10 de julho de 2026
Internacional

Gaddafi se recusa a sair em meio a novo embate


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Beirute - O ditador da Líbia, Muamar Gaddafi, voltou a dizer que não vai renunciar ao poder, quatro meses depois do começo da rebelião popular no país, onde os combates prosseguem em várias frentes. "Não sou nem primeiro-ministro, nem presidente, nem rei. Não ocupo nenhum cargo na Líbia. É por isso que não tenho que renunciar a nenhuma função", diz Gaddafi, cujas declarações foram citadas pelo presidente da Federação Internacional de Xadrez, o russo Kirsan Iliumjinov.

A televisão líbia exibiu, na noite de domingo, imagens da partida, que aconteceu na presença de Mohamed, o filho mais velho de Gaddafi, presidente do Comitê Olímpico da Líbia e que administra o setor de telecomunicações no país. A agência de notícias russa Interfax disse que Ilyumzhinov, que também é governador de uma província russa, contou ter jogado uma partida de xadrez em Trípoli contra Gaddafi neste domingo. Segundo ele, o ditador líbio disse que não tem qualquer intenção de deixar o país.

Um monitor na sala exibia programas da televisão líbia, com uma tarja verde que informava a data: 12 de junho de 2011. A emissora não revelou quem venceu a partida. O conflito líbio já causou desde 15 de fevereiro entre 10 mil e 15 mil mortes, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), e provocou a fuga de 952 mil pessoas, de acordo com a Organização Internacional para as Imigrações.

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, pediu aos líderes africanos ontem que abandonassem o líder líbio, Muammar Gaddafi, e abraçassem as reformas democráticas, antes de reduzir a sua viagem à África com a proximidade de uma nuvem de cinzas do vulcão Dubbi, na Eritreia. Hillary disse que líderes africanos que não reformassem os seus regimes estavam em risco por conta da onda de protestos por democracia que varre o Oriente Médio, proclamando "o status quo está quebrado e as maneiras antigas de se governar não são aceitáveis."

Batalha


No campo de batalha, os combates se intensificaram. No leste, os rebeldes tentaram tomar as instalações petroleiras de Brega, 240 km ao oeste de Benghazi, e nas montanhas do sudoeste se esforçam por vencer os bolsões de resistência das forças favoráveis a Gaddafi.

Ontem, um comandante da rebelião, Musa el Mograbi, indicou que quatro insurgentes foram mortos nos combates travados 40 km a leste da estratégica cidade de Brega no domingo.

Na região de Misrata, uma cidade portuária rebelde situada a leste de Trípoli, as forças governamentais voltaram a bombardear no sábado a zona de Dafniyeh.