho e fui feliz para resolver o meu problema. Lá, dei risadas e chorei, foram momentos maravilhosos e também de luta", pontua.

Ao se aproximar o final da internação, Prado revela que começou a se questionar sobre o que iria fazer após esse período. "Comecei a pensar o que foi bom e o que não foi no tratamento, o que poderia ser mudado", conta. Quatro meses depois de sua saída, conseguiu idealizar e colocar a clínica em atividade.

"Compreendi que palestras mais focadas, seguir uma evolução no tratamento e ter muito respeito com o paciente são ações que funcionam", observa. Outro ponto destacado por ele é a participação da família nesse período. "Acho desumano o corte brusco de relação com a família", afirma. De acordo com Prado, a clínica atuará com a videoterapia, na qual os familiares poderão se comunicar com os pacientes por uma webcam e acompanhar a sua evolução. "Quero ajudar muita gente e também continuar o meu tratamento", ressalta o diretor, que vai morar no local. Na Internet: www.clini carazoesparaviver.com.br.