Berlim - Um restaurante da cidade de Lübeck, no norte da Alemanha, pode ajudar a esclarecer a origem do surto da bactéria E.coli (Escherichia coli) que causou 18 mortes no país e uma na Suécia, já que 17 pessoas adoeceram após comer nesse local, informou ontem a imprensa alemã.
"O restaurante não tem culpa nenhuma, mas é possível que a cadeia de fornecedores possa ajudar a determinar como o germe patogênico entrou em circulação", declarou o microbiólogo Werner Solbach, da Clínica Universitária de Lübeck, ao jornal "Lübecker Nachrichten".
Após a notícia, especialistas do Instituto Robert Koch de Berlim e do Instituto Federal de Avaliação de Riscos visitaram a cidade como parte dos esforços para traçar a origem do bacilo.
Os infectados com a bactéria intestinal e os afetados com SUH (Síndrome Hemolítica-Urêmica) passaram pelo restaurante entre 12 e 14 de maio. "O que chama a atenção é que os doentes faziam parte de diferentes grupos", precisou Solbach.
Coincidência
Oito pessoas de um grupo de dinamarqueses que estavam em visita à cidade ficaram infectadas, enquanto 30 mulheres de vários lugares da Alemanha, que tinham ido à cidade na mesma data que os dinamarqueses para um seminário, também adoeceram.
"Por enquanto temos conhecimento de oito (doentes), alguns em estado grave. Uma das mulheres do grupo que era do Estado da Renânia do Norte-Vestfália morreu", indicou Dieter Ondracek, presidente sindical em Berlim.
"Até agora só tínhamos indícios vagos do alimento ingerido e da data. Agora, pela primeira vez, temos uma coincidência", disse o especialista.
Contudo, o jornal "Focus" aponta no seu site a possibilidade de que a origem possa estar relacionada com as comemorações do aniversário do porto de Hamburgo, no início de maio.
Cerca de 1,5 milhão de pessoas visitaram a festa entre 6 e 8 de maio, e uma semana mais tarde se registraram os primeiros pacientes com diarreias sangrentas na clínica universitária de Eppendorf de Hamburgo. O tempo que corresponde ao desenvolvimento típico de uma infecção de "E. coli", segundo a publicação.
O número de doentes não para de crescer e já são mais de duas mil pessoas infectadas ou sob suspeita das quais 520 estão com SUH.