09 de julho de 2026
Articulistas

Para onde vai a educação?

Zilda Palloni Somense
| Tempo de leitura: 3 min

Acompanhando a leitura da reportagem "Alunos estão sem professor de geografia", a partir da denúncia de uma mãe, soubemos que na escola Stela Machado, em Bauru, os alunos estão sem professor de geografia desde o início do ano letivo. E alerto: a situação vai piorar! Por quais razões? Acompanhando o Jornal Nacional de 12 de maio, pude observar que o professor ganha no Brasil, em média, 60% do que ganham os demais profissionais de nível superior, no Brasil, a lei fixa um salário inicial de R$ 1.187 para 40 horas de trabalho por semana, como exemplo a reportagem, mostrou o caso do professor de filosofia Eduardo Amaral, que ganha R$ 1.100 por mês, sendo ele formado pela USP e apenas com 650 alunos em 23 turmas.

Em quatro anos, caiu pela metade a quantidade de formandos. De acordo com a reportagem, houve redução também nos cursos de licenciatura, que formam professores de disciplinas específicas. Um aluno entrevis-tado, Gustavo Lovatto, de 17 anos, disse que "ser professor hoje no Brasil, infelizmente, não compensa". Outro aluno disse que o desinteresse pela profissão é mais do que um sintoma de crise, pois ele acredita que o professor é tudo em um país, é uma ameaça ao futuro. E esta falta de professor vai piorar, pois os professores não estão suportando essa maratona por duas, três e até quatro, para compor o salário citado acima.

Um professor nestas condições, não consegue fazer uma boa aula nos três períodos, e as aulas para se tornarem atraente à juventude dessa época midiática tem que ser bem preparada, com metodologia e recursos que atraiam os alunos e motivem-nos a participar da aula. Mas mesmo assim, o professor nem sempre atinge este aluno, pois hoje estamos vivendo uma época de mudanças de paradigmas e de valores, e a família que sempre foi o ponto de equilíbrio, por fatores mil, está se transformando. Hoje não existe mais aquele modelo de família dos anos 50, por exemplo, de pai, mãe e filhos por toda a vida.

Hoje as relações estão efêmeras e até união homoafetiva estamos convivendo, e o modelo de família mudou e no seio familiar, os poderes também se alteraram, hoje marido e mulher mandam igualmente, em muitos casos, as mulheres acabam exercendo maior poder, os lares hoje estão sendo desfeitos rapidamente, pois a mulher hoje não depende economicamente de seu marido e torna-se arrimo do lar.O resultado é que a criança e a juventude estão desestruturadas e perdidas, fica difícil para a escola lidar com toda esta conjuntura social. A violência no quadro escolar aumenta dia a dia, é só ficarmos atentos aos noticiários para percebermos. O salário e as condições de trabalho do professor sofreram uma enorme queda, desde os anos 50.

Naquela época a escola era elitista e hoje, popular. Mas a qualidade também caiu para adequar-se aos números expressivos de uma educação popular. Há que se repensar e Educação num todo, há que repensar nossa carreira, nosso salário e funções. Falta ao trabalho do professor, apoio de profissionais que atuem junto, como: psicólogos, fonoaudiólogos, psicopedagogos, entre outros. A escola tornou-se um terreno difícil de ser compreendido, é um retrato do social e falta a governo e sociedade tornar o trabalho do professor mais valorizado, digno e sem o fardo de executar atividades que não condizem com a função de educador, para que de fato, ele possa ensinar e aprender, transformando a realidade que se apresenta a todos nós, de maneira tranqüila e eficaz para que os alunos de fato aprendam.

A autora, Zilda Palloni Somense, é colaboradora de Opinião