Sempre falamos mais de automóveis nesta coluna, afinal este é o seu nome. Mas outros veículos também são incluídos de vez em quando como motocicletas, jipes, Fórmula 1, caminhões e outros que se enquadram na categoria de veículos automotores. Prometo que daqui para frente falaremos mais de cada um deles, de forma abrangente. Vamos hoje começar pelas motos, atendendo aos pedidos dos irmãos do Moto Clube Bodes do Asfalto e dos amigos leitores Cristina, do Na Brasa Rotisserie, Evandro Pereira e Silvio Arthen, todos de Bauru.
Como todo veículo, as motos precisam ser mantidas (ou manutenidas, como se fala no Exército) em dia para funcionarem perfeitamente. A lubrificação periódica é uma das manutenções principais. Toda moto é descoberta e fica exposta às intempéries, então precisa ter sua lubrificação refeita de tempos em tempos. Cabos, manoplas, manetes e outras superfícies articuláveis (como acionadores de freio, acelerador, carburador) devem ser lubrificados regularmente, ainda mais após alguma viagem com muita chuva ou poeira.
A corrente da transmissão merece um parágrafo a parte. Sua lubrificação é fundamental para a durabilidade do conjunto coroa e pinhão. Sem uma lubrificação adequada, o desgaste das peças é acelerado e pode ocasionar a quebra da corrente ou das rodas dentadas. Uma coroa ou um pinhão com os dentes desgastados permite que a corrente trabalhe frouxa e acabe escapando, obrigando sua recolocação a todo o momento. A lubrificação da corrente deve sempre ser feita com óleo especial recomendado pelo fabricante, pois contém aditivos que evitam seu escorrimento e promovem alta adesão. Imagine que com a velocidade da roda aumentando, a rotação da corrente também aumenta, assim como a força centrífuga que atua sobre ela. Se o óleo não for adequado, espirrará para todos os lados fazendo uma lambança em toda a área da balança da roda. E se o óleo espirra para fora da corrente, não a lubrifica mais. Por isso existem óleos especiais para correntes (podem ser em spray ou não), com mais viscosidade e capacidade de adesão. Nunca use óleo comum de motor ou transmissão, muito menos óleo queimado como alguns "espertos" fazem, pensando que estão economizando alguma coisa. Uma corrente bem lubrificada faz menos barulho, não dá trancos em aceleração e dura muito mais, sem perder a regulagem ou folga.
O motor exige uma troca de óleo regular e adequada, pois é o coração da moto. Cada fábrica recomenda um período específico para determinado tipo de motor, não é uma constante universal. Por exemplo, eu tenho duas motos, uma V-Strom 650 e uma Intruder 800, cada uma com especificações próprias. A Suzuki estabelece um período de troca de óleo para a V-Strom a cada 3.000 km, enquanto que para a Intruder é de 2.000 km apenas. Isto é em função de características construtivas de cada motor como capacidade do carter, temperatura de funcionamento e velocidade do pistão, dentre outras. Algumas motos precisam ter um reservatório de óleo muito pequeno por questões de espaço e por isso são penalizados com troca mais freqüente. Outras partem para um carter seco com reservatório de óleo externo, podendo assim aumentar a quantidade de óleo necessária sem comprometer o espaço embaixo do motor. Devemos nos lembrar que o óleo do motor de moto não serve apenas para sua lubrificação, mas também para o câmbio e embreagem, além da refrigeração do motor. Em motores refrigerados a ar, como a maioria das motos de pequena cilindrada, o óleo tem uma importância enorme na refrigeração. Quanto maior a cilindrada, maior a potência do motor, assim como sua geração de calor. Daí que se costuma usar refrigeração líquida em grandes motores. Alguns mais tradicionais como a Harley Davidson, por exemplo, ainda usam motores refrigerados a ar mesmo com cilindradas altas, de 1600cc. Mesmo com sua rotação mais baixa, estes motores liberam um enorme calor para ser trocado com o meio ambiente através das aletas externas de refrigeração, e este calor é sentido nas pernas do motociclista. Em estrada, com muito vento passando pelo motor não se sente tanto, mas em trânsito de cidade, parece uma usina. Só que a Harley especifica uma troca de óleo a cada 8.000 km (na verdade, 5.000 milhas), por isso tem um reservatório enorme no carter, maior do que qualquer outra moto. É por isso que recomendo que cada um preste atenção no manual de sua moto e faça a troca de óleo corretamente.