08 de julho de 2026
Bairros

Bando invade Unesp e arromba caixas

Por Mariana Cerigatto | Colaborou Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 8 min

Um roubo planejado e ousado, praticado por uma quadrilha de assaltantes no final da noite do último domingo, teve como alvo um dos maiores campus da Universidade Estadual Paulista (Unesp), no bairro Vargem Limpa, em Bauru. O clima tenso se instalou por algumas horas no local, quando 12 assaltantes encapuzados, todos portando revólveres e pistolas, invadiram o campus por volta das 23h30, renderam e amarraram quatro agentes de vigilância e um motorista. Com o auxílio de ferramentas, eles arrombaram três caixas eletrônicos do Banco Santander que ficam no interior da universidade.

A ocorrência só não se prolongou ainda mais porque o sistema de segurança da agência bancária foi acionado, segundo informou o capitão da 4.ª Companhia da Polícia Militar (PM) de Bauru, Jorge Luís Dias.

Mesmo assim, certa quantia de dinheiro foi levada do local, mas o valor não foi divulgado pela polícia nem pelo estabelecimento bancário.

Tudo indica que o bando entrou através de uma abertura feita no alambrado dos fundos do terreno da instituição, que fica à beira da rodovia Bauru-Jaú. De acordo com informações do boletim de ocorrência (BO) elaborado pela Polícia Civil, a quadrilha, após entrar pelos fundos, se dividiu e foi rendendo os vigias pelo caminho.

Um dos agentes de segurança foi abordado por quatro indivíduos, todos armados, que chegaram até a portaria principal do campus. Na sequência, o restante dos guardas foi também rendido. Depois, os assaltantes questionaram as vítimas sobre a área bancária da universidade.

Mediante graves ameaças, os vigias foram obrigados a conduzir o grupo até uma das agências. Logo se aproximou o restante da quadrilha, perfazendo um total de 12 pessoas.

Enquanto parte dos ladrões arrombava os caixas, os vigias foram levados até uma das guaritas da universidade e tiveram suas mãos amarradas com cinturilhas plásticas. Com pés de cabra, alicates e maçaricos, entre outras ferramentas, os assaltantes conseguiram violar os caixas e lavaram quantia de dinheiro ainda não contabilizada.

Alarme


Contudo, conforme cogita o capitão Jorge Luís Dias, a intenção da quadrilha era arrombar mais caixas eletrônicos existentes no campus. Contudo, a ação foi impedida graças a um soar de alarme, que acionou a central de segurança do banco Santander.

"Com o arrombamento, o alarme do local comunicou a central de segurança do estabelecimento bancário, que foi até a universidade fazer vistoria e percebeu algo estranho. Em seguida, a PM foi comunicada e compareceu ao local", relata o capitão.

"Percebendo que foram notados, os assaltantes saíram na correria, tanto que deixaram cair notas de dinheiro no chão (cerca de R$ 650,00). Várias ferramentas utilizadas por eles também foram abandonadas pelo caminho. Assim, eles tiveram a ação criminosa interrompida", salientou o capitão, que ainda suspeita que a quadrilha seja formada por membros de outras cidades.

Os vigias ficaram amarrados por mais de uma hora, mas conseguiram se soltar. Os agentes souberam descrever apenas um dos elementos que participaram do roubo: pardo, forte e de estatura mediana. Vestia uma blusa marrom e portava pistola inoxidada.

Na margem da rodovia foram encontrados e recolhidos, em lugares distintos e de forma espalhada, três cilindros de oxigênio, três pés de cabra, um alicate de pressão, dois capuzes de cor preta, dois bicos de maçarico, quatro manômetros e dois botijões pequenos.

Todo esse arsenal foi usado para arrombar os caixas. Um veículo da universidade ainda teria sido utilizado na ação para bloquear a entrada de uma das portarias da entidade, que dá acesso ao campus.


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Diligências


Conforme afirmou ontem o capitão Jorge Luís Dias, várias diligências foram realizadas e outras ainda serão feitas para encontrar pistas dos assaltantes. Ele ainda alega que a PM passou a direcionar mais o patrulhamento em caixas eletrônicos, que têm se tornado alvos frequentes de quadrilhas especializadas.

"A atuação de quadrilhas neste tipo de crime levou a PM, em todo o Estado, a mudar o foco de patrulhamento na tentativa de evitar assaltos deste tipo", frisou.

Em dezembro passado, o campus de Bauru da Universidade de São Paulo (USP) também foi alvo de uma grande ocorrência de roubo. Em pleno dia, quatro homens armados entraram no posto de atendimento do Banco do Brasil e fizeram 25 pessoas reféns em uma minúscula cozinha do estabelecimento. Levaram dinheiro e aparelhos celulares.

Conforme divulgado pelo JC no mês passado, três integrantes da quadrilha estão presos no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Piracicaba, e o quarto membro está preso em São Paulo. Todas as prisões foram efetuadas por outros crimes cometidos por eles após o roubo na USP de Bauru.

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Entregador de pizza é rendido


Consta no boletim de ocorrência (BO) do roubo aos três caixas eletrônicos da Unesp, ocorrido na noite de domingo, que o bando armado teria feito ainda mais uma vítima além dos agentes de segurança.

Segundo o documento, um funcionário de uma pizzaria também foi rendido e roubado enquanto se aproximava do local para fazer uma entrega.

Neste caso, o rapaz contou que a quadrilha, após se apossar de sua CNH, acabou liberando-o. Entretanto, antes de ir embora, os assaltantes teriam ameaçado-o, dizendo que se ele acionasse a polícia sua família seria morta.

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Reitoria da Unesp prevê melhorias


Considerado um dos maiores do Estado, o campus da Unesp de Bauru tem mais de 5 mil estudantes distribuídos em três faculdades. A segurança do local, contudo, mostrou sua fragilidade frente à ação da quadrilha neste domingo.

"A área da Unesp em Bauru é muito grande. A iluminação é precária e há muito mato. Esse ambiente frágil propicia e facilita a entrada de criminosos", indica o capitão da 4.ª Companhia da Polícia Militar (PM) de Bauru, Jorge Luís Dias.

Pensando em melhorar a segurança da instituição, desde o início de 2010 a Unesp trabalha na implantação de um projeto que usa tecnologia de monitoramento, com implantação prevista para o segundo semestre deste ano. O projeto foi aprovado pela reitoria em abril e está em fase de elaboração do edital de licitação (para aquisição de câmeras e software). O sistema atenderá os 23 campus da universidade.

Em nota, a assessoria de imprensa da Unesp detalhou que "o projeto usará um software para monitorar um sistema de câmeras. Oito servidores em oito campus (ainda não selecionados) vão monitorar as imagens. Durante o período com menor fluxo de informações, os dados serão transmitidos para um servidor central e gravados com a possibilidade de estabelecer acordos de troca de informações com a Secretaria de Segurança Pública e/ou outros organismos de combate ao crime".

Ainda segundo a assessoria, nesta semana será realizada uma reunião entre os três diretores das faculdades do campus e o vice-reitor da Unesp em exercício, Júlio César Durigan, para tratar de assuntos referentes à segurança.

Há um mês os caixas eletrônicos dentro do campus não funcionam entre 22h de sexta-feira e 6h de segunda-feira, e o número de portões de acesso a pedestres também foi reduzido.

Os vigias que foram amarrados durante o roubo do último domingo são funcionários técnico-administrativos do setor de segurança da Unesp de Bauru e não podem trabalhar portando armas de fogo.

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?Quadrilha não é especializada?, avalia capitão da Polícia Militar


No assalto dos caixas eletrônicos ocorrido na noite de anteontem no campus da Unesp de Bauru, a quadrilha utilizou uma maçarico - instrumento que, combinado a outras ferramentas, emite um feixe de fogo capaz de desmantelar placas de metal. Através desse procedimento, os assaltantes tiveram acesso ao compartimento que guardava as cédulas de dinheiro dos três caixas arrombados.

Na avaliação do capitão Jorge Luís Dias, apesar do aparente nível de organização do assalto, não se trata de uma quadrilha especializada em roubos de caixas eletrônicos.

"Os assaltantes especializados utilizam outras técnicas para fazer o arrombamento. Geralmente, usam aparelhos eletrônicos para forçar que as notas saiam pela própria boca do caixa, sem precisar arrombar o equipamento", explica.

"Entretanto, com certeza este grupo estava observando essa área da Unesp e esperando o momento mais propício para agir. Apesar deste planejamento, eu acredito que eles desconheciam o sistema de segurança do banco e, quando foram descobertos, saíram às pressas", ressaltou.

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Caixas não teriam cédulas tingidas


Conforme a reportagem apurou, as cédulas que caíram no chão durante a fuga dos assaltantes e foram recolhidas pela polícia não estavam tingidas e, ao que tudo indica, teriam sido levadas dos caixas eletrônicos do campus da Unesp.

Tal fato leva a crer que os caixas não seriam providos do sistema que tinge as cédulas de cor-de-rosa. O dispositivo visa inibir a ação de criminosos que têm como principal alvo os caixas eletrônicos.

Contudo, a informação não foi confirmada pelo Banco Santander, que preferiu não se posicionar sobre o assunto nem comentar sobre outras normas de segurança. Em nota, a assessoria de imprensa do banco apenas declarou que "está colaborando com as investigações policiais".

Conforme publicado em matéria do Jornal da Cidade, o sistema que mancha as cédulas é uma tática adotada pela empresa Tecnologia Bancária S.A. (Tecban), designada exclusivamente à administração de terminais de autoatendimento, e já se estendeu a caixas eletrônicos de Bauru.

De acordo com informações da assessoria de imprensa da Tecban, inicialmente os dispositivos "anti-furto" foram instalados nos caixas da rede Banco 24 Horas. Entretanto, a Federação Brasileira de Bancos não revelou ao JC quais agências de Bauru já aderiram ao dispositivo.