Lima - Pesquisas de boca de urna divulgadas ontem à noite indicavam o esquerdista Ollanta Humala como vencedor da eleição presidencial do Peru, cinco pontos percentuais à frente da direitista Keiko Fujimori.
Quase 20 milhões de peruanos votaram ontem no segundo turno da eleição mais polarizada e mais disputada da história do Peru.
Tanto Keiko como Humala enfrentaram alta rejeição do eleitorado. Keiko era identificada com o pai, o ex-presidente Alberto Fujimori, que cumpre pena de 25 anos de prisão por corrupção e desrespeito a direitos humanos.
Humala tentava se desvincular da imagem do antigo aliado Hugo Chávez, presidente venezuelano, e de seu passado mais radical.
Grande parte dos eleitores estava conformada ontem em votar "no mal menor??, depois que os três candidatos de centro dividiram seus votos e foram eliminados no primeiro turno.
Keiko e Humala tiveram empate técnico em grande parte do tempo. "Vou anular o voto, não acredito em nenhum dos dois??, dizia ontem a funcionária pública Gabriela Ezeta.
"Humala mudou de discurso tantas vezes que não acredito nele; em Keiko não posso votar, tenho memória e lembro de todos os abusos que seu pai cometeu", completou.
O Peru é o país que mais cresce na América do Sul, com média de 7% nos últimos anos, mas não conseguiu melhorar muito a distribuição de renda.
Parte da população votou em Keiko porque teme que Humala vá mudar o modelo econômico e restringir o crescimento do país.
Outra parcela votou em Humala porque não vê os frutos do crescimento chegando até os mais pobres.
Na campanha, Humala deu uma guinada para o centro para ampliar seu apelo.
Livrou-se das camisetas vermelhas e roupas militares, passou a renegar seus elos com Chávez e abandonou as partes mais estatizantes de seu discurso.
Humala perdeu em 2006 para o atual presidente, Alan García, porque toda a parcela conservadora da sociedade peruana se uniu contra ele.