10 de julho de 2026
Cultura

Cineasta dos movimentos sociais em Bauru


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Quem fechou o ciclo de palestras da Terceira Semana Latino-Americana do D?Incao Instituto de Ensino na semana passada foi o escritor e cineasta argentino Carlos Pronzato. O público, composto principalmente por alunos do D?Incao e por universitários da Universidade Estadual Paulista (Unesp), assistiram a trechos de documentários feitos por Prozato e partilharam suas experiências vividas por toda a América Latina.

Prozato veio a Bauru convidado pelo diretor teatral Paulo Neves, que conheceu o argentino em fevereiro por intermédio de Henrique Aquino, um jornalista blogueiro carioca. O cineasta ainda não conhecia Bauru, mas diz ter gostado da cidade, e fez questão de visitar a estação ferroviária. Também gostou do evento do D?Incao, principalmente por tratar de um grande tema em uma cidade interiorana. "Estou indo a São Paulo e levarei informações sobre essa Semana Latino-Americana. Esse evento tem que continuar, dá visibilidade à cidade e é importante discutirmos essas questões também no Interior", diz.

Na Argentina, Prozato trabalhou com cinema industrial, ajudando equipes de produção. No começo da década de 1980 foi para o México, mas decidiu dedicar-se a outros trabalhos. Viajou por vários países sem filmar nem documentar nada, descendo até chegar, em 1989 em Salvador, onde se estabeleceu e mora até hoje.

Lá formou-se em teatro e reiniciou o trabalho como cineasta, fazendo vídeos institucionais e documentários políticos engajados, quase todos abordando manifestações populares, sindicais e estudantis, mas também dedicou-se aos filmes de recuperação histórica, como Ché na Bolívia. Esta produção, que tomou anos de pesquisa de Pronzato, reconstitui os onze meses de atuação de Ché Guevara na Bolívia por meio de depoimentos. "Usamos depoimentos de pessoas que estiveram com ele e contra ele, como os militares, incluindo o general que o capturou, Gary Prado Salmón", conta.

Este ano, a Semana Latino-Americana contou com a participação do jornalista Gilberto Maringoni (que falou sobre a Venezuela), o cartunista Carlos Latuff (sobre o Chile) e com o arquiteto José dos Santos Laranjeira (Uruguai). Pronzato fechou o evento falando de todo o continente. "O que fazemos na escola é um processo de informação e conscientização política. Queremos que o aluno saiba que o Brasil está na América Latina e que somos o único país que fala português", ressalta Neves. "E os documentários dele são de extrema importância para formar a consciência do aluno".

Independente e político


Como ator, Carlos Pronzato, às vezes, faz pontas em filmes rodados na capital baiana. Foi assim que ele atuou como subcomandante de um navio em Cidade Baixa e agora interpreta um padeiro português na recente adaptação de Capitães de Areia. No entanto, é no cinema independente e político que o argentino se realiza como artista. "Meu maior intuito com essas realizações é inspirar as pessoas a protestar, reivindicar e lutar. Eu mesmo me inspiro nos movimentos para filmar", destaca.

Apesar de seu assumido engajamento político, Pronzato afirma que nunca se envolveu com campanhas políticas. Mesmo assim, suas obras foram muito usadas em campanhas por causa dos problemas sociais e manifestações que retrata de norte a sul do País. "Meus filmes transitam por todo o Brasil. Cidades onde nunca estive têm meus filmes, professores os exibem nas aulas e os discute", diz.

Como Pronzato também é uma "vítima" da pirataria, não raro encontra suas obras com capas diferentes das originais. O argentino se diverte com a situação, pois acabou virando uma espécie de hobby colecionar as diversas capas piratas que encontra por aí. "Hoje, a população tem novos meios de distribuição e reprodução, dos quais sou totalmente a favor. Esse trânsito é fundamental", ressalta. "É bom para mim, porque tenho a satisfação de ver meu trabalho sendo veiculado, e bom porque assim muita gente tem acesso aos filmes e os passam adiante".

Pronzato fez mais de 40 filmes e os vende em seu blog (www.lamestizaaudiovisual. blogspot.com)