10 de julho de 2026
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Bauru, a Estação Central, o Poder Legislativo e a Secretaria da Cultura

Fábio Pallotta
| Tempo de leitura: 3 min

Após muita indefinição, finalmente o destino da Estação Central de Bauru foi decidido quase como deveria ser. Quase, pois, após a desistência do Poder Legislativo por falta de espaço a Estação Central será ocupada pelas secretarias da Saúde e da Educação faltando apenas uma: a Secretaria da Cultura. Ela deve ocupar a Estação Central junto com as demais Secretarias designadas pela prefeitura municipal, pois daquele espaço poderá gerenciar com mais agilidade e competência o Complexo Museológico e Ferroviário que Bauru já possui e aos poucos vai sendo ampliado, além do próprio Museu Ferroviário.

Ao longo da via férrea existem dez unidades museológicas umbilicalmente ligadas à ferrovia que uma vez em funcionamento farão da nossa cidade um espaço privilegiado em termos de turismo ferroviário, sendo o maior centro do Brasil, da América Latina e um dos mais importantes e maiores do mundo. A partir do projeto permanente "Ferrovia para Todos", as viagens de trem turístico terão início na Estação Central, e realizarão viagens até Tibiriçá (44 km ida e volta) e em conjunto com cidades da região como Pederneiras e Jaú esse percurso poderá se estender a 100 km (50 km ida e volta) ampliando o turismo ferroviário, a geração de empregos e recursos financeiros da região.

Além da Estação Central que agora poderá ser preservada de uma vez por todas, a iniciativa privada também participa desse esforço de preservação e revitalização dos espaços ferroviários ao utilizar os galpões da Cia. Estrada de Ferro Paulista para fazer o Museu da Indústria, através da Ciesp presidida na cidade pelo empresário Domingos Malandrino. Outro presente para a cidade será o Museu do Trem construído nas antigas oficinas da Ferrovia Noroeste do Brasil, espaço privilegiado de 54 mil metros quadrados de área coberta que além do Museu do Trem abrigará também um espaço de turismo de negócios. O empreendimento está sendo levado à frente pelo engenheiro e empresário de Bauru Ricardo Bagnato, presidente da Associação de Preservação Ferroviária e de Ferromodelismo de Bauru.

Tais realizações não conseguirão sucesso se não contarem com o apoio efetivo do Poder Público Municipal na figura do Prefeito e dos seus Secretários. Além desse apoio outro se faz necessário: o do Legislativo Municipal na figura dos Vereadores Municipais que além de elaborarem as leis devem ter conhecimento da história da nossa cidade e não esquecerem jamais que Bauru tem "DNA Ferroviário" que não pode ser apagado da nossa história apesar dos interesses de pessoas e de grupos que só querem vantagens materiais, não levando em conta a nossa história.

O Legislativo tem entre seus membros assessores e funcionários de carreira que são profundos conhecedores da história de Bauru e que sabem da importância da nossa herança ferroviária que não pode ser preservada sem a vontade e decisão de todos: poder público municipal, iniciativa privada, população e legislativo. Poucas cidades têm a herança ferroviária que temos e podemos usar a favor da Economia Criativa. Seria um erro histórico enorme não lançar mãos ao que a história nos ofereceu e que custou a vida de muitas pessoas para ser construído.

Bauru, que nasceu do choque entre a expansão do café e dos povos que aqui desenvolveram sua cultura tradicional deve aproveitar as oportunidades de desenvolver uma atividade de baixo impacto ecológico, boa arrecadação de rendas e alta geração de empregos em nome dos que tombaram para que essa herança chegasse até nós.

Portanto, com o apoio de todos, vamos permitir que também a Secretaria de Cultura tenha um espaço privilegiado junto a nossa importante Estação Central.


O autor, Fábio Pallotta, é professor de História e colaborador de Opinião