07 de julho de 2026
Leonardo de Brito

Em Confiança

Leonardo de Brito
| Tempo de leitura: 4 min

SANTÁSTICO, O SHOW DA VILA

Se o Santos contratar um atacante pedra 90, uma referência na área ao lado do espetacular Neymar, poderá se tornar um time praticamente imbatível, quase como o de Pelé da década de 60. Com ótimo desempenho de Neymar e Paulo Henrique Ganso, seguidos de Arouca e Léo, o Peixe foi superior ao Peñarol durante toda a decisão de anteontem, num festivo Pacaembu com mais de 40 mil pessoas. Com Ganso, o time fica melhor ainda. Quem não viu o jogo pode achar o Santos sofreu, mas foi uma vitória até certo ponto tranquila, apesar do placar de 2 a 1. O tricampeonato continental consagra uma nova geração no futebol brasileiro, não só Neymar e Ganso, como também outros jovens santistas, entre eles Danilo, Alex Sandro, Rafael e Alan Patrick. E guardem esse nome: Felipe Anderson vai dar muito o que falar num futuro bem próximo. Esse título é também uma vitória pessoal para Muricy Ramalho, que deixou o Fluminense e assumiu o Santos no final da fase de grupos, quando o Peixe corria sério risco de ser eliminado. Muricy equilibrou mais a equipe. A defesa, que era o ponto vulnerável, ficou forte, compacta, enquanto o meio-campo passou a ser mais criativo. Essa conquista foi a primeira do experiente treinador, que comemorou com uma volta no campo de mãos dadas com Pelé, o campeão de 1962 e 63. Com o terceiro título, o Santos se iguala ao São Paulo como os clubes brasileiros mais vezes campeões da Libertadores.

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TRIO DE OURO

O título da Libertadores e a disputa do Mundial de Clubes, em dezembro, pode ajudar o Santos segurar Paulo Henrique Ganso por mais um bom tempo. Ele ainda não chegou a um acordo sobre a renovação do seu contrato, mas manifesta o desejo em continuar na Vila Belmiro. Ganso até usou Neymar para que isso aconteça. "Espero que esta dupla dure muito tempo??, afirmou o meia. O atacante retribuiu o afeto, dizendo que é maravilhoso, um orgulho, jogar ao lado de Paulo Henrique Ganso. Os dois amigos e Elano, que formam o trio de ouro do Peixe, continuam juntos por pelo menos mais um mês, porque já se apresentaram a Mano Menezes para a Copa América.

O TUMULTO

Inconformados com supostas provocações, jogadores do Peñarol provocaram uma batalha campal, entrando em choque até com a polícia. O tumulto foi por causa de um torcedor, que saiu correndo dos vestiários em direção ao gramado, provocando Martinuccio. O atacante argentino, pretendido por Palmeiras e Fluminense, não deixou barato e correu atrás do penetra. Ao perceberem que um jogador do Peñarol tentava agredir um elemento com a camisa do Santos, os jogadores peixeiros partiram para a briga e a confusão foi generalizada.

NÃO SABEM PERDER

Cheguei a preferir o Vélez Sarsfield do que Peñarol, por causa da raça e principalmente catimba dos uruguaios. Se bem que além de mais educados, os hermanos são melhores tecnicamente do que os carboneros. Pode até ser que provocaram os uruguaios, mas a verdade é que "eles não sabem perder??, como lembrou Neymar, quando comemorava o título e o pau quebrava no gramado do Pacaembu. Vários locutores também diziam que os uruguaios não sabem perder. Concordo plenamente. Santos e Peñarol deram a tônica da histórica rivalidade, mas isso vem de longe. Num jogo em Buenos Aires, pela Copa Atlântico de 1959, Paulo Valentim foi agredido por um uruguaio, e aí pintou uma encrenca com socos, voadoras, rabo de arraia e o escambau. Em outro Brasil x Uruguai, década de 70, no Maracanã, Rivellino levou um carreirão de Ramirez, provocando briga generalizada. Em todas as vezes, eles apanharam na bola e na porrada.

ASSUNTO GERAL

Daniel Alves e Adriano, laterais do Barcelona e Seleção Brasileira, disseram que o assunto na Espanha já é um possível confronto entre Santos e Barça pelo Mundial de Clubes, no fim do ano. Os dois jogadores receberam e fizeram ligações telefônicas ? além do correio eletrônico ? com colegas do Barcelona e jornalistas espanhóis, após a conquista da Libertadores pelo Peixe. Esse é também o principal assunto da Seleção Brasileira, que se prepara em Los Cardales - cerca de 60 quilômetros de Buenos Aires - para a disputa da Copa América.

ACESSO

A Ponte Preta encara o Vitória no Moisés Lucarelli, defendendo a liderança do Brasileiro da Série B. A Portuguesa, em segundo lugar, dois pontos atrás da Macaca, enfrenta o Goiás no Serra Dourada. Mais três jogos serão realizados hoje, completando a sétima rodada.

DÚVIDA

Flagrada no antidoping e suspensa por dois meses, Fabíola Molina não sabe ainda se poderá participar dos Jogos Mundiais Militares, em julho, no Rio de Janeiro. Quem vai decidir isso é a Federação Internacional de Natação. A nadadora é sargento do Exército.

MEMÓRIA

Decisão da Libertadores de 1963: Boca Juniors 1 x 2 Santos, em Buenos Aires. O Peixe sagrou-se bicampeão diante de 50 mil pessoas na Bombonera, com gols de Coutinho e Pelé. Sanfilipo marcou para os argentinos. Árbitro: Marcel Albert Bois. Boca Juniors: Errea; Magdalena, Orlando e Simeone; Silvera e Rattin. Grillo, Rojas, Menendez, Sanfilipo e Gonzalez. Técnico: Aristóbulo Deambrosi. Santos: Gilmar; Dalmo, Mauro e Geraldino; Zito e Calvet; Dorval, Lima, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula.

AQUELE ABRAÇO

Aquele abraço Oscar Rodrigues Silva. Na coluna de ontem, fiz a correção sobre a idade de Chico Buarque. Valeu, amigo.