09 de julho de 2026
Esportes

Bauruenses desafiam Maratona de SP

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 6 min

No ano de 490 a.C, o soldado grego Fidípides foi incumbido pelo general ateniense Milcíades de correr da planície Marathónas até Atenas para dar a notícia da vitória grega em um confronto com os persas. A lenda conta que a missão era urgente, porque os inimigos haviam prometido marchar sobre a cidade, após a batalha. A distância do percurso era de cerca de 42 quilômetros e, como a luta durara muito mais tempo do que o planejado pelos gregos, Fidípides teve que percorrer o trajeto tão rapidamente quanto pôde. Chegou, comunicou a vitória e caiu morto pelo esforço. A história de Fidípides deu origem à mais longa e desgastante prova de atletismo disputada hoje, a maratona.

Neste domingo, nove bauruenses estarão entre aproximadamente 20 mil corredores que disputarão a 17ª edição da Maratona de São Paulo, que tem largada prevista para as 8h25, na avenida Jornalista Roberto Marinho, nas proximidades da Ponte Estaiada, e tem sua linha de chegada próxima ao Obelisco, no Parque Ibirapuera. A prova é considerada a maior, melhor e mais difícil do gênero no País. A maratona paulistana é dividida em percursos de 42, 25 e dez quilômetros. Dos nove atletas de Bauru, dois deles percorrerão a distância máxima nesta manhã: Hélio Augusto Ward Rodrigues e Paulo Freitas. Além deles, Ingrid Freitas, Vera Tobias Siqueira, Fábio Siqueira, Mariana Fioretto e os personais trainers Carlos Fioretto e Júlio César Porfírio Vicente correrão os 25 quilômetros. Já o também personal Luiz Renato dos Santos Tozin recupera-se de lesão e disputará os dez quilômetros. Todos os atletas são da equipe da Clínica Corpore. Rodrigues tem 51 anos, disputa provas há seis anos e fará sua estreia como maratonista. "Vou tentar, não sei o que vou sentir, isso é que está me deixando meio receoso.

Vamos tentar", declara Rodrigues, que já correu os dez quilômetros na Capital e conhece parte do trajeto que enfrentará neste domingo. Freitas, de 44 anos, disputa provas há três anos, vai para sua segunda Maratona de São Paulo e sabe bem o que vai enfrentar. "Corri no ano passado e é difícil. Mas eu só tinha feito no máximo 28 quilômetros. No ano passado, foi em maio e era mais quente. Foi bem cansativo", lembra o atleta, que completou a prova em aproximadamente 4h17min.

Em comum, uma preparação que exige disciplina e dedicação. "Comecei em janeiro e geralmente estou correndo um dia sim, um dia não. Faço 15, 16 quilômetros. Nos fins de semana, corro 20, 30, até 32 eu corri", conta Rodrigues. A expectativa é concluir a prova, sem grande preocupação com tempo. "Andando, correndo ou de ambulância. De qualquer jeito", brinca. Rodrigues planeja finalizar a maratona em 4h15min, 4h20min.

Freitas também teve preparação rigorosa. "Durante a semana, corro na terça e na quinta 12, 13 quilômetros. No sábado ou domingo, faço treinos longos. A minha rotina: segunda à noite, tenho personal; terça de manhã, pilates; quarta, personal; quinta, RPG; sexta, personal e tenho uma corrida longa no final de semana", comenta. "No final de semana, há dois meses, corri 20 quilômetros, depois 22, 25... Domingo retrasado, eu corri 37 quilômetros. Domingo passado, corri 27", afirma.


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Estreia nos 25 quilômetros


Praticando atletismo há dois anos, Ingrid Freitas treina há três meses especificamente para a Maratona de São Paulo, onde vai disputar a prova dos 25 quilômetros. A rotina inclui condicionamento em academia três vezes por semana, uma corrida durante a semana e treinos de corridas mais longas nos finais de semana.

Ingrid vai fazer a distância pela primeira vez. "O máximo que já fiz foi 21 quilômetros, que foi a Meia Maratona Internacional do Rio, no ano passado", relata. A atleta admite que os quatro quilômetros a mais são um desafio. "Principalmente depois dos 20 quilômetros pesa. Mas estou confiante. A única coisa que o pessoal está falando, porque eu não fui atrás para ver o percurso, prefiro que seja surpresa, é que os últimos quatro são de subida. Mas vai ser um desafio novo", define.

Em sua primeira participação na prova paulistana, no início de suas atividades como fundista, Ingrid correu cinco quilômetros. No ano passado, a corredora participou na distância de dez quilômetros. Com os 21 quilômetros da Meia Maratona do Rio na bagagem, decidiu estrear nos 25 em São Paulo. "Vamos ver se crio coragem e, no ano que vem, tento os 42 quilômetros. Quem sabe?", conclui.

Preparação rigorosa

A preparação para encarar as longas distâncias das provas de rua, correndo por horas, passa por fortalecimento de articulações e treinos de corrida específica, simulando situações encontradas durante o percurso. O personal trainer Carlos Fioretto, que vai correr os 25 quilômetros, detalha os treinos dos atletas. "Existe uma preocupação em fortalecer principalmente os membros inferiores, articulações, que são muito exigidas durante a corrida", explica. "O pessoal dos 25 quilômetros, começou com um treinamento com um volume em torno de 35 quilômetros por semana e terminou com 40, entre treinos de velocidade, treinos longos nos finais de semana e treinos com ritmo mais forte durante a semana também. O pessoal que vai para os 42 quilômetros iniciou com trabalho de 55 quilômetros por semana e finalizou com 60", observa.

O personal afirma que não só a distância a ser percorrida, mas o próprio percurso da Maratona de São Paulo é um desafio. "As pessoas que correm a Maratona de São Paulo, não só os amadores mas também os atletas de elite, a consideram como a mais difícil do mundo. É uma prova com muitas curvas, muitas subidas", declara.


Psicológico manda

Correr durante horas, sozinho, com dor, superando os limites de seu organismo só é possível pelo equilíbrio psicológico. A mente domina o corpo. Para se ter uma ideia do grau de exigência da maratona, o personal trainer Júlio César Porfírio Vicente descreve as reações do corpo de um competidor durante o trajeto. "É uma prova totalmente aeróbica. O corpo reage bem no máximo até 25, 30 quilômetros. Depois, começa a fornecer até proteína como fonte de energia, começa a queimar toda a fonte de energia. Aí, você começa a sentir a prova. Até então, o corpo vai no equilíbrio, vai no automático. A partir dos 30, as dores aparecem e fica complicado", expõe.

Vicente fala com conhecimento de causa. O atleta já disputou duas vezes a Maratona de São Paulo. Em 2010, concluiu com o tempo de 3h44min e, no ano anterior, fez os 42 quilômetros em 3h58min. Na opinião de Rodrigues, o principal desafio para percorrer os 42 mil metros é mesmo a parte psicológica. "É difícil, você sozinho ali, pensando, e vai... O psicológico manda, não tenha dúvida", observa.

Vicente fala ainda da "solidão da prova", o que influencia diretamente no desempenho dos atletas. "Até os dez quilômetros, tudo é festa, é muita gente junto. Depois, começa a separar por ritmo, a dispersar. A parte mais complicada é na Cidade Universitária (USP), que fica entre o quilômetro 25 e o 31 mais ou menos. Tem pouca gente na rua. Nos outros trechos tem pessoas na rua e até banda incentivando. Na Cidade Universitária, você fica muito sozinho. Estou para falar que a maratona é 60% físico e 40% psicológico. Se não estiver bem de cabeça...", conclui.