09 de julho de 2026
Esportes

Basquete: Convocação divide opiniões

Wagner Teodoro e Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

A convocação de Larry - atualmente em férias nos Estados Unidos -, para defender o Brasil dividiu opiniões no meio do basquete nacional. Nomes consagrados da modalidade se posicionaram a favor ou contra, sem consenso sobre a decisão do técnico argentino Ruben Magnano, do time nacional. O ex-jogador da Seleção Brasileira Marcel Souza critica a escolha de Magnano. "Acontece tantas coisas no basquete brasileiro que eu não me surpreendo com mais nada. Não é possível que não haja um jogador brasileiro para ser chamado. Se o Larry fosse tão bom assim, Bauru já tinha sido campeão, pois armador ganha campeonato", declarou ao portal iG.

O ex-técnico da seleção, Cláudio Mortari, também discorda da convocação de Larry. "Ele não tem envolvimento com o País. A situação é tranquila para o estrangeiro: perdeu, vai para o aeroporto, pega o avião e vai embora", destacou ao iG. O técnico Guerrinha discorda e rebate as afirmações. "Isso que o Marcel está falando é que ele gosta de ser diferente. Se todo mundo vai de roupa, ele vai pelado. Se todo mundo vai pelado, ele vai de roupa. Ele gosta de chamar a atenção", brinca. O treinador, no entanto, ressalta o comprometimento e profissionalismo de seu jogador. "Ele (Larry) é diferenciado como jogador e como ser humano. São valores que com a minha experiência de 15 anos como jogador de Seleção Brasileira sei que são muito importantes. Hoje, muitos brasileiros consagrados e outros nem tanto, que nem despontaram ainda, nem tiraram a fralda, pensam muito mais neles do que na equipe, do que na Seleção Brasileira. O Larry pensa em defender a Seleção Brasileira com a mesma dedicação que faz com a nossa equipe. Ele é humilde e pensa sempre na equipe", aponta.

O ex-jogador Oscar Schmidt também não vê problema na convocação de Larry e salienta que sempre vai aprovar o que é melhor para o basquete brasileiro. "Preferia que fosse um brasileiro, mas não vejo problema nenhum. O que precisamos no momento é fazer o nosso basquete ressurgir. E precisamos buscar alternativas para isso. Nosso basquete tem que voltar a ocupar espaço na mídia e junto aos torcedores também", observa, em depoimento ao iG.

Guerrinha cita a atitude de Larry no momento de renovação de contrato com o Itabom/Bauru para exemplificar o comprometimento e identificação do jogador. "Tenho convivido com muitos brasileiros e muitos estrangeiros, o Larry é uma pessoa especial. No projeto, ele foi o primeiro jogador a renovar. Ele entendeu as dificuldades, é um jogador que poderia ganhar muito mais em outro lugar. Ele renovou pelo mesmo que estava ganhando em agradecimento ao projeto", conclui.

Foi de Magnano a ideia de ter um americano no time. Por isso, em dezembro de 2010, Taylor foi procurado por Vanderlei Mazzuchini, diretor de seleções da CBB, e a pedido de Magnano sugeriu que tentasse se naturalizar. O jogador topou e iniciou o processo. No dia 22, a documentação de Taylor será analisada no Conselho de Imigração, do Ministério do Trabalho. A trilha para se obter a cidadania exige seis anos de residência fixa no Brasil. Ou que o candidato seja casado com uma brasileira ou tenha um filho nascido no país há um ano. Como Taylor não preenche esses requisitos, a CBB tenta enquadrá-lo em um caso de mão de obra especializada, carente no País.