08 de julho de 2026
Nacional

Gleisi quer ?convivência respeitosa?

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - Ao assumir a Casa Civil e se despedir do Senado, a ministra Gleisi Hoffmann - que é esposa do ministro Paulo Bernardo (Comunicação) - indicou nos seus discursos que não deixará de lado a atuação política, apesar de ter recebido a incumbência da presidente Dilma Rousseff de cuidar da gestão do governo. A nova ministra fez afagos no PT e no PMDB, principal aliado do governo no Congresso, e também na oposição - a quem prometeu uma "convivência respeitosa".

Gleisi afirmou que sua escolha "manifesta o apreço (de Dilma pelo) Congresso Nacional". Citando o exemplo da petista - que era um quadro técnico e acabou se tornando presidente- disse acreditar que "a política dá sentido à técnica e esta qualifica a política".

Em uma sinalização de diálogo com a oposição, Gleisi afirmou que "viver exposta a pontos de vista contraditórios" é uma "condição" da vida política. "Todos foram adversários duros no debate, mas prevaleceu sempre a convivência democrática."

Em troca, recebeu do senador Aécio Neves (PSDB-MG) a promessa de diálogo. O tucano também cobrou que o governo deve dar mais voz às "minorias". "Nesses primeiros meses do ano a avassaladora maioria conquistada nas urnas pelo governo não permitiu que criássemos aqui ambiente mais fértil para debate sobre os principais assuntos nacionais", disse Aécio.

Antes de subir à tribuna do Senado para seu discurso de despedida, Gleisi fez um apelo ao senador: "Vou precisar de ajuda aqui no Congresso". O tucano sorriu e fez elogios à sua competência e indicação - comportamento seguido por outros oposicionistas no Senado.

Num sinal de que não pretende se afastar das negociações com o Congresso, a ministra rejeitou o rótulo de "trator" do governo cunhado pela oposição nos quatro meses em que esteve no Senado.

"Não considero esta a melhor metáfora para quem exerce a política e sempre se dispôs a debater, ouvir e construir consensos."

Ao chamá-la de "esquentadinha", o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) disse que considera essa característica uma "qualidade".

A petista ficou por mais de uma hora na tribuna ouvindo sucessivos discursos de senadores aliados e da oposição em sua homenagem - inclusive dos principais líderes do PMDB, que elogiaram a escolha do seu nome.

No discurso de posse no Palácio do Planalto, que durou cinco minutos, Gleisi citou o nome da presidente Dilma 11 vezes. Lembrou ainda de quanto trabalharam lado a lado na transição do governo Lula, em 2002. A ministra citou ainda seu antecessor, Antonio Palocci, afirmando que era um desafio continuar seu trabalho.

Não mencionou, no entanto, as acusações que levaram à demissão do petista.

A mesma postura Gleisi adotou em seu discurso no Senado, onde sequer falou o nome do ex-ministro.