09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Vamos reavaliar nossa imposição de limites


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Creio que, atualmente, vivendo na era da informação, seja praticamente impossível determinar o que nossos filhos irão ver, ouvir e dizer. Mas claro que nos cabe, enquanto pais, conduzi-los pelos caminhos que os levarão a um futuro "menos" deteriorado que nossa realidade. Para isso, determinamos horários para que eles cheguem em casa, colocamos alguns limites quanto a assistir televisão, não deixamos que eles fiquem por muito tempo navegando pela Internet em sites desnecessários, acompanhamos diariamente os estudos, orientando nos momentos das tarefas, marcamos presença em todas as reuniões escolares, participamos de conselhos de pais na escola, conhecemos todos os amigos e seus respectivos familiares, trazemos os amigos e eles para dentro de casa para que possam ficar mais próximos à família e, é claro, orientamos quanto à qualidade cultural do som, dos filmes e peças de teatro ao qual assistem. Se você estiver achando que eu estou sendo irônica, acertou! Eu desafio os pais a dizer se cumprem todas essas características básicas para uma boa educação. A maioria pode mentir a si mesmo, mas, sabemos, através das estatísticas, que a triste realidade traz que não é isso que está acontecendo.

Se fizéssemos nossa parte como pais, cidadãos e, principalmente, como seres humanos, não precisaríamos ver a escola "apelar" para letras de músicas para "atrair alunos". O conhecimento dentro da sala de aula se torna cada vez mais distante, pois a grande maioria dos alunos não quer "ler", "escrever"e, o pior, não respeitam o professor. Colegas, pensem! O que vocês andam ouvindo de música dentro de casa? Qual é o tipo de diálogo que existe entre a família durante um final de semana? Qual é o tipo de bebida que estamos vivenciando nas refeições dentro das nossas casas? A verdade é que educamos muito mais pelo fazer do que pelo falar e eu não acredito que "trancar" as portas para a realidade que nós mesmos construímos vai impor limites aos nossos filhos. Na atual conjuntura, ouvir a música e orientar quanto a sua qualidade, através do diálogo, do carinho, é muito mais plausível do que repassar à polícia a responsabilidade que não é nem da escola nem deles, é nossa!

Aos pais que estão fazendo tudo isso que citei acima e acrescento, economizando água, reciclando lixo, evitando ver televisão, lendo muitos livros, afirmo que não precisam se preocupar com letras de músicas vazias, debochadas ou afrontosas, pois seus filhos saberão distinguir o "joio do trigo". Aos que ainda temem, revejam sua atuação em casa, leiam mais, amem mais, orientem mais e, acima de tudo, dê o exemplo! Se todos começarem a repassar aos órgãos públicos a responsabilidade que é nossa, o mundo não terá futuro para nossos filhos.

Daniela Gomide