09 de julho de 2026
Bairros

Inverno começou em maio, diz especialista

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 5 min

As baixas temperaturas registradas em Bauru nas últimas semanas ganharam destaque nas conversas entre amigos. A constatação em comum é: há tempos não fazia tanto frio. Essa sensação foi confirmada na tarde de ontem pelo meteorologista e presidente da Sociedade Brasileira de Meteorologia (SBMet), José Carlos Figueiredo.

Ele explica que, apesar do inverno começar oficialmente hoje, às 14h16, na realidade a estação mais fria do ano teve início no mês de maio, que durante 20 dias registrou temperaturas mínimas abaixo de 16 graus.

"Normalmente o mês de maio já é um mês frio, que costuma ter entre dez e 12 dias com temperaturas abaixo de 16 graus. Essa é a temperatura que as pessoas precisam de agasalho para sair de casa. Por isso eu defendo que a Campanha do Agasalho deveria ser feita em fevereiro e terminar em abril, para que em maio a população que necessita já estivesse agasalhada", avalia Figueiredo.

Segundo ele, este tempo prolongado com mínimas abaixo de 16 graus antes do início oficial do inverno ocorre em função de um fenômeno climático - sem nome definido - que, geralmente, é verificado a cada dez anos.

Em maio deste ano o fenômeno voltou a ocorrer, deixando 20 dias do mês passado com "cara de inverno". Mas isso não significa que ele sempre volte a influenciar a meteorologia com essa periodicidade, segundo Figueiredo.

O mesmo continua ocorrendo neste mês de junho. Em todos os dias, a temperatura mínima registrada ficou abaixo de 16 graus, o que caracteriza o tradicional "friozinho" de inverno. Isso tem feito com que, nas primeiras horas da manhã e à noite, seja necessário sair de casa agasalhado.

"Isso acontece porque, nesta época do ano, não é de costume formarem-se nuvens no céu. Então, mesmo que esquente durante o dia, toda a radiação que chegou do céu volta para o espaço e não retorna, porque não há nuvens para fazer com que ela retorne. Por isso, nesta época do ano temos noites mais agradáveis", explicou Figueiredo.

Periodicidade

Mas isso não significa que está mais frio do que o normal para o período, apesar da "gelada" sensação térmica. Este fenômeno, segundo o presidente da SBMet, é cíclico e acontece com certa frequência com o passar dos anos.

"Nos últimos dez anos não havia acontecido isso. Mas no passado nós temos histórico desse fenômeno climático. Ele é cíclico e acontece com o passar de alguns anos. A gente tem inverno mais frio e inverno mais quente", frisa Figueiredo.

Ele esclarece que essa mudança climática instável tem a ver com a localização no Planeta. "No sul do Brasil, o inverno é característico com temperaturas baixas, muito baixas, e chuvosas, e no verão temperaturas muito altas. Para nós é o contrário. Nós não temos as quatro estações do ano bem definidas".

Fica fácil classificá-las, simplesmente, como estações chuvosas ou estações secas. No mês de junho, quando se inicia o inverno, ocorre a estação seca, na qual normalmente espera-se pouca chuva e as temperaturas ficam amenas.

"Temos apenas episódios de frio. No entanto, os episódios deste ano estão batendo recorde dos últimos dez anos (em nível de temperaturas)", revela o meteorologista.

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Simpósio internacional discutirá fenômeno climático em outubro

Neste ano, o tema do 4º Simpósio Internacional de Climatologia não poderia ser mais oportuno, na medida em que se faz presente o fenômeno climático que "antecipa" a ocorrência das temperaturas mais baixas, típicas do inverno.

Denominado "Mudanças Climáticas e seus impactos em áreas urbanas", o evento será realizado pela Sociedade Brasileira de Meteorologia (SBMet) entre os dias 16 e 19 de outubro, em João Pessoa, Capital da Paraíba. Segundo o presidente da entidade, José Carlos Figueiredo, será muito importante para os próximos estudos relativos a mudanças climáticas no Brasil.

O evento é aberto a profissionais das mais diversas áreas de conhecimento, inclusive engenheiros, que também sofrem com as mudanças climáticas no decorrer de suas obras.

No dia 17 de outubro, segundo dia do evento, Carlos Afonso Nobre ministrará a palestra "Mudanças Climáticas e Eventos Extremos de Tempo e seus Impactos nas Áreas Urbanas". O assunto trará à tona o que o Brasil e diversas partes do mundo estão enfrentando ultimamente.

Outro viés a ser abordado no simpósio é como as mudanças climáticas causam impacto na saúde e em áreas urbanas, além de falar também dos impactos ambientais e sustentabilidade nessas áreas.

O 4º Simpósio Internacional de Climatologia está com suas inscrições abertas e disponíveis através do site www.sbmet.org.br. Outras informações sobre o evento, como a apresentação de trabalhos científicos, também podem ser obtidas no site.

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Inverno rigoroso

De acordo com José Carlos Figueiredo, meteorologista e presidente da Sociedade Brasileira de Meteorologia (SBMet), neste ano o inverno será mais rigoroso e terá temperaturas mais baixas por conta do fenômeno climático que ainda não tem denominação definida.

"A tendência é de que ele seja normal, no entanto, será um pouco mais intenso do que os anteriores porque pegou grande parte do outono e emendou com o período do inverno", explica.

O fenômeno climático que antecipou o inverno não deve alterar o decorrer da estação, que deve terminar, como previsto, no dia 23 de setembro às 6h04, quando começará a primavera.

Nesta sexta-feira, outra frente fria chega ao sul do País, mas passará bem distante do Estado de São Paulo, pelo oceano. Apesar de não trazer chuvas, sua influência derrubará as temperaturas no sábado e domingo, quando as máximas devem ser de 22 e 21 graus, respectivamente, e as mínimas de 9 e 8 graus.

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Desmatamento

As mudanças de temperatura que não condizem com as características tradicionais das estações do ano nada têm a ver com o aquecimento global e poluição. Provavelmente está mais ligada com o desmatamento, de acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Meteorologia (SBMet), José Carlos Figueiredo Figueiredo.

"Nós associamos que essas coisas acontecem quando se mexe na paisagem. Nas árvores, nos rios, quando se faz algo que modifica o meio ambiente. Então, a atmosfera sente a anormalidade e tenta corrigir. Como ela é uma massa gasosa desajeitada, provoca alteração significativa em um local e em outro", explica o meteorologista.

Por isso, segundo ele, já não é mais possível evitar a grande quantidade de chuvas em um período não esperado, como vem acontecendo, principalmente no sul do País.