09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A um pequeno grande amigo


| Tempo de leitura: 3 min


Aos 6 de maio de 2011, a rua Agostinho Fornetti, quadra 3, Jd. Bela Vista, entrava em luto. Perdia-se um pequeno grande homem, chamado Alcione Pereira, que convivia com todos há muitos anos. Eu, particularmente, tive o prazo de tê-lo com meu vizinho desde meu primeiro ano de vida. Pai, marido, amigo, servo, aquele sempre disponível para ajudar o seu próximo a bater um martelinho aqui, ou carregar algo ali, sempre muito solícito e prestativo, brincalhão, levava a alegria de suas brincadeiras a todos, em qualquer lugar que fosse. A falta será inevitável, dolorosa, algo que não podemos entender, mas que o tempo se encarregará de amenizar o vazio que este grande amigo fará a todos do bairro. Todos ali, que somos sim uma família, pelo carinho da convivência diária e principalmente pelo tempo já compartilhados de vida....ali nascemos juntos, crescemos juntos, compartilhamos nossas alegrias e tristezas e perdemos também juntos.

Aquela esquina onde nosso pequeno grande amigo gostava tanto de ficar, conversando com todos, partilhando os momentos de seus dias, ajudando na limpeza de nossas calçadas... E ajudando especialmente a iluminar nossos dias com seu bom humor e amizade de sempre. Pessoalmente, devo dizer que todo o dia, ao chegar a casa para o almoço, tinha uma pessoinha sempre ali que me cumprimentava com um aceno tão caloroso, quase de um pai, isso fará muita falta mesmo. Com certeza, as suas plantas e flores ali cultivadas sentirão a ausência de seus cuidados, de sua companhia.

Mais que isso, fica a dor de olharmos para a lixeirinha onde nosso pequeno grande amigo se apoiava e não ver mais ninguém, e não ter mais aquele aceno tão caloroso de todos os dias...Seus jargões, como este: "A conversa tá boa, o guaraná tá gelado, mas eu vou é dormir!" serão lembrados, sim, com toda a certeza de que os momentos partilhados com esta pessoa tão bonita, por dentro e por fora, foram únicos e especiais, causadores de um sorriso até no mais mal humorado da vila. E o seu peculiar assobio para que as meninas entrassem para casa então, nem se fale... Fica o vazio daquele lugar insubstituível, especialmente para a sua família, minhas grandes amigas, melhores amigas, minhas irmãs de coração e de uma vida inteira, que contem conosco em todas as adversidades que eventualmente surgirão neste caminho árduo, mas não impossível, que irão trilhar. Lembrando sempre que o Senhor Jesus estará com vocês em todos os momentos, as guardando, guiando, dando sabedoria e acima de tudo, muitas bênçãos que irão ser derramadas sobre a sua família, tão amada e querida por Deus e por nós.

O seu lugarzinho tão sonhado, planejado, com todo seu esforço e coração, aquele rancho na beira do rio, onde pude ter o privilégio de também estar em vários finais de semana e almoços, ali onde vimos um sonho se concretizando aos poucos, a cada tijolinho levantado, a cada dia, onde, com vários outros amigos, tivemos bons e felizes momentos, limpando a piscina ou fazendo um belo churrasco, a sua presença nos alegrava e muito! Sei que foi embora daqui sabendo disso... Que era muito querido, e foi embora, mas para pescar agora em outro rio... O Rio da Vida, junto de Nosso Senhor, com certeza melhor lugar não há, lá não há mais dor nem preocupações, pequeno grande amigo. Nosso amor, carinho, e nosso colo à família Pereira, do Jd. Bela Vista, neste momento difícil de perda, de pranto, mas também de um aprendizado ímpar. De seus amigos e vizinhos.


Carla Gamonar Maraston