09 de julho de 2026
Regional

Desfalque em Jaú chega a R$ 150 mil

Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 2 min

Jaú ? A pedido da Câmara de Jaú (47 quilômetros de Bauru), a Polícia Civil apreendeu ontem à tarde computadores e equipamentos que serão submetidos à perícia pela Polícia Científica para apurar o desvio de cerca de 154 mil, conforme nova descoberta de indícios de falsificações em guias de recolhimento de verba do Legislativo que teriam que ser depositadas na conta da prefeitura.

O ex-presidente do Legislativo Paulo de Tarso Nuñes Chiode (PV) e o atual, Carlos Alberto Lampião Bigliazzi Magon (PV), pediram à polícia para apreender os equipamentos, após a descoberta da comissão interna que vistoriou todas as guias emitidas no ano passado e notou que o valor é muito maior do que vem sendo apurado.

Há duas semanas, a Câmara exonerou um assessor administrativo acusado de não ter devolvido à prefeitura, no final do ano passado, cheque no valor de R$ 12,9 mil referente aos rendimentos das sobras dos repasses feitos pelo Executivo ao Legislativo ao longo do ano ? o chamado duodécimo. O suposto desvio só foi descoberto durante auditoria anual do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Segundo o diretor da Câmara, Luiz Carlos Furlaneto, técnicos do tribunal solicitaram à Casa a cópia das guias fornecidas pela prefeitura que comprovariam a devolução do dinheiro no final de 2010.

No mesmo dia, foi solicitada cópia do documento à prefeitura, que também não localizou o documento. O ex-presidente do Legislativo e o atual decidiram então registrar boletim de ocorrência na Polícia Civil comunicando o sumiço do cheque.

Agora, há novas evidências de que no ano passado não deram entrada nos cofres públicos R$ 104 mil referentes a 2010 e outros R$ 54 mil em 2009. A polícia já encontrou indícios de falsificação de documentos. "Chegamos a fatos novos: há guias que foram emitidas pela Câmara e depositadas na prefeitura, porém não tem nenhum real na conta da administração. Há forte suspeita de falsificações das guias", explica Furlaneto.

O servidor demitido continua sendo a pessoa suspeita pelas irregularidades. Ele foi admitido em janeiro de 2009 e os primeiros indícios de desvio de R$ 54 mil ocorrerram em julho daquele ano. "Não há nenhum documento oficial que aponta para ele, mas era o responsável pelo procedimento todo".

A Polícia Civil já foi à residência do suspeito e apreendeu equipamentos de computação. O nome do envolvido vem sendo mantido em sigilo.

A Câmara tem as guias e as compensações bancárias, porém, na prefeitura não deu entrada o dinheiro, informa o Furnaleto.

A Câmara abriu sindicância interna para apurar eventuais responsabilidades, já solicitou ao banco a microfilmagem do cheque para descobrir quem foi o beneficiado pelo depósito. Extrato retirado pelo Legislativo apontou que o dinheiro foi descontado de sua conta-poupança no primeiro caso já denunciado. Ontem também foram apreendidas impressoras do Legislativo.