Não é sempre que se tem a oportunidade de apreciar um eclipse lunar. Este e outros fenômenos, além de planetas, estrelas e cometas, fazem com que amantes da astronomia se juntem para aprender ainda mais sobre os "caprichos" do sistema solar e voltem seus olhares curiosos apenas para o céu.
O eclipse lunar parcial que aconteceu no início da noite de ontem reuniu um grupo de 11 estudantes no Observatório de Astronomia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru. Quem possui telescópio, como Angelo Frigério Neto, 72 anos, curtiu o fenômeno na própria residência.
O físico e mestrando na área, Marcelo Gomes Bacha explica que o eclipse solar é diferente do lunar. "Quando a Lua passa na frente do Sol, ela produz uma pequena sombra na Terra. Como a distância entre a Lua e a Terra varia, quando ela está exatamente 400 vezes mais próxima do Sol, consegue produzir uma sombra na Terra que chamamos de eclipse total. Então, nesse eclipse nós deixamos de enxergar o Sol", explicou.
Já quando a Lua passa por trás do planeta Terra, a sombra é maior. No entanto, a atmosfera interfere na luminosidade que chega do outro lado e dissipa a luz de cor vermelha. Por isso, ao invés de não enxergarmos a Lua, conseguimos visualizá-la em um tom avermelhado. Com isso, a Lua ganha uma nuance toda especial e acaba atraindo, inclusive, quem não tem nenhuma noção de astronomia.
Vista privilegiada
Em Bauru foi possível notar a Lua parcialmente avermelhada ontem por conta da localização da cidade, que fica mais próxima do hemisfério Sul do planeta.
Em países como a África, a Lua pôde ser vista totalmente avermelhada. O eclipse deveria durar pouco mais de uma hora, segundo a expectativa de um software avançado utilizado pelos alunos do grupo de orientação do Observatório de Astronomia da Unesp de Bauru.
No final da tarde de ontem, os 11 alunos que compõem um grupo de orientação do Observatório da universidade começaram a preparar os telescópios para observar o fenômeno "mais de perto", apesar de poder ser visto a olho nu. Thaís Machado, estudante do segundo ano do curso de física da Unesp e membro do grupo, estava ansiosa.
"Apesar de estudar física e ser parte do grupo, eu nunca vi um eclipse assim, mais de perto. Estou ansiosa. O último eclipse lunar aconteceu em abril do ano passado. Os eclipses lunares acontecem com mais frequência, diferente dos solares, que demoram mais para acontecer", disse a estudante.
Observatório itinerante
O Observatório de Astronomia da Unesp de Bauru também possui uma unidade móvel. Com ela, é possível percorrer a região de Bauru e os alunos participantes do grupo de orientação ministram palestras em escolas e outros locais.
Para evitar que uma visualização do espaço seja perdida por um céu encoberto por nuvens, por exemplo, os alunos contam com um software avançado que possibilita visualizar o céu no passado, presente e no futuro.
"É só colocar as coordenadas do local onde você está que o programa localiza na data que você quiser. Você pode ver um eclipse que já passou, como um que também vai acontecer", disse a estudante Thaís Machado.
Paixão astronômica
Outro amante da astronomia que não perdeu a oportunidade de visualizar "de perto" o eclipse lunar ontem foi o bauruense Ângelo Frigério Neto, 72 anos. A paixão pela astronomia nasceu com ele, mas ficou mais aguçada depois que se aposentou.
"Eu sempre gostei muito de astronomia, mas não tinha condições financeiras e tempo para me dedicar mais. Então, quando eu me aposentei, há dois anos, construí meu próprio telescópio", contou.
Esbanjando vitalidade, ele pesquisou, pesquisou e encontrou na Internet todos os passos para conseguir montar um telescópio dentro da sua própria casa. "Eu comprei o jogo de espelhos pela Internet e o cano de PVC aqui mesmo e montei. Com ele, consigo até fotografar planetas", acrescentou, animado.
Ângelo gosta mesmo é de aproveitar os dias em que o céu não está encoberto por nuvens para visualizar constelações, galáxias, estrelas e os diversos planetas. Para conseguir fotografar o espaço, ele adquiriu uma técnica própria. Primeiro faz o vídeo e, de lá, extrai a foto.