10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

"E POR FALAR EM IMAGENS..."


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A livraria Jalovi deverá em breve estar oferecendo o livro cujo título aparece acima. Escrito pela escritora, pianista e filósofa bauruense Dulce da Silva Telles Nunes, filha do advogado e poeta José Alves Nunes e Anna Alves de Lima da Silva Telles, pilares sólidos de nossa sociedade.

Dulce e sua irmã Vera foram exemplo de cultura e beleza em nossa cidade nas décadas de 40 e 50, sendo constantemente comparadas a Ingrid Bergman e Greta Garbo quando estavam no auge de suas carreiras cinematográficas, me lembro como fiquei extasiado quando ouvi Dulce interpretar com grande maestria a imortal Marcha Turca de Mozart, em um concerto de piano em nossa cidade.

Dulce, nesta obra literária, consegue conciliar alguns mistérios do Cristianismo com os desafios da ciência, demonstrando claramente que religião e ciência não necessariamente são mutuamente opostas, mas que na realidade uma vem complementar a outra quando se trata da busca da verdade e não das paixões transitórias de agentes humanos nem sempre preparados ou bem informados.

Dulce apresenta uma exposição clara e concisa do valor de uma imagem como meio de transmitir uma idéia, reforçando o ditado popular, "uma imagem pode substituir mil palavras". A pessoa genuinamente a procura da "Visão Beatífica" nunca irá confundir a adoração da imagem do bezerro de ouro, dos dólares na cueca, do orgasmo do poder, da demagogia dos políticos populistas com a veneração de imagens que têm como finalidade nos aproximarem Daquele cuja imagem representa a encarnação do Espírito Puro que declarou a Moisés "Eu sou Aquele que Sou" (Êxodo 3,14). Pois a pequenez e insignificância mortal de nossa humanidade jamais poderiam vislumbrar a realidade do Pai Eterno.

É particularmente fascinante a pesquisa detalhada que Dulce apresenta sobre dois de uma infinidade de outros mistérios que assombram o cristianismo ocidental. O primeiro é a famosa imagem de Nossa Senhora de Guadalupe imprimida nos fios de manguei, uma fibra delicada que deveria se decompor em período muito curto, na tilma, ayate ou manta do índio Juan Diego. Todas as imperfeições da fibra colaboram para o conjunto de detalhes da misteriosa figura. E diversos cientistas ficaram impressionados com as impressões nos olhos da imagem que só podem aparecer nos olhos de pessoas vivas.

É também muito interessante a pesquisa de Dulce em relação ao Santo Sudário que hoje em dia vem sendo muito discutido tentando-se provar o que não é, mas não lançando muita luz sobre o que realmente é?


Benedito S. Guedes de Azevedo