Sempre que caça-niqueis são apreendidos, vem uma dúvida à cabeça: para onde eles são encaminhados? Em Bauru, os caça-níqueis apreendidos pelas Polícias Militar, quando há autorização, Civil e Federal são levados a um depósito da Receita Federal de Bauru. A máquina de jogos de azar é totalmente desmontada. A parte de madeira vira brinquedos, mesas e até cadeiras, sendo aproveitada por uma entidade de Presidente Alves. Já os componentes eletrônicos são doados à Fatec. (leia mais abaixo).
Os caça-níqueis são compostos de peças importadas e grande parte destes apreendidos, que foram parar nas "mãos" da Receita, chegaram ao Brasil de forma irregular por serem importados como equipamentos eletrônicos, que não tinham essa finalidade e serviam para compor o maquinário de jogos de azar. Outros deles entraram no País ilegalmente.
Até o ano passado, a Receita Federal fazia a logística de buscar o material eletrônico apreendido e trazia para o depósito. Hoje as próprias delegacias levam até a Receita. No total, cerca de quatro mil caça-níqueis já foram acondicionados neste depósito, segundo o delegado da Receita Federal de Bauru, Maurício Antônio Bento.
Para que eles possam definitivamente ser desmontados é preciso uma autorização judicial. "Uma vez entregues esses caça-níqueis é iniciado um processo de pedimento dessa mercadoria. Esse pedido vai para a Justiça e a Justiça, ao longo do processo, é quem autoriza a destruição.
Comissão de destruição
"Destruir" um caça-níquel não é tão simples quanto parece. Para isso, a Receita Federal designou uma equipe de quatro a sete funcionários do próprio depósito para fazer este serviço extra. Este trabalho também precisa ser visualizado por trata-se de produto ilegal então todo o desmanche é acompanhado por uma comissão de destruição.
Entidade
Todo o material dos caça-níqueis é doado. A madeira que reveste as máquinas de jogos de azar é separada e segue para a Sociedade de Assistência e Ocupação do Menor (Proame), que fica na cidade de Presidente Alves. Já os componentes eletrônicos são encaminhados à Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Bauru.
Waldemar Pereira de Camargo, presidente da Proame, conta que toda a madeira doada pela Receita Federal é transformada. "As nossas crianças e adolescentes utilizam a madeira para fabricar carrinhos de chá, pequenas mesas, cadeiras e brinquedos como carrinhos. Nós utilizamos de diversas formas", destacou Waldemar.
A Proame atende atualmente 150 crianças e adolescentes de idades entre 7 e 14 anos. Eles frequentam o projeto no período contraposto ao escolar e aprendem noções de marcenaria, música, entre outros.