08 de julho de 2026
Nacional

Combustíveis caem e dão alívio à inflação pelo IPCA

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Rio - Vilões da inflação em abril, os combustíveis deram uma trégua com a entrada da safra de cana-de-açúcar. Em maio, eles permitiram que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA ) subisse menos que em abril e tendem a segurar a inflação também no mês de junho.

A maior produção de álcool fez cair com força o preço do combustível e permitiu um aumento menor da gasolina - que tem o biocombustível em sua mistura. A inflação medida pelo (IBGE) Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística foi de 0,47% no mês passado, abaixo do 0,77% de abril.

Na medição que considera o indicador acumulado em 12 meses, que mostra a tendência de longo prazo da inflação, o IPCA, porém, acelerou e ficou em 6,55%. O índice superou o teto da meta do governo (6,50%) e teve a maior marca desde julho de 2005.

Segundo Eulina Nunes dos Santos, coordenadora do IBGE, as usinas de álcool aumentaram rapidamente a produção e a oferta no mercado. Com isso, o preço do produto caiu 11,34% no mês.

Os combustíveis tendem a manter a inflação baixa em junho e julho, quando o índice deve ficar próximo a zero, segundo analistas. Os alimentos também devem ajudar a segurar a alta de preços.

Segundo Thiago Curado, analista da Tendências, o preço de produtos como soja, milho e trigo está em queda no mercado internacional e a redução pode chegar ao consumidor no Brasil.

Os preços de outros itens de alimentação -como os hortifruti- também estão em queda e devem chegar às prateleiras em junho. "A redução dos preços nos supermercados não será no mesmo ritmo, mas os alimentos vão ajudar a inflação ficar perto de zero em junho e julho", diz Curado.

Em maio, alguns desses itens, como o tomate, pressionaram o índice. O leite, outro produto importante na mesa do brasileiro, também puxou a inflação para cima.

Para Curado, porém, o refresco dos aumentos de preço é "momentâneo" e a inflação deve voltar a se acelerar, passados os efeitos da redução dos preços dos combustíveis e dos alimentos.

O economista Luiz Roberto Cunha, professor da PUC-Rio, destaca que o mercado de trabalho ainda aquecido - que alimenta o consumo - dará fôlego para novos aumentos de preços depois do mês de julho.