08 de julho de 2026
Bairros

Comércio sentirá o reflexo em julho

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

A partir da primeira semana de julho, os estabelecimentos comerciais de Bauru devem sentir com maior força a ausência dos estudantes universitários na cidade, embora as primeiras evidências deste impacto negativo já estejam sendo verificadas. Como consequência da saída de cerca de 20 mil pessoas, a economia local é atingida por perdas que podem chegar a até 80% do faturamento, dependendo do grau de dependência que possuem em relação a este público específico.

É o caso, por exemplo, de uma loja que oferece serviços de fotocópia nas imediações da Universidade Sagrado Coração (USC), no Jardim Brasil. Com a aproximação das férias, o movimento de clientes já caiu em torno de 50% na última semana, e deve chegar a 80% nos próximos 10 dias.

"Pelo preço e qualidade do nosso serviço, atendemos estudantes de pelo menos quatro universidades, não apenas da USC. O volume de trabalho que a gente tem durante a época de aulas acaba compensando o que deixamos de ganhar agora e no fim do ano", explica o proprietário Bruno Vinicius Queiroz.

Segundo ele, para o estabelecimento não falir com a falta de clientes, é preciso planejamento financeiro. "Faço um caixa para enfrentar a sazonalidade. Seria bom se tivesse estudante o ano todo, mas só o período de aulas já é excelente", observa.

Nos restaurantes, principalmente os instalados próximos às instituições de ensino, a realidade é praticamente a mesma. "Temos planejamento antecipado para reduzir a compra de algumas mercadorias, porque tudo muda. A gente sente que até o trânsito na região fica mais tranquilo", comenta o proprietário Fábio Borges de Souza.

No estabelecimento, a comercialização de marmitex chega a cair 70% quando as aulas se encerram. Dentro do restaurante - que atende alunos da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Paulista (Unip) e USC -, o entra e sai de consumidores é 40% menor. "Nesta semana que passou, a queda já era de uns 30%. Temos descontos especiais para estudantes e muitos deles são mensalistas. Todos eles desaparecem nesta época", comenta Souza.

Mas não é apenas o comércio voltado ao público universitário que sofre com a falta dos jovens neste período. Até mesmo o robusto setor supermercadista arca com uma redução de cerca de 6% nas vendas durante as férias escolares. Mas, considerando que o faturamento anual do segmento bate a casa do R$ 1 bilhão, o impacto da saída dos estudantes se torna extremamente relevante.

"É algo perceptível, mesmo durante feriados prolongados. Temos alguns estudos sobre o comportamento deste consumidor específico, que é muito importante para o setor", comenta Erlon Godoy Ortega, diretor regional da Associação Paulista de Supermercados (Apas) em Bauru. Segundo ele, os universitários costumam realizar compras semanais e consomem, em sua maioria, alimentos prontos e congelados.

"Para os supermercados, o grande impacto acontece agora, em julho. No final do ano, por causa do Natal e Ano Novo, a perda acaba sendo compensada e praticamente não é percebida", considera.

Transporte

Outro item prioritário nos gastos dos jovens "forasteiros", o transporte também se adequa à demanda durante as férias. A partir do dia 4 de julho, quatro linhas de ônibus coletivo que passam por instituições de ensino de Bauru começam a operar em horários mais esparsos por conta da ausência de usuários.

Segundo a Emdurb, cerca de 12% dos passageiros são formados por universitários. Baseado no número total de usuários, eles seriam responsáveis por injetar mais de R$ 20 mil na economia local a cada dia somente para a utilização deste serviço.

Um dos poucos setores que não são afetados pela debandada de estudantes é o imobiliário. Pelo fato de os contratos de aluguel terem duração mínima de um ano, ao menos em julho não há grande redução no faturamento dos locatários, segundo afirma o delegado regional do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), Carlos Eduardo Muniz Cândia. "Os contratos são firmados ou encerrados entre o fim e início de cada ano, quando os universitários estão chegando ou deixando a cidade." Estima-se que estes estudantes respondam por 15% dos aluguéis em vigência.