09 de julho de 2026
Geral

Na bacia Tietê-Jacaré, mata ciliar de Bauru é a menos preservada

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Por estar em uma área fronteiriça, Bauru é uma das poucas cidades estudadas pelo "Atlas Regional 2011" que integram, simultaneamente, as bacias hidrográficas dos rios Tietê/Batalha e Tietê/Jacaré. Ainda que na primeira delas o estado das matas ciliares dentro do município seja razoavelmente bom, na segunda a situação é lamentável.

Conforme aponta o levantamento, as margens do córrego do Capim, ribeirão das Águas Paradas, ribeirão Campo Novo, ribeirão Grande e rio Bauru estão em péssimo estado de conservação. Ao todo, apenas 11,34% da vegetação primitiva foi conservada, de um total de 136 alqueires. O dado animador, entretanto, é que 111 alqueires deste montante são passíveis de recuperação, num custo estimado de R$ 905,5 mil.

No cômputo geral, incluindo a bacia do Tietê/Batalha - onde o rio Batalha se insere -, Bauru conta com 33,27% de matas preservadas, totalizando 166,6 de 500,9 hectares avaliados. Para regenerar as margens dos seis rios estudados, seriam necessários recursos da ordem de R$ 2,498 milhões para o plantio de 512,4 mil mudas.

"Não é muito, se pensarmos que este investimento terá de ser feito pelos responsáveis ao longo de 20 anos, conforme prazo previsto pela legislação", considera o coordenador de projetos do Instituto Ambiental Vidágua, Clodoaldo Gazzetta. Esta, ao menos, é a meta estabelecida pelo Atlas, na expectativa de que o Senado Federal não aprove a emenda 164 prevista na reforma do Código Florestal.


Preservação permanente


A alteração ainda em fase de análise prevê que as Áreas de Preservação Permanente (APPs) atualmente exploradas para fins econômicos não precisarão ser desocupadas e regeneradas por seus proprietários. "É um absurdo que acho difícil ser aprovado. Então, imagino que não teremos nenhuma mudança: nas APPs onde houver plantio de cana ou pastagem, por exemplo, a mata ciliar terá de ser regenerada. Quem não fizer, terá de pagar multa por crime ambiental", sentencia.

Atualmente, 4,53% da área original de matas ciliares de Bauru são ocupadas por pastagens, 0,02% por agricultura, 0,12% por piscicultura, 0,06% por loteamentos consolidados e 1,45% por área antropizada menos densa. Todos eles são considerados locais de alto conflito para serem retomados, mas terão, por lei, de ser reflorestados até 2031. Há ainda 52,9% das margens de rios ocupadas pelos chamados campos sujos (áreas exploradas e abandonadas sem a devida regeneração), 0,95% por solo exposto e 1,21% por areia, que são prioritárias para recuparação pelo baixo nível de conflito.

Já os trechos onde há edificações isoladas (0,02% do total das APPs), estradas (0,82%) e área antropizada mais densa (1,19%) são considerados consolidados e não podem mais ser alterados. O estudo contabiliza ainda 2,83% de margens de rios que foram alagadas e 0,45% composta por água.

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Fernando Prestes foi a cidade que mais
conservou e Uru a que mais desmatou


Dos 76 municípios escolhidos para integrar o "Atlas Regional 2011" elaborado pelo Instituto Ambiental Vidágua, Fernando Prestes (170 quilômetros ao norte de Bauru) é a cidade com maior porcentagem de matas ciliares conservadas. De um total de 12,23 hectares de Área de Preservação Permanente (APPs), estão intactos 12,03 hectares, o equivalente a 98,33% do total.

Já o município de Uru (a 88 quilômetros de Bauru) é o último da lista, com apenas 6,17 hectares, ou ínfimos 1,05%, de 137,94 hectares que deveriam ter sido protegidos contra a ação humana. Na região de Bauru, as cidades melhor classificadas são Borebi, Bocaina e Avaí, em segundo, terceiro e quarto lugares, respectivamente. As piores colocadas são Igaraçu do Tietê, Itapuí e Bariri, pela ordem na 74ª, 73ª e 72ª posições.