10 de julho de 2026
Regional

Pesquisas são realizadas na divisa de Bauru/Arealva

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 6 min

O abacaxi tem preferência por solo de textura mais arenosa portanto a região de Bauru é excelente para o cultivo do fruto, comenta o professor Aloísio Costa Sampaio. "A fertilidade do nosso solo é muito baixa e carece de correção. Corrigimos isso com adubação correta porque é uma cultura altamente exigente em nutrientes. O plantio não pode ser feito sem o uso criterioso de adubação, caso contrário o resultado pode não ser bom."

Entre os municípios de Bauru e Arealva, no bairro Rio Verde há uma área de experimentos, onde alunos da graduação e pós-graduação da Faculdade de Ciências da Unesp/Bauru fazem testes com qualidades de frutos diferenciados, explica Sampaio.

"Cada parcela tem 40 plantas e são três repetições. Na experimentação temos que ter repetições dar confiabilidade ao trabalho. Temos sete cultivares diferentes de abacaxis. Cada um com uma característica em termos de crescimento, tamanho de fruto, sabor e também resistência as doenças. O tipo IAC Fantástico por exemplo é um material resistente a fusariose, principal doença da cultura do abacaxizeiro. É um fungo que ataca todas as partes da planta, mata e danifica o fruto. Ele está sendo testado aqui."

Os experimentos começaram há cinco anos com cultivares de abacaxi. "Além do IAC Fantástico estamos trabalhando também com o Gold ou MD2 que é um material mais aceito na Europa. No simpósio teremos uma pesquisadora da Costa Rica que virá falar sobre o sistema de produção do Gold. A vantagem é que ele aceita temperaturas de contêineres refrigerado para exportação. Ele é menos sensível à temperatura baixa quando comparado com o tipo Pérola ou com Smooth Cayenne."

As colheitas realizadas na área experimental embasam estudos que possibilitaram informar ao produtor sobre a melhor condição de cultivo, enfatiza o professor. "Os resultados foram apresentados no congresso de fruticultura. Um teste com cinco cultivares de abacaxi, o Jupi que é uma variação do Pérola, Smooth Cayenne, o Gomo de Mel e o Gold mostraram que dos cinco materiais testado, três tiveram melhor desenvolvimento. A nossa condição de clima e solo favoreceram o crescimento do fruto do Hawaí, do Jupi e do Gold. Em função desse resultado estamos montando este ano um novo ensaio com esses três materiais acrescentando o IAC Fantástico que é resistente a fusariose. Vamos trabalhar mais com eles até chegar num resultado para passar para o produtor qual a melhor adubação para se trabalhar com esses materiais nas nossas condições."

É na pesquisa de campo que os estudantes da área acompanham o desenvolvimento do abacaxizeiro e a partir de então aprofundam os conhecimentos sobre o fruto presente à mesa dos brasileiros especialmente no verão. "Eles observam a plantação e coletam dados. Para fazer uma avaliação no crescimento da planta, por exemplo, eles colhem a folha D. O abacaxi tem seis tipos de folhas, de A a F. A folha D é a mais desenvolvida. Nós coletamos para pesar e medir o comprimento dela, assim temos uma referência de como ela está se desenvolvendo."

Na época de colheita dos frutos, são pegos amostras que são levadas para o laboratório. "Analisamos o peso o tamanho, o teor do açúcar, a acidez, o teor de vitamina C. Todas essas análises são acompanhadas e efetuadas pelos alunos."

As experiências com o abacaxi Pérola, segundo o professor, mostraram que no Estado de São Paulo a fruta é pequena. "O Pérola é muito produzido no norte e nordeste do País. "Estamos estudando para saber se com uma adubação mais efetiva conseguimos reverter a situação."


Única safra

O mercado de abacaxi já foi bem mais positivo em termos de preço. Como toda a atividade ela vai se equilibrando em função da oferta e procura e com isso a cultura a médio prazo a torna uma ótima atividade em termos de rentabilidade. Esta é a opinião do presidente da Comissão Organizadora do 4o Simpósio Brasileiro do Abacaxizeiro.

"A planta tem uma única safra. Uma área plantada de um alqueire vai gerar cerca de 45 mil frutos. As mudas geradas em cada planta podem ocupar nova área de plantio.


Doenças da planta

Os fungos são os principais inimigos do abacaxi. O fusário pode prejudicar a planta desde a sua implantação no solo, explica a pesquisadora da Apta, Aparecida Marques de Almeida. "Fazemos pesquisas de doenças que podem ocorrer em algumas culturas na região. O fusário, que é um fungo, pode estar no solo ou na muda contaminada. Ele provoca escurecimento e podridão. As lesões no fruto vai impossibilitar sua comercialização. Ele emite uma resina no frutíleos do abacaxi que é facilmente percebido. O fruto atacado por essa doença só poderá ser usado na indústria com a exclusão das partes afetadas. Se um ataque intenso, impossibilita o uso do fruto."

Há também a broca do abacaxi que dá podridão no fruto. "Se a broca tiver associada a fusariose a perda é ainda maior. Há também a cochonilha. O nematóide é uma praga que faz com que a cultura vá mudando de local. É um verme de solo."

A Agência Paulista de Tecnologia e Agronegócios (Apta) tem profissionais que podem ajudar os produtores a se livrar das doenças. "O produtor pode procurar a gente. A Apta tem cinco agrônomos. O produtor pode levar a amostra contaminada até a gente e fazemos o laudo, ou agendamos uma visita técnica. Orientamos sobre o manejo integrado das pragas e doenças e métodos de controle. Hoje temos que pensar na sustentatibilidade, então, não podemos simplesmente falar em aplicação de um ou outro produto."

Como as mudas são geradas pela própria área comercial, a escolha delas antes do plantio é primordial para o sucesso do cultivo, ensina o professor Aloísio Costa Sampaio. "Na cultura do abacaxi não temos viveiros. Cada planta dá um fruto e gera em média de três a quatro mudas. O produtor que não quer ampliar sua área de cultivo, comercializa o excedente."

Para escolher as mudas, orienta o professor, é preciso visitar o produtor que tem o excedente. "Tem que conhecer os frutos daquela plantação, porque a maioria das pragas manifestam sintomas na planta. Para obter informações, ele pode procurar os técnicos na Casa da Agricultura, Cati, pesquisadores da Apta e os técnicos que desenvolvem trabalhos de extensão."

Muda sadia é o melhor caminho para quem quer entrar na atividade ou ampliar sua área de plantio. "Mudas com problemas têm que ser tratadas antes do plantio. Muitas vezes passam por banhos com produtos fitosanitários."

O pesquisador da Apta Ivan Hermam Fischer ensina que o ideal é obter mudas de áreas sem história de doenças. Especialista em doença fúngica bacteriana, ele avisa que alguns fungicidas foram testados em laboratório. O ideal é a muda isenta do fungo, se não tiver opção, tem fazer tratamento com fungicida antes de levá-la para o campo."

A muda contaminada compromete o enraizamento. "Se a muda estiver contaminada com um fungo, interfere no enraizamento da planta. Depois na época de abertura floral, na florescência o esporo do fungo passa pelo vento cai na enfrutecência onde vai ser o fruto e deforma todo o fruto" e, enfatiza o professor.